Como serão os novos desafios e o ritmo dos profissionais de gestão de pessoas passado o surto da Covid-19?

Como será a atuação do RH pós-pandemia? Sabemos que a Covid-19 tem impactado permanentemente a força de trabalho global. Novas normas sociais de atividades foram estabelecidas, a transformação digital foi apressada e houve uma redefinição entre vida pessoal e profissional. Em suma, a pandemia acelerou o futuro do trabalho já em curso na sociedade.

“Precisamos olhar para essa pandemia como sendo, de fato, a nova realidade. Ela maximizou as transformações que já estávamos vivendo”, ressalta a consultora de RH Silvana Gibrail em entrevista para o Podcast da VAGAS.COM, Recrutacast.

E a medida que avançamos, o RH vem desempenhando um papel crucial para garantir que as organizações e seus colaboradores se ajustem a essas novas realidades de trabalho, que ainda estão em fase de teste. Portanto, a área de gestão de pessoas precisa ficar atenta à evolução desses novos mecanismos e monitorar a adoção deles.

Fim do embate entre emprego e tecnologia

Sabe aquele debate sobre a digitalização dos processos vs manutenção de empregos? A pandemia acabou com ele. Empresas tiveram de adotar a vacina da transformação digital. Sem os meios virtuais, muitas terminaram sua vida útil – como, de fato, aconteceu com alguns negócios que resolveram não investir em plataformas on-line.

Como se previa, com o fechamento desses negócios muitos trabalhadores ficaram sem seus empregos. O Brasil, perdeu 8,9 milhões de postos de trabalho em apenas três meses com pandemia. O segundo trimestre de 2020 encerrou com a taxa de desemprego de 13,3%, quantidade recorde de desalentados e o menor número de pessoas com carteira assinada da série histórica, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).

Os pessimistas diriam que a pandemia não ceifou apena vidas, mas também empregos. Contudo, aqueles que têm uma visão mais confiante observaram com que o Covid-19 funcionou como uma espécie de purgatório, onde todos foram testados para ascender ao Futuro do Trabalho com processos preparadas.

Como será o RH pós-pandemia?

Antecipação de mudanças

De uma perspectiva de gestão de pessoas, cada tipo de organização apresenta naturalmente seu próprio conjunto de desafios e problemas únicos – seja antes ou depois da pandemia. Mas se tivéssemos de pensar em um elemento essencial a todo profissional de RH foi a agilidade e a capacidade de responder às mudanças e incertezas. Essa característica que determina o futuro do RH.

“O profissional de RH deve estar conectado com o negócio e com o mundo. A importância da área é despertar essas mudanças nas organizações. A gente precisa entender a realidade e nos antecipar a ela”, pontua Silvana Gibrail.

Para a profissional, com mais de vinte anos de experiência em gestão de pessoas, essa habilidade do RH de antever mudanças sociais e colocá-las em prática na organização é um elemento essencial para a sobrevivência dos negócios. “O profissional deixa de ser transacional para ser analítico, ou seja, que transforma análises em ações estratégicas para a tomada de decisão”, pondera.

Contudo, a especialista em RH analisa que essa transição não seria possível sem as ferramentas digitais hoje presentes no mercado de gestão de pessoas.

Tecnologias a favor da estratégia

Na visão da consultora, esse universo de automação no recrutamento amplia a visão de campo do RH e a capacidade de encontrar talentos. “Os RHs que não olharem para isso vão ficar para trás”, alerta.

O novo mundo virtual ditará os processos do RH pós-pandemia, dentro e fora dos muros da organização; o que já era realidade em muitas companhias será potencializado. A citar:

  • As janelas da web acentuaram o espelhamento do mundo real das organizações para o mundo virtual – aproximando ou distanciando candidatos de empresa;
  • Robôs continuarão a aliviar o trabalho cansativo e manual da área de gestão de pessoas;
  • Algoritmos seguirão entregando dados para análise de profissionais de RH;
  • As videoentrevistas permanecerão otimizando o tempo de candidatos e da organização.

Neste cenário, o RH pós-pandemia precisará ficar atento aos processos/tendência que influenciarão na sua atuação profissional.

Preocupação com o ecossistema

“A pandemia deixou muito claro como as pessoas dependem umas das outras; como as empresas dependem umas das outras e como todos dependemos da comunidade”, destacou Silvana.

Nesse contexto, a pegada ecológica e social das organizações em seu ecossistema será cada vez mais observada por consumidores e futuros colaboradores. “Esse é o momento de a verdade vir à tona”, sinaliza a profissional sobre o RH pós-pandemia.

Para ela, as empresas não poderão mais simplesmente dizer que são ecológicas ou que trabalham com conceitos de responsabilidade social, elas terão de traduzir isso em ações. “Percebemos que vivemos numa comunidade cada vez mais conectada e as empresas precisam valorizar essa conexão”, salienta.

