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Para criar um relacionamento duradouro com os profissionais e criar significado para o trabalho é preciso focar as necessidades das pessoas (e não apenas dos profissionais)

O termo experiência do funcionário mal começou a ganhar popularidade e a pesquisa Tendências Globais de Capital Humano 2019, da Deloitte, já aponta que possivelmente esteja ficando antigo.

Segundo o levantamento, as organizações estão de fato investindo em programas para melhorar a vida no trabalho, com foco em melhorar a experiência do dia-a-dia dos trabalhadores. No entanto, ainda que muita coisa possa ser feita para melhorar o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, os resultados mostram que o fator mais importante para as pessoas é o próprio trabalho. Elas querem que ele tenha um sentido, querem sentir pertencimento, ter confiança e se relacionar naquele ambiente.

Experiência do empregado é questão urgente para empresas

De acordo com o estudo, 84% dos entrevistados classificam a experiência do empregado como uma questão importante e 28% a identificam como um dos três problemas mais urgentes enfrentados pela empresa em 2019. O motivo pode ser entendido observando um outro estudo, este do MIT, que aponta que empresas que estão no quartil superior de satisfação com a experiência do empregado alcançam o dobro da inovação, o dobro da satisfação do cliente e lucros 25% maiores do que organizações com a experiência do funcionário no quartil inferior.

No entanto, a Deloitte observa que, por mais importante que o assunto seja, apenas 9% de seus entrevistados acreditam que estejam prontos para abordar essa questão. Além disso, apenas 49% dos entrevistados acreditam que seus funcionários estão satisfeitos ou muito satisfeitos com seu design de trabalho. Apenas 42% acham que eles estão satisfeitos ou muito satisfeitos com as práticas de trabalho do dia-a-dia, 38% dizem que estão satisfeitos ou muito satisfeitos com ferramentas e tecnologia relacionadas ao trabalho e também 38% acham que eles têm autonomia suficiente para tomar boas decisões.

E quando olhamos para o ambiente geral de trabalho – e não mais o trabalho individual – os resultados ainda se misturam. Apenas 53% sentem que suas organizações são eficazes ou muito eficazes na criação de um trabalho com significado, 59% por cento acham que suas organizações são eficazes ou muito eficazes na criação de um ambiente de trabalho positivo, mas apenas 43% acreditam que elas sejam eficientes ou muito eficientes em oferecer as oportunidades certas para o crescimento. Quando perguntados sobre a confiança de seus trabalhadores na liderança, apenas 46% classificaram suas organizações como eficazes ou muito eficazes.

Experiência do empregado, do cliente ou do indivíduo?

Para entender os desafios da experiência do empregado, a Deloitte lembra que esse termo surgiu como um paralelo à experiência do cliente, quando um líder de RH de uma empresa de serviços de viagens estava usando o design thinking para estudar a experiência de hóspedes e anfitriões e percebeu que essa abordagem também poderia ser aplicada a todas as atividades que aconteciam internamente. No entanto, depois de anos estudando e aprendendo com a experiência dos empregados, algumas diferenças ficaram evidentes.

Primeiramente, os empregados têm um relacionamento pessoal duradouro com seus empregadores, ao contrário dos clientes que podem parar de comprar produtos de uma empresa a qualquer momento.

Em segundo lugar, a experiência do funcionário é social. Ela é construída em torno da cultura e do relacionamento com outras pessoas da empresa, o que leva amplia o foco para além das necessidades individuais de um funcionário.

Além disso, o que ainda é mais relevante para o problema em questão, os funcionários querem mais do que um simples conjunto de transações. Eles querem uma carreira, um propósito e um significado para o seu trabalho.

Então, para a Deloitte, criar a experiência humana no trabalho garante um enfoque de ponta a ponta semelhante ao modo como as organizações pensam sobre a experiência do cliente. No entanto, para criar um relacionamento duradouro com os profissionais e criar significado para o trabalho, a experiência deve ser focada no indivíduo como pessoa – e não necessariamente no indivíduo apenas como empregado de uma empresa. “Quando a experiência é focada no indivíduo, ela é projetada para incorporar todas as necessidades psicológicas que precisam ser satisfeitas para que alguém execute bem o seu trabalho”, afirma o estudo.

Para isso, ela alerta que as responsabilidades tradicionais de RH, como contratação, integração, criação de empregos, recompensas e desenvolvimento, não são suficientes para abordar os problemas do trabalho em si. É necessário um enfoque multifuncional ou, em outras palavras, é preciso que o RH trabalhe em parceria com negócios, TI, facilities, finanças e até mesmo marketing para causar impacto nessa área. “Uma verdadeira experiência humana é aquela que incorpora significado ao trabalho e permite que todos os funcionários contribuam da maneira mais positiva, solidária e pessoal”, afirma a Deloitte.