Entenda a importância de assumir e evitar o preconceito no recrutamento e seleção

Na jornada para diversificar o time de uma empresa e criar um ambiente tão inclusivo quanto eficiente, o processo de Recrutamento e Seleção é essencial. Tanto para a empresa quanto para o candidato, uma entrevista pode redirecionar o rumo do futuro, porém ainda existem muitos vieses e preconceito no recrutamento e seleção

Sabemos que entrevistas de emprego podem causar muita ansiedade em qualquer um – quando o candidato faz parte de uma minoria, sofrendo com preconceito durante toda a vida, esse processo é ainda mais estressante. A intolerância ainda marginaliza certos indivíduos em diversas esferas sociais, inclusive a profissional.

Isabela Serpa, responsável pelos conteúdos na VAGAS.com, vê em primeira mão a importância de tomar esses cuidados ao levar material aos profissionais de Recrutamento e Seleção. “Definimos temas que dão visibilidade e conscientizam de alguma forma esses profissionais que cuidam do maior ativo das empresas, as pessoas,  a desenvolverem profissionais que tiveram menos oportunidades em seu histórico de vida e também que trabalhem por e incentivem um ambiente ético e próspero dentro da diversidade”, diz.

Principais preconceitos no recrutamento e seleção

Machismo

Os profissionais de Recrutamento e Seleção têm uma responsabilidade muito grande tanto com a empresa quanto com os candidatos a vagas.

Isabela exemplifica uma situação de entrevista com viés muito vivida, principalmente, por mulheres. “Se a pessoa tem filhos, é importante não fazer algum comentário do tipo: ‘ah, mas essa vaga precisa que você viaje bastante'”, explica. “Essa frase, por exemplo, já vem cheia de vieses inconscientes. A pessoa pode ter filhos e mesmo assim ter total disponibilidade para viagens corporativas”, conclui. Em uma sociedade ainda muito machista que deseja limitar as mulheres, é importante desafiar esses preconceitos inclusive na área profissional.

Tomar essas precauções durante o processo seletivo pode parecer algo mínimo, mas se trata de uma peça importante para mudar a realidade do País e do mundo no que se trata de preconceito no recrutamento e seleção. “O cuidado deve ser tomado em cada detalhe, desde os anúncios da vagas, até às perguntas realizadas na entrevista e o momento da contratação e inserção do profissional na empresa”, afirma Isabela.

Isso porque, infelizmente, ainda temos um longo caminho a seguir para uma sociedade mais justa. Segundo um estudo de 2016 do Instituto Ethos em cooperação com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a presença de mulheres no quadro funcional é de apenas 35,5%. Na categoria de gerentes, o número cai para 31,3% e, nos altos quadros executivos, para 13,6%.

Racismo

Além disso, o racismo estrutural fica óbvio nos números que dizem respeito à representação da população negra no mercado de trabalho: menos de 5% dos cargos do alto escalão das 500 maiores empresas brasileiras é ocupado por pessoas negras.

No quadro funcional, o preconceito no recrutamento e seleção continua: a presença de profissionais negros é de 35,7% (enquanto a de brancos compõem 62,8%); no cargo de supervisores, a representatividade é de apenas 25,9% e, entre os gerentes, de 6,3%.

Deficiência

Pessoas com deficiência também sofrem muito com o preconceito no recrutamento e seleção: dados de 2014 da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), realizada pelo Mercado de Trabalho, apontam que apenas 0,77% dos empregos formais no Brasil correspondem a pessoas com deficiência.

A estatística é preocupante, já que, segundo o censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 45 milhões de brasileiros são deficientes (quase 24% da população do País). Durante uma entrevista, é de suma importância não diminuir a pessoa ou assumir que é incapaz de trabalhar eficientemente e, ao mesmo tempo, fornecer um ambiente acessível e acolhedor de acordo com as necessidades do indivíduo.

Como evitar preconceito com minorias

Preconceito no recrutamento e seleção podem atingir todas as minorias – mulheres, pessoas não brancas, pessoas LGBT, pessoas com deficiência, entre outras. Então, como lidar com o problema?

“Temos que primeiro assumir que de fato há um problema, deixando para trás qualquer apego de achar que somos melhores que os outros”, reflete Isabela. É preciso manter em mente, antes de qualquer coisa, que se está lidando com seres humanos. Feito isso, começar a ver como amenizar situações em que podemos ser preconceituosos ou diminuir o outro, mesmo que sem intenção.

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