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Contratar pessoas com perfil tóxico é uma grande armadilha no processo de R&S. Veja como fugir disso

Contratar pessoas com habilidades escassas no mercado de trabalho é uma verdadeira caça ao tesouro para a área de Talent Acquisition. Há vagas que ficam por meses em aberto até que o candidato ideal apareça. Agora, imagine que você fez tudo certo, encontrou o profissional que se encaixava direitinho no cargo, até um tsunami acabar com a sua contratação. Esse tsunami tem nome e sobrenome, porém é mais conhecido pelo apelido de colaborador tóxico. Portanto, toda atenção é pouca para não admitir esse perfil.

Perfil tóxico contamina

Veja o caso de Mariana. Ela foi contratada para ajudar o time de business intelligence de uma multinacional a trazer insights sobre o negócio aos líderes da organização. Foi uma negociação que demorou cerca de quatro meses para decolar. No onboarding da empresa, ela estava muito empolgada, foi bem recebida pelo RH da corporação, pela chefe e pelos colegas. Mas, com o tempo, Mariana percebeu que havia um parceiro de trabalho que não agregava muito. Ele sempre reclamava e jogava um balde de água fria nas ideias dos demais. O profissional era uma espécie de bomba-relógio. E o que aconteceu? Após sete meses, Mariana deixou a organização porque não conseguia mais trabalhar com a intromissão e a falta de colaboração do colega venenoso.

Como no exemplo citado, profissionais tóxicos contaminam a organização, reduzindo a produtividade e o engajamento das equipes. Em uma época na qual inovação é essencial, garantir que os colaboradores trabalhem em um ambiente onde possam correr riscos sem se sentirem inseguros, envergonhados ou criticados é fundamental. Portanto, separamos, abaixo, algumas dicas para contratar pessoas com qualidade.

Triagem para não contratar pessoas tóxicas

Gerenciar um funcionário tóxico já é bastante difícil. Eliminá-lo durante o processo de contratação pode ser um desafio maior ainda. Algumas pessoas têm um marketing pessoal muito bom, em especial, os tóxicos. Suas qualidades nocivas, em geral, só surgem quando estão envolvidos com colegas de trabalho, lidando com empecilhos ou trabalhando sob pressão. É por isso que aperfeiçoar seu processo de contratação para detectar sinais problemáticos no início é essencial. Invista nesse tipo de experiência durante a fase de entrevista.

Faça as perguntas certas

Pergunte aos candidatos sobre experiências anteriores, em vez de envolvê-los em hipóteses. A maioria das pessoas, especialmente as mais experientes, prepara respostas para as entrevistas. Então, quando você questionar, não aceite uma réplica ensaiada ou abertamente banal.

Em vez de indagar ao candidato como ele fez para lidar com diferentes opiniões, peça exemplos específicos de como ele resolveu conflitos no passado. Saiba o que os antigos empregadores diriam sobre ele. Peça para ele relatar situações em que achou complicado trabalhar com alguém e por aí vai.

Identifique o perfil das respostas

Em geral, perfis tóxicos apresentam os problemas que tiveram em empregos anteriores apontando o dedo para outras pessoas. Eles se queixam ou reclamam de seus supervisores, colegas de trabalho ou subordinados diretos. Em suas respostas, dificilmente, vão dizer que o erro foi deles, ou afirmarem que sabem de algum ponto fraco, mas que estão tentando melhorá-lo.

Envolva sua equipe

Faça um recrutamento fora da caixa. Peça para alguém da equipe que trabalhará com o candidato almoçar, jantar ou até ir ao cinema com ele. Assim, você conseguirá derrubar o discurso prévio e prover uma oportunidade de observar os valores e a forma como ele reage a situações inusitadas. Além de, claro, envolver o time que atuará com o candidato no processo de decisão.

Pergunte por referências

Esse é o último e, talvez, o mais importante checklist que o recrutador deve fazer quando se trata de profissionais com esse perfil. Compreender como o candidato se comportou no passado te ajudará a avaliar se ele é apropriado para atuar na cultura da sua organização e se é tóxico ou não. Peça referências, fazendo perguntas que cheguem ao cerne da questão: “Como é trabalhar com ele?”; “Em que ele poderia melhorar?” e “Ele já se envolveu em algum problema no trabalho?”.

Vale a pena usar e abusar dessas dicas. Afinal, os prejuízos que um colaborador tóxico traz às organizações são grandes. “Nada é mais caro para a cultura de uma organização do que um funcionário tóxico. Pesquisas mostram que a grosseria é como o resfriado comum – é contagiosa, se espalha rapidamente e qualquer pessoa pode ser portadora”, afirmou Christine Porath, acadêmica da Georgetown University, no artigo que redigiu para a Harvard Business Review, How to Avoid Hiring a Toxic Employee.

Custos de contratar pessoas tóxicas

No texto, ela narra que a contratação de um funcionário com esse perfil tem impacto significativo em tudo, da dinâmica diária do local de trabalho aos resultados de longo prazo. Um estudo realizado pela Cornerstone OnDemand revelou que a admissão de um único colaborador tóxico em uma equipe de 20 trabalhadores custa aproximadamente 12.800 dólares, enquanto a contratação de um funcionário regular, mas competente, custa, em média, 4 mil dólares.
De acordo com o mesmo levantamento, a presença de uma maçã podre pode fazer com que o desempenho geral da equipe caia de 30 a 40%, motivando os colaboradores a deixarem o emprego. Pior, os funcionários têm 54% mais chances de desistir quando precisam lidar com um colega de trabalho tóxico.

Em outras palavras, é bom deixar esse perfil bem longe do seu processo seletivo.