Como a pandemia alterou o ambiente de trabalho em 2020 e de que forma a área de gestão de pessoas vai continuar incorporando essas e outras mudanças no ano que está porvir

Que gestor de pessoas imaginava, em dezembro de 2019, que um ano depois comandaria sua equipe remotamente? O ano de 2020 foi marcado pela Covid-19 que acelerou as mudanças já em curso no ambiente de trabalho. Mas quais serão as tendências de RH para 2021? As alterações ocorridas neste ano serão mantidas? De que forma o comportamento dos colaboradores foi alterado pela pandemia? Como as organizações reagirão a esse novo cenário, ainda repleto de incertezas.

Essas são algumas perguntas que esse post futurista pretende responder com evidência já observadas no mercado de trabalho de hoje. O artigo também ambiciona mostrar algumas das principais inclinações da área de gestão de pessoas para 2021. Prepare-se! O RH continuará a ser o principal agente de mudanças das empresas.

O que o ano de 2020 mudou no RH?

TUDO seria uma resposta rápida e, talvez, equivocada à pergunta. As mudanças aceleradas, do dia para noite, no ambiente de trabalho devido à pandemia nos levam a visão distorcida de que toda nossa vida pessoal e profissional foi alterada pela Covid-19. No entanto, continuamos vivendo e trabalhando normalmente sob novas perspectivas.

Se antes o trabalho era presencial, passou a ser remoto. Se no passado, o recrutamento era 100% presencial, ele passou a ser 100% digital. As metas de trabalho também foram alteradas para se adequar à nova realidade de família, escola e escritório em casa.

Nenhuma outra palavra foi mais verdadeira para descrever 2020 senão o mundo VUCA – uma sigla cunhada nos EUA que faz referência às palavras ‘volatilidade’, ‘incerteza’, ‘complexidade’ e ‘ambiguidade’. Mas, no mundo do RH, pós-coronavírus, esse acrônimo ganhou novo design:

  • Virtualidade – O papel da tecnologia e do mundo virtual no trabalho
  • Humildade – Enfrentar novos desafios significa admitir que não há respostas para todas as perguntas
  • Conexão – Diversidade, inclusão e colaboração em um mundo virtual
  • Autenticidade – Opinar e vencer em meio ao caos

Muita coisa mudou na rotina da área de gestão de pessoas, que conduziu essa transformação induzida pela pandemia. Todavia, a principal função do RH, cuidar de pessoas, não foi alterada.

O “normal” de 2021

Embora algumas tendências estejam em andamento há algum tempo e tenham sido simplesmente aceleradas pelos desenvolvimentos do ano, muitas são o resultado inevitável de mudanças drásticas pelas quais as organizações tiveram de passar e, em alguns casos, ainda estão enfrentando.

De acordo com especialistas de gestão de pessoas, as tendências de RH para 2021 estão ainda diretamente conectadas à pandemia e suas consequências. Não há como fugir dessa realidade, mesmo porque as previsões mais otimistas ressaltam que o início da imunização contra o vírus, no Brasil, será apenas em janeiro de 2021, começando pelo grupo de risco.

Há esperança de que a vida volte ao “normal” em 2021. Mesmo assim, o RH deve abraçar uma nova mentalidade empresarial, firmemente enraizada na aceitação e adaptação às mudanças constantes, para desenvolver novos modelos de negócios, estratégias de gestão de talentos e filosofias para quaisquer surpresas inesperadas que virão.

Tendências de RH para 2021

Ao olharmos para 2020, não podemos deixar de pegar tudo o que aprendemos neste ano e aplicar essas lições à nossa análise das maiores tendências de RH para 2021:

Home office, o novo normal

Uma das mudanças mais visíveis em 2020 foi a mudança, do dia para a noite, do trabalho no escritório para o home office de boa parte da força de trabalho mundial.

Embora trabalhar em casa já era uma tendência, não havia muitas organizações com uma política de trabalho bem delineada para o trabalho remoto. Mesmo aquelas que já adotavam o modelo também tiveram de se virar nos trinta para estender o benefício a maioria dos colaboradores no período integral. A prática de mercado no Brasil, até então, era testar o trabalho remoto em algumas áreas e em alguns dias da semana.

Empresas como Twitter, Square e Capital One anunciaram recentemente que trabalhar em casa veio para ficar, mesmo após o novo Coronavírus. Seguindo linhas semelhantes, a Microsoft revelou planos para adotar um “local de trabalho híbrido”, que oferece aos funcionários maior flexibilidade quando a pandemia diminuir.