Trabalho remoto

Quando entramos na pandemia, muitas empresas não estavam preparadas para o home office e tiveram de se adequar do dia para noite. Seis meses depois dessa correria, alguns relatórios comprovam, em muitos casos, um aumento de produtividade

E mais: algumas organizações reportaram uma aproximação das equipes com os demais colegas de trabalho e líderes no modelo virtual. A longo prazo, esse novo modelo de trabalho também será traduzido em mais qualidade de vida às pessoas.

Não por acaso, uma pesquisa recente do Gartner, destacou que 74% dos CFOs disseram que mudarão permanentemente pelo menos 5% dos funcionários de sua empresa para uma estrutura de trabalho remota pós-Covid.

Mas, como ressaltado por Silvana, não há como generalizar. Há atividades que exigem – até o momento – pessoas trabalhando in loco.

Gerenciamento da força de trabalho remota

Com essa nova dinâmica de trabalho remoto, as organizações terão de adaptar modelos de negócios e desenvolver novas maneiras de incorporar a tecnologia no RH em suas estruturas de força de trabalho. O RH precisará de novas e inovadoras abordagens para dominar a arte de gerenciar uma força de trabalho remota e mista.

Em primeiro lugar, as equipes de RH precisam garantir que seus processos sejam digitais. Ferramentas como assistentes digitais ou chatbots podem ser usadas para fornecer aos funcionários – seja remotamente ou no escritório – as informações de que precisam rapidamente.

Por exemplo, os assistentes digitais podem compartilhar as informações mais recentes sobre as políticas da empresa, atualizações de saúde e segurança ou novas diretrizes no local de trabalho com apenas o clique de um botão ou uma pergunta de voz.

Lifelong learning

O perfil do profissional pós-pandemia é ser conectado e um eterno aprendiz. “As pessoas terão de se reinventar, tendo várias carreiras ao longo da vida”, explica Silvana.

Na visão da consultora, não há como olhar para o mercado de trabalho como na geração anterior. Um diploma de graduação, ou pós-graduação já não garantem a empregabilidade das pessoas. Com as mudanças tecnológicas e sociais aceleradas, o que se aprende hoje, em poucos meses, já pode ser obsoleto.

Mas para o alento dos profissionais, o conhecimento está atualmente muito democrático. “Você pode adquiri-lo de qualquer parte do mundo, seja ele pago ou gratuito”, ressalta a profissional de RH. Para ela, outros pontos de empregabilidade às pessoas serão a habilidade de saber outros idiomas e o conhecimento da linguagem de programação.

Lembrando que o RH pós-pandemia vai precisar dar velocidade ao processo para trazer profissionais com essas habilidades para retomada de resultados das empresas.

Atração de talentos

A tecnologia da videoentrevista, usada em larga escala pelas empresas durante a pandemia, toca num aspecto muito importante do R&S: a diversidade. Ela ajuda a aproximar as organizações dos talentos, ampliando o leque de busca de candidatos no mundo todo. Isso sem falar nos ganhos de produtividade com as funcionalidades da ferramenta.

Portanto, partindo do pressuposto de que o profissional do futuro trabalhará onde o emprego estiver. Ou seja, se a habilidade dele é requerida na Alemanha e ele estiver no Brasil, em teoria, não existiriam empecilhos para que isso aconteça. Portanto, a área de R&S precisa vender um processo seletivo que siga os seguintes ritos na guerra de talentos:

  • Processo 100% integrado com os valores da companhia;
  • Divulgação conectada à marca;
  • Seleção observando competência a partir da tecnologia de inteligência artificial;
  • Afaste os vieses de seu recrutamento.

Redefinir a integração trabalho-vida

Embora possa haver algumas desvantagens nesse novo estilo de vida de trabalho remoto, a grande vantagem é no que tange a qualidade de vida. Nesse modelo, os profissionais estão passando tempo com suas famílias, se envolvendo mais com a educação de seus filhos, e tendo mais tempo para estudar ou investir em hobbies.

Esta é uma mudança dinâmica na forma como o tradicional “equilíbrio entre vida profissional e pessoal” é visto. Seguindo em frente, os líderes de RH devem reconhecer o valor de ter as famílias no centro de nossa sociedade e fornecer oportunidades para suas equipes navegar em torno dessa prioridade.

Não há dúvida de que o mundo do trabalho será diferente para sempre. E embora a pandemia global tenha resultado em uma tragédia terrível, temos de ser capazes de olhar para frente e estar preparados para nos adaptar à nova paisagem.

Apesar do exposto no artigo, se você ainda tem dúvidas de como será o futuro do trabalho no mercado de Recursos Humanos, leia também uma reportagem que aborda os ambientes mistos: físicos e digitais.