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Entenda o que é Comunicação Não-violenta e como ela pode reduzir conflitos e criar resultados benéficos para todos

A comunicação no RH é uma ferramenta de humanização, então vamos falar sobre Comunicação Não-violenta (NVC), termo que vem ganhando destaque nos últimos tempos, será tema da apresentação de Débora Gaudêncio, facilitadora e pesquisadora em Comunicação Não Violenta CNV pelo Center for Nonviolent Communication – CNVC, na próxima edição do Conarh, que ocorre em São Paulo entre 13 e 15 de agosto.

Para quem ainda não se familiarizou muito com o assunto, a CNV, desenvolvida por Dr. Marshall B. Rosenberg, PhD, baseia-se nos princípios da não-violência. Ela começa assumindo que somos todos compassivos por natureza e que as estratégias violentas – sejam verbais ou físicas – são comportamentos aprendidos e apoiados pela cultura predominante.

O que a Comunicação Não-Violenta pode ensinar

Para entender melhor o que é NVC é interessante definir o que é uma comunicação violenta. De forma geral, ela é baseada em julgamento, crítica, rotulação e marginalização, evita responsabilidades e trabalha com a culpa para definir quem está certo e quem está errado – e, consequentemente, quem merece ser recompensado e quem merece ser punido.

Por outro lado, a Comunicação Não-Violenta ensina você a falar sua verdade ou compartilhar sua perspectiva de uma forma que possivelmente leve à harmonia – e não ao conflito. Ela ensina também a estar diante de declarações desconfortáveis ​​– como culpa, julgamento, crítica ou ataque verbal – e ouvir os valores e necessidades por trás daquela fala. Como resultado, você fica menos na defensiva, consegue ficar mais solidário e tem maior probabilidade de neutralizar qualquer conflito em potencial.

“As pessoas que praticam NVC encontraram maior autenticidade em sua comunicação, maior compreensão, aprofundamento de conexão e resolução de conflitos”, afirma o Center for Nonviolent Communication (CNVC). Além disso, entende-se que, quando as pessoas experimentam uma alta qualidade de conexão, espontaneamente se sentem motivadas a criar resultados mutuamente benéficos, em que todos saem ganhando. Seria como substituir relacionamentos do tipo “poder sobre” por “poder com”.

Um caminho para o autodesenvolvimento

Em artigo, Débora Gaudêncio afirma que a busca por uma abordagem não violenta também pode nos guiar para um processo de autodesenvolvimento. “Por exemplo, um dos princípios de não-violência usado por Gandhi para orientar seus discípulos, a palavra em sânscrito Swaraj, tem me apoiado em meu autodesenvolvimento e nos dos meus clientes”, diz ela.

A coach explica que o princípio significa: “Eu Rei de mim mesmo”, o que seria a consciência de que temos autonomia e responsabilidade pela nossa ação. “Esse princípio nos convida a olharmos primeiramente para nós”, diz ela. Ou seja, é preciso olhar para o que precisamos, para o que é importante para nós para não culparmos os outros e assumirmos a responsabilidade não só pelas nossas ações, mas também pelos nossos sentimentos. “Em uma situação real, posso aplicar esse princípio a partir da minha auto-observação e do meu foco”, diz ela. “Se observo um desconforto e percebo que meu foco está em julgar a ação do outro e não no que está vivo em mim, então não estou atuando de acordo com a não-violência”, explica.

Ela explica também que automaticamente temos o hábito de falar da ação do outro – o outro é bagunceiro, o outro é desorganizado, o outro não ouve etc. “No entanto, se quebrarmos a barreira dos julgamentos e focarmos em nós, talvez o diálogo seja: eu preciso de organização, eu preciso de escuta, eu preciso de suporte, eu preciso de espaço, eu preciso de igualdade, eu preciso de consideração.”

Ela conta que geralmente faz esse processo por meio de uma escuta interna ou por meio de um processo de escrita e que, na Comunicação não-Violenta, essa prática é chamada de “auto-empatia silenciosa”. “É um dos primeiros passos para se apropriar de uma abordagem de não violência em suas práticas diárias”, afirma.

Da próxima vez que um julgamento sobre o outro vier à sua mente, a dica de Débora é experimentar mudar o foco, lembrar do princípio de não violência de Gandhi e responder à pergunta: “O que esse julgamento revela sobre o que eu preciso?”. Vale tentar, não? 😉

 “A comunicação não-violenta nos mostra uma maneira de sermos muito honestos, sem críticas, insultos ou humilhações, e sem qualquer diagnóstico intelectual que implique em erro”, afirma Marshall B. Rosenberg.