Candidatos não tradicionais podem ter as habilidades que sua empresa precisa

Ao analisarem currículos de candidatos a uma vaga de emprego, muitos recrutadores observam a mesma estratégia usada por profissionais: a ênfase nas habilidades técnicas. Poucos são os profissionais que lembram da importância de mencionar suas soft skills, as habilidades comportamentais. Um erro que pode eliminar o profissional do processo precocemente.

Isso porque os recrutadores muitas vezes não têm tempo para conhecer as histórias de candidatos cujas experiências de trabalho e formação não se encaixam na descrição da vaga e acabam, sem querer, “barrando” esses profissionais logo no início do processo seletivo. Eles são considerados “não aderentes” ao anúncio porque não ressaltaram no currículo algumas habilidades socioemocionais importantes para o cargo.

Um estudo do Grupo Adecco prova que as competências socioemocionais são mandatórias no mercado de trabalho atual. O levantamento descobriu que dois terços dos entrevistados – gerentes e profissionais C-level – afirmam que, com o trabalho remoto, ficou ainda mais acentuada a necessidade de treinar habilidades básicas na liderança tais como gerenciamento de equipes remotas, pensamento crítico, comunicação e inteligência emocional.

Diante da importância do tema, ainda mais relevante num contexto pós-pandemia, vamos discorrer neste artigo sobre o que distingue as hard das soft skills, a importância das habilidades comportamentais no ambiente de trabalho e como observá-las durante o processo de R&S. Boa leitura!

O que são soft skills?

As soft skills — cuja tradução literal é “habilidades leves, suaves” —, devem ser compreendidas como a capacidade de o indivíduo se relacionar com o meio e com os outros. São aptidões interpessoais reconhecidas dentro das corporações, que demonstram estrutura psicológica apta ao trabalho em grupo, controle e segurança frente a desafios, entre outras qualidades bastante valorizadas pelos setores de RH das empresas.

Em outra análise, as soft skills também podem ser habilidades que destacam candidatos não tradicionais. Esses profissionais podem, por exemplo, estar em fase de transição de carreira, mudança de segmento ou posição; podem ainda não possuir a competência técnica para o cargo, mas têm uma experiência diferenciada e se destacam por competências que vão além do currículo, tais como comunicação não violenta e empatia.

Como se difere das hard skills?

Diferentemente das soft skills, as competências técnicas podem ser claramente definidas e medidas. Por isso, muitos candidatos tendem a ressaltá-las no currículo.

Hard skills, como a própria tradução do inglês sugere (habilidades “fortes, técnicas”), são competências que capacitam determinado profissional para o desempenho de suas funções. Fazem parte dessa categoria os cursos superiores, os cursos complementares (idiomas, programas e ferramentas específicos que capacitam para determinada profissão), um intercâmbio no exterior, apresentação de trabalhos em congressos, entre outros.

Em resumo, é o que o profissional estudou, realizou de fato ao longo de sua carreira e pode incluir no currículo ou na hora da entrevista de emprego. São competências factuais, mensuráveis, que podem ser adquiridas com tempo e dedicação.

H2 – Exemplos de soft skills

Entram nesse grupo a resiliência, a empatia, a facilidade de se comunicar e de interpretar a comunicação de terceiros, entre outras características relacionadas à Inteligência Emocional, conceito desenvolvido pelo psicólogo Daniel Goleman a partir dos anos de 1990.

H2 – Importância

Quando se está procurando emprego ou uma promoção, as habilidades pessoais podem ser tão importantes quanto as habilidades físicas necessárias para alcançar o sucesso no trabalho.

Um relatório divulgado pela consultoria Deloitte na Austrália, o Access Economics (https://www2.deloitte.com/au/en/pages/economics/articles/soft-skills-business-success.html), prevê que as habilidades sociais serão o santo graal das organizações nos próximos anos. De acordo com o estudo, haverá a exigência de soft skills em dois terços de todos os empregos até 2030; em 2020, apenas metade das ocupações faz essa exigência.

