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Fundador da VAGAS fala sobre ética e responsabilidade de empresas geradoras de dados a fim de eliminar vieses que diminuem a diversidade e a inclusão nas empresas no Fórum Sim à Igualdade Racial 2019

Sobre diversidade e inclusão: no ano passado, a gigantesca Amazon promoveu, sem querer, um debate sobre como o mau uso da inteligência artificial pode manter vieses que barram a inclusão e a diversidade no ambiente de trabalho. Um vazamento de dados acerca do recrutamento e da seleção da empresa comprovou que robôs, criados para ajudar na triagem de currículos, excluíam as mulheres do processo.

A culpa, no entanto, não era da tecnologia. O sistema aprendeu a selecionar os melhores profissionais baseados em currículos recebidos nos últimos 10 anos, que eram majoritariamente de candidatos homens. Não houve a exclusão desse viés por parte dos programadores dos robôs.

Fórum Sim à Igualdade Racial 2019

Esse debate sobre o uso ético da tecnologia e a propagação de vieses já existentes no mercado de trabalho foi o tema central da participação do fundador da VAGAS, Mário Kaphan, no painel Tecnologia e Inclusão, do Fórum Sim à Igualdade Racial 2019. “Nesses 20 anos de atuação da VAGAS, no mercado de recrutamento e seleção, acumulamos dados que são ouro nos tempos atuais. No entanto, precisamos nos responsabilizar para utilizá-los de acordo com uma certa ética”, frisou Kaphan.

“Sabemos que esses dados estão enviesados. Eles retratam o passado, que era um tempo de segregação. Se os usarmos diretamente, sem observar esse contexto, corremos o risco de reviver a situação de exclusão”, sugeriu.

O fundador da VAGAS, que é um amante da ciência da informação, explicou que os algoritmos, utilizados pela inteligência artificial, precisam ser minerados. Com ela, a decisão é gerada após vários cálculos matemáticos que exigem uma série de códigos de computador capazes de entender os dados processados.

Tendência do passado

“Temos na VAGAS dados de inúmeros candidatos, fases de processos e definições de vagas. Mas, se a máquina usar esse passado como regra a ser seguida, ela perpetuará a atual situação. Essa questão de lidar com informações enviesadas é um desafio mundo afora”, destacou. Na prática, o que Kaphan quis ilustrar é o que aconteceu com os robôs da Amazon. Eles olharam para o passado e excluíram as mulheres do processo seletivo porque entenderam que aquele era um trabalho majoritariamente masculino.

E, como a companhia trabalha consistentemente para a realização da “utopia de contribuir para um mundo em que pessoas possam escolher melhor o seu trabalho e empresas possam escolher melhor suas pessoas”, essa tendência pode ser um grande empecilho.

Na visão do fundador da VAGAS, a questão ética no uso da inteligência artificial precisa ser tema central em organizações que trabalham com tecnologia. Sabendo dos dados tendenciosos em sua inteligência, a VAGAS, por exemplo, delineou várias iniciativas no sentido de colocar a inclusão e a diversidade de pessoas como objetivo estratégico da empresa, tanto internamente como junto aos seus clientes. Durante sua exposição, Kaphan enumerou essas ações:

  1. Retrato de exclusão

A VAGAS, em parceria com a Talento Incluir, realizou uma pesquisa com mais de 3 mil candidatos cadastrados na plataforma VAGAS.com.br e 200 profissionais de RH, para saber qual era o real retrato do mercado de trabalho brasileiro. “Constatamos o óbvio, uma situação de exclusão racial, de gênero e de idade”, sublinhou Kaphan. Inclusive, aqui você pode conferir o e-book sobre o estudo.

  1. Manual de diversidade

A pesquisa resultou em um manual chamado Diversidade e discriminação no ambiente de trabalho, que aborda a questão a partir do estudo conduzido.

  1. Ação de inclusão

A VAGAS, em conjunto com a ID_BR, promotora do Fórum Sim à Igualdade Racial, estuda a elaboração de uma ação afirmativa. “Queremos que, no futuro, nossos algoritmos possam também atuar de forma inclusiva”, explicou Kaphan.

Ele encerrou sua participação no evento afirmando que o ser humano, infelizmente, não evolui exponencialmente como a tecnologia. “Portanto, questões como a diversidade e o senso de humanidade precisam estar cada vez mais nas pautas das organizações”, concluiu.

Participaram ainda do painel Denis Caldeira, diretor do Facebook, Sil Bahia, diretora da Olabi, organização focada em inovação social e tecnologia, e Vitorí, cientista de dados.

2 Comments

GINA MONTIEL
13/08/2019

Prezado Kaphan,

Louváveis são as iniciativas da Vagas no campo da diversidade e inclusão.
Todavia, já se deu conta de que depois do nome/cargo e nacionalidade, a terceira informação que o modelo de currículo da Vagas fornece é a idade, normalmente excludente pelas empresas? Pode parecer algo de somenos importância, mas acredito que o modelo de currículo usado pela Vagas não está coerente com a prática da diversidade e inclusão.

    Isabela Serpa
    21/08/2019

    Oi, Gina. Tudo bem?

    Em primeiro lugar, agradeço por trazer esse ponto de discussão no tema Diversidade e Inclusão. Por diversas vezes nós refletimos aqui na VAGAS sobre termos ou não o filtro por idade, no entanto, há programas de seleção de estagiários e trainees que contam com esse filtro por serem programas voltados especificamente ao público jovem que está em início de carreira.

    Por outro lado, sabemos que a exclusão por idade pode se dar em qualquer momento de um processo seletivo, sobretudo o presencial. Se há interesse da empresa em excluir ou discriminar, isso acontecerá, independente do sistema utilizado ou disponibilidade dessa informação. O que nós precisamos cada vez mais é incentivar a Diversidade em todas as frentes e aspectos. É preciso que haja um engajamento autêntico das empresas com esse tema para que idade, raça, crença, gênero, etc, sejam motivos de inclusão e não exclusão.

    Qualquer outra dúvida, sigo à disposição! 🙂

    Um abraço!

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