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Confira as barreiras e o preconceito para quem  é mãe ou pretende se tornar uma.

Algumas empresas já possuem um olhar mais evoluído sobre questões relacionadas à diversidade e  escolhas de seres humanos, bem como dão suporte para as pessoas se adaptarem aos seus momentos de vida. Infelizmente, ainda há um longo caminho pela frente para que constrangimentos e atos desrespeitosos sejam evitados para a sociedade em geral. Mas hoje, especificamente, quero falar sobre mães no mercado de trabalho.

 

Um certo dia, uma funcionária foi informar ao seu chefe que estava grávida novamente, e assim que encerrou a sua fala, escutou a seguinte frase: “você está louca? Acabou de voltar da licença maternidade e já está grávida de novo? Desse jeito só vou começar a contratar homens, já que as mulheres só me dão prejuízo”.

 

Pode parecer absurdo, mas trata-se de uma situação real e que já aconteceu com muitas pessoas. Se o impacto disso é triste, revoltante e assustador para quem lê, imagina para as pessoas que passam por esse tipo de situação.

 

Mães no Mercado de Trabalho

A VAGAS realizou uma pesquisa com as colaboradoras 863 mulheres, usuárias do site VAGAS.com.br e também com suas colaboradoras, para entender o cenário da “Maternidade e Mercado de Trabalho”. E algumas conclusões foram tiradas com base nas respostas recebidas, confira:

 

  • 52% das mães que ficaram grávidas ou saíram em licença maternidade em seu último trabalho passaram por alguma situação desagradável na empresa
  • Substituição, redução da carga horária e salário, exclusão de projetos e até aborto por conta do trabalho foram os impactos sofridos por algumas das respondentes
  • Em 80% dos casos, o chefe foi o responsável pelas situações
  • Entre as entrevistadas 45,9% também relataram que sofreram preconceito por parte dos colegas de trabalho
  • 37,5% afirmaram que já sofreram preconceito ou julgamento pelo fato de terem filhos

 

Mas e as leis, não protegem essas mulheres?

Algumas medidas são tomadas para a proteção de gestantes, tudo a fim de garantir a saúde da criança e que as mulheres consigam continuar realizando suas funções no trabalho. A ideia da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), é assegurar que situações discriminatórias não aconteçam. E pensando exatamente nisso, garantem a estabilidade durante a gravidez e alguns meses depois, não permitindo que funcionárias grávidas sejam demitidas – a não ser por justa causa – fornecem a licença maternidade, direito a não comparecer no emprego sempre que houver uma consulta pré-natal, permissão de sair para amamentar as crianças duas vezes, sempre que possível.

E na hora de contratar, não podem exigir atestado de gravidez ou qualquer outros que tenham objetivos discriminatórios para contratar ou manter mulheres em seus empregos.

Mas mesmo assim, ainda há um grande receio para cada uma dessas mulheres com o que pode acontecer após o respaldo dessas leis. Sem contar no assédio, na falta de informação e até mesmo do respeito de pessoas do próprio trabalho. Tudo isso pode resultar em processos legais, mas há reparos que não podem ser feitos para quem sofre algum preconceito com essa situação.

O problema é que mesmo com leis, ainda existem empresas que não pensam duas vezes antes de discriminar mulheres grávidas ou que já possuem filhos.

 

Cuidados que os profissionais de Recrutamento e Seleção devem ter

Como profissional de Recrutamento e Seleção, você tem que avaliar e ter muita cautela para não fazer perguntas discriminatórias nos processos seletivos.

 

Na pesquisa feita pela VAGAS, 70% das respondentes afirmam terem sido questionadas na entrevista se eram mães ou tinham planos de ser. E o problema de realizar esse tipo de pergunta é que ela, na maioria das vezes, vem acompanhada por outras, como: “mas quem vai cuidar deles enquanto você trabalha? “ “E quando o bebê ficar doente, você vai fazer o que, faltar do trabalho?”, e assim vai se fortalecendo o receio das pessoas e o medo de ficarem afastadas do mercado de trabalho. Essas podem ser algumas das razões para que 70% das pessoas não querer ter filhos, segundo a pesquisa. Das participantes, 43% afirmam que é exatamente pelo medo de serem eliminadas de processos e empresas não cogitam aumentar a família.

 

Um cenário bem triste, não é? Fica então a reflexão: como sua empresa está lidando com mães e mulheres que pretendem ter filhos? Se a resposta for com zelo, respeito, confiança e nunca fechando a porta ou colocando limites nas oportunidades dadas, sem olhar para a maternidade como uma barreira, aí sim, você pode desejar um Feliz Dia das Mães para cada uma delas.