E dez das dezesseis “capacidades cruciais no século XXI” identificadas pelo Fórum Econômico Mundial, fazem referência direta às chamadas soft skills. Elas incluem competências como comunicação, trabalho em equipe, resolver problemas complexos, bem como inteligência emocional, ética profissional e cidadania global.

Não por acaso as habilidades socioemocionais estão em alta na bolsa de valores de talentos, há uma série de benefícios para a organização quando as soft skills são consideradas no processo de R&S. Confira algumas dessas vantagens!

H3 – Melhora a reputação da marca

A maneira como os empregados de uma marca interagem com clientes e parceiros de negócios pode influenciar a forma como as pessoas veem uma empresa em sua comunidade, impactando sua capacidade de fazer negócios. As habilidades pessoais dos colaboradores determinam, portanto, o sucesso das interações sociais da empresa.

H3 – Adaptação da liderança

Um dos motivos pelos quais os empregadores buscam as competências sociais é que pessoas com fortes soft skills podem analisar que tipo de estratégias de liderança as equipes precisam para ter sucesso e implementar estratégias diferentes para cada configuração.

H3 – Facilita o crescimento

Os empregadores querem contratar pessoas que não apenas respondam às críticas dos outros, mas que busquem constantemente maneiras de melhorar sem serem solicitadas. Essa autoavaliação facilita o crescimento pessoal do executivo e da organização, que, provavelmente, não ficará estática às constantes mudanças do mercado.

H2 – Soft skills mais buscadas pelas empresas

Dentre as competências com maior carência no mercado de trabalho estão:
Flexibilidade
Adaptabilidade
Pensamento crítico
Comunicação
Inteligência emocional
Criatividade
inovação

H3 – Flexibilidade e adaptabilidade

Ser flexível e adaptável são competências que ganharam ainda mais destaque no contexto da Covid-19.

A flexibilidade e adaptabilidade se trata de ter uma mentalidade aberta – poder trabalhar bem sob pressão, ajustar-se a novos e inesperados prazos, priorizar tarefas e, em alguns casos, assumir responsabilidades adicionais. Exatamente o que foi observado durante a pandemia.

H3 – Pensamento crítico

Em uma era em que navegar por notícias falsas e dados contrastantes é uma luta diária, é fundamental que os líderes sejam capazes de pensar com clareza e racionalidade enquanto avaliam objetivamente as informações para tomar decisões assertivas.

Dados publicados pela Society for Human Resource Management (SHRM) descobriram que 37% dos empregadores consideraram a solução de problemas e o pensamento crítico entre os principais candidatos a habilidades sociais que faltavam.

H3 – Comunicação e inteligência emocional

A comunicação e a inteligência social andam de mãos dadas. Ter boa inteligência emocional é estar ciente e demonstrar empatia pelas emoções e comportamentos dos outros, o que é crucial para a liderança, especialmente quando as pessoas estão se sentindo desconfortáveis.

E é aqui também que boas habilidades de comunicação são críticas; a clareza nos e-mails e nas reuniões, sejam presenciais ou virtuais, é essencial para consolidar a confiança e manter altos níveis de produtividade.

H3 – Criatividade e inovação

Embora tenhamos visto máquinas assumirem funções em análises e operações de negócios, os seres humanos ainda são únicos por serem capazes de pensar fora da caixa. A criatividade não está apenas associada a profissões tipicamente criativas – é essencial em todos os setores.

H2 – Como identificar soft skills no currículo

Vamos pensar no exemplo de um profissional que trabalhou mais de duas décadas em uma indústria automobilística e com os avanços da tecnologia teve seu trabalho substituído pela automatização. O natural é que esse profissional reflita sobre suas aspirações profissionais e escolha uma nova área de atuação, afinal, ele é experiente, ativo e possui facilidade de aprendizado.

Digamos que a segunda opção de carreira dessa pessoa fosse retomar o interesse por alguma escolha de profissão que almejava quando era mais jovem ou até mesmo por influência e orientação da família.

