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Invista em capital humano com diversidade etária. Mescla de gerações traz conhecimento digital e inteligência emocional para o crescimento do negócio

A reportagem de capa da Época Negócios de julho traz um questionamento interessante direcionado ao mercado corporativo: será que o capital humano já pode ser considerado velho aos 35 anos? De acordo com a publicação, há uma moda nas organizações de que para enfrentar a transformação digital, que está revolucionando muitos mercados, é preciso contratar nativos digitais. E essa tendência vem sendo puxada pela área de tecnologia.

A percepção clichê mais difundida é a de que os funcionários precisam ser jovens para ter boa noção de tecnologia. Essa ideia foi refletida em um relatório de 2017, o Indeed Report, que constatou que 43% dos trabalhadores de tecnologia temem perder o emprego devido à sua idade. Embora essa indústria talvez o seja exemplo mais proeminente, a discriminação etária é um problema em outros setores também.

População mais velha

Acontece que empresas de alta tecnologia, sequenciadores genômicos e companhias de biotecnologia estão prestes a conseguir prolongar a nossa vida para mais de um século. Mas, se as pessoas já estão sendo consideradas obsoletas pelo mercado de trabalho aos 30 e poucos anos, e a previdência parece ser um sonho longínquo, como equacionar essa conta?

É cool contratar profissionais da geração Z, e eles são muito bons em vários aspectos. Contudo, se você pode ter um time com experiências distintas, por que se limitar a apenas um estilo de pensamento? Precisamos de colaboradores fluentes em “tecnologia” e que conheçam seus dispositivos, mas também necessitamos de profissionais que saibam como conversar com possíveis parceiros de negócios em reuniões e de negociadores experientes que falem “humano”.

Diversidade nas empresas

Já é sabido que a inovação nasce da diversidade. Grandes empresas da área de tecnologia, como SAP e Accenture, levantam essa bandeira. E na visão do sócio da StartSe e fundador da XP Investimentos, Mauricio Benvenutti, essa é a grande sacada das empresas do Vale do Silício. “Ao convivermos, almoçarmos e falarmos todos os dias com as mesmas pessoas chegaremos, possivelmente, às mesmas soluções”, destaca. Na visão do empreendedor, é muito difícil algo incomum sair desse diálogo, porque a criatividade só surge quando confrontamos ideias com quem pensa diferente, quando somos expostos ao inusitado.

Para ele, o profissional de RH deve ficar atento à forma como a diversidade e a promoção de pensamentos diferentes são gerenciadas dentro da organização. “Hoje, 20% das 500 maiores empresas do mundo já possuem um chief diversity officer, que é uma espécie de diretor de diversidade. Esse cargo foi criado nas organizações para garantir que as empresas tenham pluralidade de pensamento no seu quadro funcional”, informa.

Mas a variedade etária ainda é o maior tabu no Vale do Silício. Em 2015, soou um alerta em muitas organizações tech. Um relatório apontava a média de idade dos trabalhadores das principais empresas da região: no Google, era de 30 anos; no Facebook, 28; no LinkedIn, 29; e na Apple, 31.

O sucesso da mescla de gerações

Eis que surgem figuras como Ben Whittaker, personagem de Robert De Niro, no filme Um Senhor Estagiário. São profissionais mais maduros que, independentemente do cargo que ocupam nas empresas, acabam auxiliando os jovens empreendedores ou funcionários de empresas tech com questões de inteligência emocional. São pessoas com bagagem profissional que têm maturidade para lidar com situações mais complexas, envolvendo o diálogo em negociações e o gerenciamento de crises, por exemplo.

Não é por acaso que gigantes do Vale do Silício investiram nesse confronto de ideais geracionais. Os criadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, por exemplo, aos 28 anos, chamaram para o cargo de CEO Eric Schmidt, de 46 anos. Os fundadores do Airbnb também procuraram um executivo mais maduro para ajudá-los a impulsionar os negócios em 2013. Chip Conley, aos 52 anos, recebeu uma oferta do trio para ser o head global da área de estratégia e hospitalidade.

“Soou bacana, mas eu era um cara do segmento de hotéis da ‘velha escola’ e nunca tinha usado o Airbnb. Sequer tinha o aplicativo do Uber no meu celular. Tinha 52 anos, nunca havia trabalhado em uma companhia de tecnologia, não codificava, tinha o dobro da idade do funcionário médio do Airbnb e, depois de administrar minha própria empresa por mais de duas décadas, iria me reportar a um cara esperto de 21 anos. Estava um pouco intimidado, mas aceitei o trabalho”, relata o executivo em um artigo que redigiu para a Harvard Business Review .

As vantagens da diversidade etária

A fim de construir uma força de trabalho que possa lidar com todo o espectro de requisitos de negócios, você precisará de pessoas em várias idades e fases de carreira. As gerações mais jovens podem ser fluentes em tecnologia e mundo digital, mas os mais velhos têm vantagem inicial em outras áreas. Atributos como liderança, pensamento estratégico, conhecimento industrial, inteligência emocional e habilidades sociais podem levar décadas para serem desenvolvidos – e essas competências serão muito procuradas no futuro do trabalho.

Lembre-se: As empresas que não conseguem entender os benefícios da diversidade etária podem criar uma força de trabalho desprovida de experiência e liderança. Acompanhe, em breve, aqui no blog do VAGAS for business mais debates sobre o tema. Enquanto isso, pense: “Qual é a média de idade na sua empresa?”.