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Tim Leberecht, autor, palestrante e consultor teuto-americano, explica por que o momento exige a volta do romantismo

Muita coisa é dita todos os dias sobre o líder do futuro e as competências que ele deve desenvolver para manter sua empregabilidade e entregar os resultados que os empregadores esperam. Não é comum, no entanto, encontrar alguém que diga que uma das principais competências que o líder do futuro precisa ter é romantismo. Também não é previsível que alguém afirme que quem quiser que clientes e funcionários se apaixonem pela sua empresa ou sua marca repetidamente precisa oferecer uma sensação de drama, intriga e romance. Ou seja, ir além de apenas entregar soluções para problemas.

Pois é esse o discurso de Tim Leberecht, palestrante, consultor e autor do livro The Business Romantic: Fall Back in Love with Your Work and Your Life, que se auto intitula um “business romantic” e se apresentou na quarta edição do Adobe House Experience, realizado em setembro em São Paulo.

Para ele, a era do Big Data e da transformação digital pede organizações mais românticas. E também líderes mais românticos nas organizações. “Eu acredito que o mundo pode ser um lugar melhor se tivermos mais romantismo em nossas vidas”, diz o teuto-americano. Rapidamente, porém, ele deixa claro que não está falando de jantar à luz de velas ou tampouco está encorajando colegas a se apaixonarem uns pelos outros. “Estou falando de momentos e de experiências em que nosso batimento cardíaco acelera, sai do controle, quando nos apaixonamos por um projeto, uma ideia, uma empresa, uma marca.”

Para Leberecht, ser romântico não é fácil porque o tempo todo ouvimos que não devemos romancear dados ou resultados. No entanto, ele considera que essa seja uma competência primordial para profissionais que querem continuar ativos no mercado de trabalho e empresas que querem envolver consumidores e empregados.

Líder do futuro precisa focar mais na beleza e menos na eficiência

Para explicar seu pensamento, ele lembra que a transformação digital e a inteligência artificial estão mudando tudo e ainda vão mudar muito mais, inclusive em relação ao trabalho e à própria sociedade.

Estudos apontam, por exemplo, que 50% da força de trabalho humana deve ser substituída por máquinas inteligentes. Outros, mais otimistas, pontam fatias menores, de 30% ou 40%. O grande ponto, no entanto, é que muitos empregos processuais, lineares, vão mesmo desaparecer. “As máquinas vão tirar nossos empregos e executá-los com mais eficiência do que nós executamos”, diz ele. “Elas vão mesmo.” A saída? “O único trabalho que restará aos humanos será aquele que deve ser feito com beleza, mais do que com eficiência”, declara.

O palestrante afirma, porém, que sua grande preocupação não é se as máquinas vão ou não substituir os humanos no trabalho. “Eu me preocupo mesmo em saber se nós, humanos, não vamos nos tornar nós mesmos umas máquinas inteligentes”, diz ele.

Para ilustrar, ele cita chips subcutâneos que podem monitorar movimentos, inclusive expressões faciais que relevam nossas emoções para, em seguida, manipulá-las e até otimizá-las. Imagina como seria monitorar a expressão facial dos seus empregados enquanto eles trabalham e atrelar a ela a performance que eles alcançam? Como ele alerta, esta é a era da datafication de tudo, de todos os aspectos da nossa vida.

E a grande dúvida, segundo ele, não deveria ser as máquinas serão capazes de pensar, mas se nós, humanos, ainda seremos capazes de sentir. “O romantismo é o que nos torna humanos”, diz ele. “É o que nos diferencia.”

Regras românticas para o líder do futuro

Depois de convencer o público sobre a importância de trabalhar com romantismo e beleza, o palestrante citou algumas regras para profissionais e empresas que querem se tornar mais românticos nos negócios. A primeira dela é fazer o desnecessário. Para ilustrá-la, Leberecht lembrou uma experiência que viveu quando fazia parte de uma empresa que estava passando por uma fusão. Como parte da estratégia de mudança de marca, a empresa compraria 10.000 balões laranja para todos os funcionários.

Em seguida, foi tomada uma decisão de cortar os balões do orçamento porque, afinal, eles eram desnecessários. A fusão acabou fracassando. Claro que não fracassou apenas porque eles se livraram dos balões laranja. No entanto, ao cortarem o balão laranja, o especialista acredita que eles tenham se livrado do que ele define como “mentalidade do balão laranja”. Quando você corta o desnecessário, corta tudo, ele diz. Para o romântico do business, liderar com beleza significa ir além do que é apenas necessário. Ou seja, tome cuidado para não matar seus balões laranja.

Outra regra é criar intimidade. Leberecht lembra que checamos nosso smartphone 80 vezes por dia. Ou seja, estamos mais conectados do que nunca. “The opposite of loneliness is not togetherness. It’s intimacy”, diz ele, citando Richard Bach.

Leberecht lembra ainda que todos queremos ser tratados como indivíduos únicos, não como recomendações algorítmicas. “Não queremos experiências personalizadas, queremos experiências pessoais.”

Além disso, estudos mostram que a maneira como as pessoas se sentem em relação aos seus locais de trabalho depende da maneira como se sentem em relação aos colegas de trabalho. Por isso, na sua opinião, quebrar a hierarquia, que limita as interações, pode fortalecer a intimidade organizacional.

De acordo com Leberecht, uma nova era romântica pode favorecer o mistério em vez da transparência radical e as conexões profundas em vez da conectividade. E, do ponto de vista de negócios, Leberecht também faz uma provocação sobre o retorno do investimento: “Se você não tem românticos em sua organização, não será verdadeiramente inovador”.