Então, esse profissional decide iniciar novos estudos e, com isso, busca por uma oportunidade de emprego na mais recente e promissora área de educação. No entanto, os desafios são enormes, pois quando o recrutador recebe seu CV, de imediato pode considerá-lo inexperiente para o cargo, sem sequer considerar ou conhecer sua história, seus resultados e suas habilidades, que podem ser muito bem utilizadas na posição em aberto.

Uma das coisas mais difíceis para os candidatos é identificar habilidades que podem ser transferidas independentemente da ocupação – ou seja, soft skills – e descobrir como vender essa combinação aos recrutadores.

Por exemplo, trabalhar durante anos em uma linha de montagem e mudar para uma área como a de Saúde, necessita de preparo para o novo trabalho, organização e senso de emergência. O humor, outro atributo que pode servir bem durante a monotonia do trabalho de linha, também pode ajudar esse profissional e os colegas a lidarem com as situações difíceis e imprevisíveis que vêm pela porta de um hospital.

Vamos a mais uma hipótese. Imagine um profissional formado em Letras ou Pedagogia, que durante sua jornada organizou diversas festas e eventos infantis memoráveis na escola onde trabalhava. De repente, essa pessoa decide aproveitar todo conhecimento adquirido por meio dessas funções, buscar uma especialização, se tornar muito boa em uma nova área e buscar uma oportunidade em uma empresa que atue fortemente neste segmento.

Agora imagine se, por outro lado, esse mesmo profissional fosse convidado para uma entrevista e durante a conversa o recrutador percebesse que além de suas habilidades fora da Educação e do entretenimento infantil, o candidato tivesse uma boa experiência e um olhar apurado para o sucesso do cliente, e que isso estivesse totalmente alinhado com seu a necessidade da empresa. E o mais importante, e se a pessoa fosse contratada porque houve uma forte identificação e fit cultural?

<h2> Como avaliar soft skills na entrevista de emprego?

Não existe fórmula mágica que indique as habilidades sociais relevantes de um executivo para o cargo exigido, mas há algumas técnicas e perguntas empregadas durante a entrevista com o candidato, que podem ajudar o recrutador nessa missão. São elas:

H3- Conte-nos sobre algo que lhe pediram para fazer e que nunca fez antes. Como você reagiu, o que você aprendeu?

Esta pergunta tem como objetivo testar a adaptabilidade do candidato. Um candidato que demonstre possuir o traço de adaptabilidade pode ajudar a empresa a crescer. Esse candidato ficará calmo sob pressão e está sempre disposto a experimentar novas ferramentas e técnicas ao executar suas funções. É provável que essa pessoa também encontre soluções quando surgem problemas.

H3- Você pode nos dar um exemplo de quando teve de trabalhar com alguém que era difícil? Como você lidou com a situação?

A questão tem como objetivo testar o aspecto da colaboração. É importante que você avalie a capacidade do candidato quando se trata de trabalhar com outras pessoas. O ambiente de trabalho moderno coloca muita ênfase nas equipes para realizar o trabalho. Os candidatos que você está entrevistando precisam demonstrar que podem trabalhar com outras pessoas na empresa.

H3- Você já passou por uma situação em que tudo não saiu de acordo com o planejado? Como você reagiu e qual foi o resultado?

Essa pergunta ajuda a avaliar as habilidades pessoais, como as qualidades de liderança do candidato. Liderança não significa apenas gerenciar os outros, mas também ser um forte exemplo para outras pessoas na organização.

H3- Quais são as três coisas mais importantes para você em um trabalho?

Esse questionamento poderá lhe ajudar a identificar o fit cultural do candidato com a empresa. Idealmente, você deseja um candidato que se encaixe facilmente na cultura da sua companhia. Contratar funcionários que possam refletir os principais valores e missão da empresa aumentará as chances de sucesso do profissional na organização.

H3- Como você lidou com um problema urgente quando seu supervisor ou gerente estava ausente?

Essa questão é sobre medir o potencial de crescimento do candidato. É questionado a fim de avaliar se ele é capaz de dar um passo à frente quando chamado para tomar algumas decisões importantes. Um bom funcionário saberá o que fazer ao se deparar com tal desafio.

