Mulheres e outros grupos correm risco de serem silenciados; o que fazer nesses casos?

Grupos minorizados, como as mulheres e as pessoas negras, e minoritários, como pessoas LGBTQIA+ e com deficiência, são destinados ao silêncio no ambiente de trabalho por conta dos preconceitos enraizados em nossa sociedade. Você deve concordar, no entanto, que as minorias devem ser escutadas. Eis o que podemos aprender sobre isso.

Minorias no ambiente corporativo: chegou a hora de ouvi-las

Se é fato que a diversidade reduz o turnover nas empresas e gera mais produtividade, abordar como ela se dá efetivamente no cotidiano das empresas abre outra perspectiva: a de que nem sempre mulheres, pessoas negras, pessoas com deficiência e outros grupos de minoria são contemplados pelo lugar de escuta de seus líderes, dos profissionais de RH e mesmo de seus pares no trabalho.

O problema de “ser única” nas corporações

Se você é uma mulher que vive no ambiente corporativo, é provável que já tenha passado por uma situação de mansplaining. O termo em inglês é fácil de entender: mansplaining é quando um homem explica didaticamente algo a uma mulher, em tom professoral, como se ela fosse intelectualmente incapaz de compreender o que ele fala.

Não é à toa que para as mulheres, a tarefa é árdua. A ex-CEO da Lacoste e consultora em Diversidade Rachel Maia, uma mulher negra que é referência no setor de negócios de luxo, disse em entrevista para o jornal Estadão que não quer ser “objeto único” no mercado.

Serem poucas em ambientes majoritariamente masculinos, o que é reproduzido por várias empresas em diferentes setores, é um dos efeitos que fazem com que vozes femininas se sintam acuadas para falar. Ao mesmo tempo, a contratação de mais mulheres sem uma transformação cultural, em que sejam discutidas questões como assédio, fim da discriminação de gênero e apoio a elas, se torna algo ineficaz.

Comunicação como saída para diversidade

Criar núcleos representativos internos para dialogar sobre as dificuldades que mulheres e outros funcionários com perfis identitários sentem ao se posicionarem, principalmente frente à tomada de decisões ou em reuniões, tende a ser algo positivo para a empresa. Afinal, pessoas acolhidas e respeitadas se sentem mais estimuladas a enfrentar os desafios corporativos.

Por outro lado, se você faz parte de um grupo sub-representado, fortalecer sua voz é um exercício complexo, mas fundamental, e a linguagem é sua maior aliada. Não tenha medo de usar frases como “Desculpe, mas ainda não concluí meu raciocínio…” ou “Quando você terminar, posso contribuir também?”. Esteja seguro para expor suas ideias sem esperar a aprovação de todos e, ao mesmo tempo, construa relações dentro e fora da empresa que façam você se sentir capaz de se mostrar ao mundo.

A depender das situações em que essas interrupções ou situações desagradáveis acontecem, considere abrir diálogo com os profissionais de RH. A mudança de uma cultura organizacional precisa refletir as evoluções que estamos presenciando no mundo quanto à diversidade.

Quer saber mais sobre como tornar o ambiente empresarial justo e inclusivo? Então veja nosso guia sobre diversidade no trabalho.