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Mário Kaphan, fundador da VAGAS, explica o dia a dia de uma empresa com gestão horizontal

A organização precisa decidir se investe em uma nova tecnologia ou não. Os custos, o tempo de produção e as funcionalidades desse sistema são expostos para os 150 funcionários. Um dos colaboradores levanta a mão e pergunta aos colegas: “Mas, de que forma, essa nova tecnologia vai ajudar a conquistar o nosso propósito de contribuir para um mundo onde pessoas escolham melhor o seu trabalho e empresas escolham melhor as suas pessoas?”. As explicações não são convincentes e esse funcionário é contra a proposta — todos os demais votaram a favor. A controvérsia é aberta e o projeto precisa ser revisto até que os pontos levantados sejam atendidos. Soa estranho brecar um projeto pela ponderação de uma única pessoa. Todavia, essa é uma premissa da gestão horizontal adotada pela VAGAS.

Na última passada, o fundador da VAGAS.com, Mário Kaphan, fez uma apresentação na sede da empresa na qual relatou os sabores e dissabores de se apostar na cultura horizontal. “A VAGAS trabalha em um modelo de gestão radicalmente horizontal, o que significa que são 150 pessoas, não há nenhum chefe e todas as decisões são tomadas em consenso”, explicou. Para ele, consenso é sinônimo de horizontalidade. “Se a opinião de alguém preponderar na decisão final, não se trata de gestão horizontal.”

Mas como esse modelo funciona na prática?

Kaphan é um disseminador do modelo de gestão horizontal. Ele participa de seminários e congressos mostrando como “a utopia da VAGAS”, que já nasceu de forma horizontal, funciona na prática. “É um tema muito relevante. As pessoas se interessam em entender como funciona. Queremos explicar isso para outras empresas, porque acreditamos que pode dar certo e tem um impacto positivo na sociedade”, ressaltou. Mas, como esperado, muitos ainda ficam perdidos.

Não por acaso. É difícil enxergar além do modelo vertical. Por anos, nos acostumamos à hierarquia e à definição de objetivos cascateados top to down. Falar em autonomia de funcionários no modelo horizontal é diferente. Saem a clássica estrutura de comando e o controle com cargos, entram a flexibilidade, a escuta apurada e a autonomia: habilidades fundamentais nesse tipo de gestão.

“Somos horizontais, porque acreditamos que este seja um ambiente propício à vivência de valores compartilhados”, ressaltou o fundador da empresa. Em sua visão, o que parece uma frase de efeito, na verdade, foi a grande sacada da empresa. Kaphan explica que essa experiência prática de valores é o fator de sucesso da organização, o que olhando do lado de fora  e, às vezes, até de dentro parece ser uma utopia, na verdade, se repetida por diversas vezes, acaba gerando uma coerência organizacional. No fim, é como se todos já tivessem em seu DNA as direções de como seguir. Ele lembra que leva um tempo para a empresa ter esse nível de maturidade, mas, quando alcançada, o fluxo de trabalho é mais rápido.

Tomada de decisão acelerada

Na VAGAS, sempre que há uma decisão, necessariamente, também existe o confronto dos valores organizacionais. Todas as definições precisam seguir a linha de valores, visão e propósito da empresa. É mais ou menos o que acontece em uma discussão entre irmãos sobre o que comprar de aniversário para a mãe. Um deles quer dar uma viagem; o outro comprar um carro novo. Eles precisam confrontar suas decisões, de acordo com as normas e morais da figura materna, e chegar a um consenso pela opção A ou B, ou ainda procurar uma terceira alternativa.

“A discussão em um primeiro momento pode ser muito grande, mas com o tempo a gente aprende. Sempre digo que, nas nossas decisões, precisamos dar um passo para trás e observar quais foram os valores empregados naquele momento”, destacou Kaphan.

Parece pouco prático observando de fora desse cenário. Mas, como a VAGAS já possui maturidade na gestão horizontal, as tomadas de decisão se tornam muito mais objetivas. “Desempenhamos nosso processo decisório de forma mais eficiente que empresas com gestão vertical, porque vivenciamos, na prática, os nossos valores”, completou.

1 Comment

Rosiane Senna
25/07/2019

Bom dia! Excelente matéria. Acredito que, diante do atual cenário econômico e com as constantes mudanças no mundo corporativo a tendência é realmente a implantação de novos modelos de gestão de pessoas.
As organizações precisam olhar para seus funcionários como parceiros do negócio e acreditar em seus talentos e habilidades.
É sensato afirmar que, mudar à cultura organizacional não é uma tarefa fácil, porém é possível desde que todos estejam alinhados em um único propósito.
Mudar faz parte do processo de crescimento e evolução e as os gestores precisam acompanhar estas mudanças, pois caso contrário ficaram inertes e obsoletos em mundo onde a cada dia são criadas novas metodologias de gestão.
Hoje, temos diversas gerações inseridas no mercado de trabalho e são absolutamente capazes de fazer a diferença e contribuir para o sucesso e alavancar os resultados. Sabemos que, dentre as necessidades do ser humano estão a do reconhecimento e pertenciamento. Portanto, vamos criar espaço e dar voz para as pessoas contribuírem para um mundo melhor.

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