H3- Conte-nos quando você teve que fazer malabarismos com vários projetos ao mesmo tempo. Como você lidou com a situação?

Esta é uma pergunta que você faz quando está examinando a capacidade de priorização do candidato. Ele também pode ser usado para determinar suas habilidades de gerenciamento de tempo quando confrontados com um conjunto diferente de tarefas. A pessoa que você está contratando deve ser capaz de organizar a carga de trabalho de uma forma eficiente e dentro do prazo

H2 – Como desenvolver soft skills em colaboradores?

Em um mundo ideal, todos funcionários que você contrata já demonstram fortes habilidades sociais e interpessoais. No entanto, no mundo real, nem sempre é esse o caso. É necessário ajudar a melhorar as habilidades sociais dos funcionários, especialmente se os funcionários interagirem com o público regularmente.

Por isso, separamos aqui algumas estratégias de como desenvolver soft skills em seus colaboradores. Confira!

H3- Trace um conjunto de habilidades

Primeiramente, defina os conjuntos de habilidades sociais que seus funcionários precisam. Determine, então, quais habilidades sociais faltam aos seus funcionários e quais habilidades são partes importantes de seu trabalho diário. Isso o ajudará a desenvolver um programa de treinamento para eles.

H3- Treine seus colaboradores

Institua aulas de treinamento para funcionários. Essa será uma despesa extra para sua empresa, mas será devolvida à medida que seus funcionários demonstrarem melhores habilidades sociais e forem capazes de interagir de forma mais adequada no ambiente de trabalho e fora dele, com os clientes e parceiros da organização, por exemplo.

H3- Observe a evolução dos colaboradores

Monitore os funcionários e faça críticas construtivas durante o processo de treinamento de novas soft skills. Lembre-se as habilidades sociais não são aprendidas da noite para o dia, e os funcionários podem precisar de algum tempo para desenvolver esses novos conjuntos de habilidades.

H3- Recompense o progresso do funcionário

Considere instituir um programa de funcionário do mês ou outro sistema de recompensa para reconhecer os funcionários que demonstram as melhores habilidades sociais. Isso ajudará a melhorar a motivação dos funcionários para aplicar o que aprenderam em suas tarefas diárias, assim como a trabalhar por conta própria para melhorar suas habilidades sociais.

H2 – Como contratar uma pessoa por suas soft skills

Veja o que mais fazer para contratar um profissional com soft skills e não deixar de retê-lo:

H3- Dê a chance de contar suas histórias

Solicite cartas de apresentação ou use ferramentas de videoentrevista que permitam ao candidato explicar melhor porque está mudando de carreira e escolheu a sua empresa. Nenhum de vocês perderá tempo com deslocamento e ainda terão a oportunidade de se conhecer melhor.

H3- Crie pequenos questionários

Preste atenção se durante essa troca de perguntas e respostas existe conexão com a missão da empresa. Pode ser neste momento que você avalie e decida convidar esse candidato que não tem o currículo desejado, mas soft skills e muita vontade de pertencer ao seu ecossistema.

H3- Mude a maneira como pensa em diversidade

Diversidade não se refere apenas a raça ou gênero, mas também há diversidade socioeconômica, etária, de pessoas com deficiência etc. Amplie seu conceito do que de fato isso significa, promovendo mais diversidade no RH de sua empresa e atraia profissionais que complementem seu quadro de colaboradores.

H3- Altere o processo de contratação

Designe uma porcentagem dos currículos que você procura para os que mudaram de carreira ou outros candidatos não tradicionais. Se essa prática não for incorporada nos processos, as pessoas tendem a seguir seu viés e continuar contratando como antes, sem pensar nas soft skills.

 

Agora que você já sabe a importância das soft skills para o RH, aprenda a lidar com os nômades de emprego.

1 Comment

Sandra Farias
10/08/2019

Parabens pela reportagem. Muitas das acoes informadas no artigo, ja aplicamos em nossa Empresa.

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