Repensar as práticas de RH

Uma consequência lógica do aumento de trabalhadores remotos é a pressão para que o RH repense muitas de suas práticas. Já observamos essa correria em 2020 e ela tende a se intensificar no ano que está porvir.

A área de gestão de pessoas precisará reinventar as práticas atuais para lidar efetivamente com situações em um mundo digital. A confiança nos colaboradores será a guia para essas alterações, deixando o modelo comando-controle definitivamente no passado.

Reinventando a experiência do funcionário

O olho no olho deu lugar aos chats virtuais. Durante a pandemia, muitas pessoas foram contratadas e trabalharam, de casa, sem sequer conhecer seu gestor direto pessoalmente. Como essa experiência afetou seu engajamento com os valores da organização e com a sua equipe?

Essa é uma das principais perguntas que a área de gestão de pessoas deve responder em 2021. Diante dessa realidade, o RH terá de redesenhar a jornada do funcionário e medir a experiência virtual do colaborador. Elementos como equilíbrio entre vida profissional e pessoal, bem-estar, conexão e colaboração serão cruciais tanto para a satisfação do funcionário quanto para a otimização dos resultados.

Lifelong learning

Embora já houvesse uma forte necessidade de qualificação de grande parte da força de trabalho global antes da Covid-19, essa tendência se tornou ainda mais evidente nos meses seguintes à pandemia.

Ficou claro que muitos colaboradores ainda não estavam inseridos no mundo digital. De casa, muitos profissionais se viram em apuros para entrar em chats virtuais, acessarem remotamente os servidores da companhia e terem de lidar com os perrengues de TI. Mas, por outro lado, esses momentos de dificuldades, agilizaram a tendência do lifelong learning, ou aprendizado para a vida inteira.

Sem muitas opções, esses colaboradores tiveram de buscar o conhecimento por vias não usuais, como tutorias na internet ou cursos a distância. E a tendência é que o RH incentive e até premie essa prática em 2021, afinal a busca por profissionais com habilidades voltadas para o futuro é escassa.

RH no assento do piloto

Este ano foi marcado por grandes mudanças na forma como as empresas lidavam com seus colaboradores. Essa revolução na relação de trabalho conduziu o RH ao assento do piloto em tempos de turbulência. O RH foi o “posto Ipiranga” das soluções de como prosseguir trabalhando apesar da pandemia.

Durante a crise, a área de gestão de pessoas teve de lidar com funcionários preocupados com sua saúde e a de seus entes queridos, tensos com a segurança de seus empregos e preocupados em fazer malabarismos entre trabalho e vida pessoal.

Isso sem falar no uso de novas tecnologias digitais para conduzir processos como R&S, admissão, demissão e integração. Afinal, o avião precisava pousar, sem nenhuma grave intercorrência, ao final de 2020.

Flexibilização das políticas de local e horário

Se o trabalho está sendo conduzido remotamente, para muitos não faz mais sentido a rigidez de sistemas que cobram expediente de trabalho e local fixo de home office. Cada vez mais, recrutadores lidarão com candidatos que veem a flexibilização de trabalhar quando e onde quiserem como um benefício da organização.

Acredita-se que a liberdade dada aos funcionários para assumirem suas funções, sem tantas amarras com a organização, será essencial para a satisfação no trabalho e a produtividade em 2021.
E os dados mostram que a produtividade foi acelerada em tempos de trabalho remoto. Uma pesquisa da consultoria de recrutamento Talenses, em parceria com a Fundação Dom Cabral, mostra que 70% dos profissionais consideram sua produtividade muito alta no home office e 74% confessam que o número de atividades está maior durante a pandemia.

Organizações orientadas por propósitos

De acordo com pesquisa da consultoria PwC, 79% dos líderes empresariais acreditam que o propósito será a chave para o sucesso para o engajamento de colaboradores. A organização orientada para o propósito pode, portanto, ser o remédio para muitos dos desafios de motivação que os trabalhadores remotos enfrentarão cada vez mais.

Esse tipo de empresa traz seu propósito ao cerne de sua organização. Isso significa que decisões, conversas e comportamento em todos os níveis precisam ser integrados a esse propósito. Uma aposta que a VAGAS.COM  já conduziu há tempos e vem colhendo os frutos.

A pandemia alterou muito o cenário do RH, assim como da área de R&S. Confira artigo sobre de que forma a covid-19 mudou o comportamento dos candidatos.