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Discussões sobre futuro do trabalho esbarram na necessidade de preparar profissionais para novas demandas

Tranformação digital e pessoas: falar sobre globalização, inteligência artificial, novos investimentos, inovação ciência e tecnologia sem citar contratação de talentos e desenvolvimento de novas competências parece impossível. Durante o Industry Transformation Cycle 2019, realizado em São Paulo pela Deloitte, esses assuntos vieram à tona nas mais diversas discussões, nas falas de executivos responsáveis por indústrias dos mais diversos segmentos. Claramente, a formação de pessoas é vista como a principal alavanca para a indústria 4.0. E, ainda que não se tenha falado sobre isso abertamente, o papel do RH é de extrema importância para dar força e eficiência a essa alavanca.

Em uma indústria tradicional como a Braskem, por exemplo, produtora de petroquímicos, a preocupação com as rupturas trazidas pela transformação digital é intensa. A companhia se pergunta de que forma seu negócio será afetado e, ainda que essa resposta não esteja totalmente formulada, o nível executivo já tomou consciência de que o impacto será grande. “Podemos discutir quando e em que intensidade isso vai ocorrer, mas sabemos que será de forma relevante”, afirma Roberto Bischoff, vice-presidente da Braskem.

Para ele, o carro elétrico, que aparentemente tem pouca relação com a indústria petroquímica, deve mudar o perfil da indústria de petróleo, reconfigurar a refinaria do futuro, transformar os investimentos. “Vai ser uma revolução”, afirma. E você sabe como a empresa começou a se preparar para essa mudança toda? “Desde que tomamos essa consciência, decidimos investir fortemente em criação de competência digital dentro da companhia”, declara o VP. “Precisamos criar competências que não existiam dentro da companhia para uma coisa que é totalmente nova. ”

Políticas públicas são indispensáveis para evolução digital

Cristiano dos Anjos, vice-presidente de indústria da Schneider Electric Brasil, tem pensamento semelhante. Para ele, o grande alavancador da transformação são as pessoas – e também as políticas públicas, que acabam ajudando. “Antigamente, indústrias buscavam locais em que havia água para se instalar”, afirma. Depois, buscaram água e eletricidade. “Agora, as indústrias precisam de água, eletricidade e conectividade. ”

Daniel Feffer, presidente do Conselho da Câmara Internacional de Comércio (ICC) Brasil e vice-presidente do Conselho de Administração da Suzano Papel e Celulose, vai ainda mais longe. Falando sobre políticas públicas, ele cita o exemplo da França, que criou uma agência pública para cuidar de reskilling. “Reskilling não é recapacitação, é criação de novas habilidades”, afirma.

Ele acredita que a política pública seja o fator de maior impacto na transformação da sociedade. “Um governo moderno pode trazer política pública que ajude a reabilitar a sociedade para funções novas”, diz ele. “E acho que a sociedade civil também tem que cooperar trazendo competências público-privadas para o governo. ”

Sistemas inteligentes são grandes aliados da transformação

Outro ponto levantado nos painéis, desta vez por Adriana Aroulho, COO da SAP Brasil, é que tecnologia e sistemas inteligentes podem colaborar com a transformação da indústria em vários pontos da cadeia. Para ela, nós vivemos o momento da inteligência. “A transformação digital não é mais opcional”, afirma. “A questão é como fazer isso de forma inteligente” diz ela.

A executiva acredita que, em três anos, 50% de todas as atividades que são repetitivas possam ser completamente automatizadas nas empresas. “Não estou falando de automatizar simplesmente, mas de fazer uma automatização inteligente que utiliza machine learning e inteligência artificial para garantir que está automatizando da forma mais inovadora”, afirma.

Essa automatização, claro, inclui boa parte das atividades ligadas a gestão de talentos. “As pessoas são componente fundamental da transformação digital”, afirma. “Então, precisamos descobrir como gerir nossos talentos da forma mais eficiente possível”. Um exemplo? Ela afirma que hoje 30% das pessoas que deixam a empresa durante o primeiro ano de trabalho vão embora porque o processo de onboarding não foi bem feito. “Um sistema inteligente de gestão de talentos permite reduzir o tempo de onboarding de um novo funcionário de 45 dias para 10 dias”, diz ela. E é apenas uma amostra do que está por vir.

Não custa reforçar: se o caminho para indústria 4.0 passa pelas pessoas, invariavelmente passa pelo RH. Bem-vindo ao seu mais novo desafio.