Faça a diferença na vida dos candidatos evitando a falta de feedback

A falta de feedback das empresas aos profissionais durante o processo de seleção gera prejuízos para ambos os lados. O candidato se sente abandonado, frustrado e desamparado para uma próxima oportunidade. No caso das empresas, na melhor das hipóteses, ela perde um futuro colaborador e, no pior cenário, tem sua reputação manchada.

Se antes, uma experiência ruim com a empresa ficava restrita ao círculo social do candidato, hoje, com a internet e as redes sociais, esse burburinho é amplificado. E para piorar os profissionais gabaritados e desejados pelo mercado pesquisam sobre essas situações antes de se candidatarem aos processos. Resultado: você terá menor número de candidatos interessados em trabalhar para sua organização.

Veja qual é o sentimento do profissional perante a falta de feedback de entrevista por esse problema e dicas de como melhorar essa experiência.

Falta de feedback mancha imagem da empresa

Para Luciane Cypriano Laranjeira, da área de Atendimento a Candidatos da VAGAS, o silêncio do recrutador durante as etapas do processo seletivo causa três sentimentos ruins ao candidato: frustração, dúvida e descrença no processo.

“Há frustração por ter acreditado na empresa. Ele se sente desrespeitado por ter investido tempo em vão no preenchimento de currículo, fichas e testes”, explica Luciane. E na sequência vêm dúvidas comuns, como “Será que a empresa recebeu o meu currículo?”; “E se, talvez, pensem que eu não esteja qualificado à vaga?”; “Será que o processo já foi encerrado?”.

Quando passa a fase das dúvidas, vem a incredibilidade. O candidato começa a questionar a veracidade do processo. “Atendo a 100% dos requisitos, por que não sou selecionado para a entrevista?”, comenta-se normalmente. Na opinião de Luciane, a omissão da empresa em não mudar esse cenário só piora a situação.

Comunicação deve ser constante

“Fiz o cadastro e me candidatei a diversas vagas, nunca fui chamado sequer para uma entrevista, o currículo nunca muda de status. Por mais que eu seja 99% apto para a vaga nunca ocorre a seleção”. O relato é de um profissional abandonado por uma organização durante mais de um processo.

Essa dor descrita em poucas palavras pode ser compartilhada com outros candidatos que também passaram pela mesma situação. “Propaganda enganosa”, qualifica ele, frustrado, no final do texto.

Algo que parecia ficar restrito apenas aos muros da organização se espalha rapidamente por várias páginas na internet. E, assim, a reputação da companhia como marca empregadora vai para o lixo. Os custos de não investir na experiência do candidato satisfatória são altos para a organização.

“Por isso, é muito importante que a empresa mantenha uma comunicação transparente com os inscritos durante todo o processo para não causar desmotivação e falta de interesse”, defende.

Abandono do banco de talentos

E esse tipo de queixa não acontece apenas durante o processo seletivo. Essa percepção de abandono também ocorre a partir do momento em que o candidato se inscreve no banco de talentos da empresa.

Vejamos o caso de um candidato que relatou suas queixas em um site de reclamação. No relato, o profissional dizia que era formado em engenharia civil, tinha um bom currículo, inglês fluente e algumas especificações. Mesmo com todas essas qualificações, o candidato afirmava que, durante anos, não recebeu sequer um “olá” da empresa. Essa falta de comunicação o levou a crer que se tratava de um problema pessoal.

“Comecei a ficar preocupado comigo mesmo, entrar em depressão, a questionar todas as minhas qualificações, fui à procura de coaching de carreiras e psicólogos”, destacou. Ao final, o profissional percebeu que o problema não era dele, mas da empresa que não mantinha qualquer tipo de comunicação com ele. A impressão dele pela falta de feedback era que a organização não era séria.

Falta de feedback gera desistências

Na visão da executiva da VAGAS, o descontentamento pela falta de feedback leva alguns profissionais a pensarem duas vezes antes de se candidatarem a outra vaga na organização. “Caso o candidato se sinta desrespeitado pela falta de comunicação da empresa ou identifique divergências e falta de clareza entre o anúncio e a ocupação, poderá deixar de participar de futuros processos da empresa”, destaca.

Para ela, o recrutador deve se colocar na pele do candidato e sentir suas dores. “Todo profissional de RH já foi candidato um dia. Por isso, faça o melhor sempre!”, sugere. E esse aprimoramento já começa na descrição da vaga. “Se o especialista de RH tiver clareza de todas as etapas do processo, as softs skills desejadas e as atividades que o profissional irá desenvolver, ele terá capacidade de divulgar uma vaga com mais detalhes: missão e desafios do cargo, requisitos e o devido cronograma das etapas do processo”, informa.

Com essas informações, explica Luciane, fica mais fácil para o candidato administrar as expectativas e não ficar esperando uma resposta da empresa eternamente. “É claro, imprevistos acontecem, e é sempre bom a empresa deixar um contato disponível para o usuário”, adverte.

Comunicação e empatia são as palavras-chave para um bom relacionamento entre organização e candidato.

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