escrito por nosso parceiro Fernando Arbache

Estamos no meio de uma pandemia, razão pela qual diversos órgãos econômicos globais, como o Banco Mundial e o FMI, preveem perdas de trilhões de dólares no PIB internacional. Além disso, várias empresas perderam receitas, muitas vão fechar e outras vão sair desse processo muito fragilizadas.

Pergunto então: quem previu essa pandemia no planejamento estratégico feito em 2019 para 2020? Arrisco-me a dizer que ninguém fez esta previsão. Portanto, a maioria das empresas, senão todas, com exceção daquelas que estão gerando receitas diretamente por combater a doença, não conseguirá alcançar suas metas projetadas para 2020.

Um pouco antes da pandemia, eu vinha fazendo diversas palestras e escrevendo diversos artigos abordando dois temas: “a transformação digital” e “equipes ágeis”.

Muitas pessoas me perguntavam e outras afirmavam que esses temas são importantes para um futuro breve. Eu, por outro lado, insistia em dizer que as ações sugeridas nos artigos deveriam ser implementadas de imediato. Não devido à pandemia, mas por causa da inovação e da disrupção que já batia à porta das empresas.

Importância do perfil agile na quarentena

Para muitas companhias, essa disrupção representava uma grande concorrência ou mesmo a substituição de seu modelo de negócios.

Mas a resistência à mudança de mindset sempre foi muito grande, pois todos querem ficar na zona de conforto. Mudar é algo complexo e, muitas vezes, requer esforço.

No entanto, quando menos se esperava, chegou a pandemia. Repentinamente, as empresas passaram a procurar desesperadamente por formas de vender digitalmente. Elas precisaram, e ainda precisam,mudar o pensamento de todos os stakeholders internos e externos, convencendo-os a usar meios digitais para fazer reuniões e buscando incessantemente se reinventar para se adaptar a um novo normal.

Por que as empresas estão tendo tantas dificuldades? Simples: elas não se prepararam suficientemente para a transformação digital e não construíram equipes ágeis.

Esses são os dois pilares que passamos a enxergar como fundamentais, não para enfrentar a pandemia, mas para enfrentar tudo que vinha sendo sinalizado: o mundo está se direcionando para a inovação e para ambientes de negócios que exigem operações totalmente digitais.

Curiosamente, muitos que resistem a trabalhar dessa forma não abrem mão de seus celulares para desfrutar de todos os benefícios do mundo digital. Esse paradoxo mostra que as pessoas querem aproveitar os privilégios trazidos pelo mundo digital, mas não querem participar de sua concepção.

No entanto, chegamos ao ponto limite. Não existe, hoje, possibilidade de retorno. Ou as empresas se transformam digitalmente e passam a ser ágeis e adaptativas, ou dificilmente sobreviverão.

Habilidades do perfil agile

Ficam muito claras as habilidades que são necessárias para que os profissionais se adequem à nova realidade: este mundo transformado pela inovação e, agora, pela pandemia, exige que as pessoas pensem de forma ágil, sejam adaptativas, flexíveis e transparentes e compreendam o que o mercado deseja.

Resiliência

As empresas precisam de colaboradores resilientes, pois precisam enfrentar as mudanças, acessíveis e comunicativos para mitigar os impactos da assimetria de informações dentro dos times.

Ousadia

O novo mundo precisa de profissionais ousados, com inteligência emocional e foco no cliente e na entrega de produtos com alto valor agregado para obter os resultados desejados pelas organizações.

Essas são as soft skills do  pensamento ágil, que ajuda as empresas a se transformarem, não apenas digitalmente, mas em todos os aspectos necessários para a adaptação e o alto rendimento nessa nova realidade.

A maioria das empresas ainda não conhece quem, de fato, são seus colaboradores. Conhecem apenas seus currículos e supõem como eles se comportam. Em um mundo onde não podemos errar, pois a lentidão e os erros podem fazer com que os concorrentes nos ultrapassem, saber se nossa equipe se enquadra ao pensamento ágil é fundamental para promover a transformação.

Ter e dominar ferramentas como o people analytics passa a ser uma condição para que consigamos perceber as habilidades de nossa equipe, avaliando o que falta e como podemos melhorá-las.

As habilidades do futuro são aquelas que permitem que nossa equipe consiga se adequar com rapidez, qualidade e assertividade ao que nossos clientes e o mundo necessitam.

Esse é o novo normal. Você está preparado?

Gostou do texto? Então aproveite nossas dicas de cursos para RH na quarentena.