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Investir em MKT de recrutamento não é mais apenas uma opção, é mandatório para a atração dos melhores talentos

Um profissional em busca de uma nova oportunidade no mercado de trabalho navega por sites e redes sociais de olho em vagas de emprego. De repente, ele é impactado positivamente por uma marca empregadora. O anúncio diz que a organização oferece ambiente de crescimento e diálogo aberto com as lideranças. A propaganda da vaga também enfatiza que a empresa é apaixonada por inovação e gestão de gente.

Na hora, o candidato pensou que era o match perfeito. Mas, antes de se cadastrar na vaga, decidiu investigar o histórico da empresa nas redes. O profissional recorreu a sites como Glassdoor e a comentários correlatos à companhia em uma busca no Google. O que ele observou na pesquisa não o agradou. O discurso do anúncio não condizia com a realidade. Profissionais que trabalham ou trabalharam na organização relatavam uma história bem diferente nas redes. Ele, simplesmente, abandonou o preenchimento da vaga como se largasse um carrinho de compras em um e-commerce.

Marketing de recrutamento

A história relatada é muito mais comum do que se imagina. Com o advento das novas tecnologias, ficou mais fácil para os candidatos cruzarem informações e tirarem suas próprias conclusões a partir desses relatos. A aquisição de talentos sofreu mudanças significativas nos últimos anos na maneira como as organizações adquirem e se envolvem com os talentos. Empresas com visão de futuro devem, agora, atrair proativamente os candidatos e impactar mesmo aqueles que não estão procurando abandonar suas atuais marcas empregadoras.

Nesse contexto, a área de recrutamento e seleção ganha nuances e métricas semelhantes ao departamento de Marketing. A área de Talent Acquisition luta por atrair e manter profissionais, enquanto o Marketing usa todas as suas armas para adquirir novos clientes e fidelizá-los. Mas o incrível é que os laços entre elas não são apenas no modus operandi, mas também na relação das marcas como empregado e consumidor.

Veja, se você foi impactado positivamente por uma marca durante sua experiência de compra, intuitivamente você imagina que ela é uma empresa que respeita seus clientes, o que te leva a crer que ela também é uma organização que se importa com seus colaboradores. A situação inversa também acontece. Se você trabalha em uma organização que não te respeita como profissional, provavelmente, você será um detrator da marca, não a indicando para sua rede de amigos e familiares.

Marca empregadora e marca do consumidor

Essa correlação das duas marcas, a empregadora e a do consumidor, é muito forte. Uma pesquisa conduzida pelo LinkedIn denominada Why Your Employer Brand Matters, na tradução literal para o português: Porque a sua Marca Empregadora é Importante, descobriu que uma das muitas maneiras pelas quais os candidatos em potencial aprendem sobre uma empresa é por meio da experiência de seus produtos ou serviços.

O estudo afirma que há uma firme associação entre essas duas experiências. “Existe uma relação razoavelmente forte entre as impressões deixadas pela marca da companhia em seus clientes na atuação dela como marca empregadora”, assinala o levantamento. Todavia, a pesquisa também indica que investir em employer branding garante duas vezes mais o engajamento de candidatos aos anúncios de vagas da empresa do que a simples atração dos profissionais pelo marketing do consumidor.

Case United Airlines

O público, em geral, é rápido em atribuir as ações de algumas pessoas como um reflexo da cultura ou marca da empresa. Especialmente na era das mídias sociais em que todos os gestos excessivamente gentis ou deslizes corporativos são ampliados por notícias, tweets e hashtags, é difícil evitar não vincular à reputação da empresa a quem trabalha nela.

É só pensar nas consequências do incidente do passageiro que foi retirado à força de seu assento em um voo da United Airlines. Entre todas as piadas, memes e reclamações que se seguiram, a companhia aérea teve sua reputação manchada tanto no campo do consumidor como no de marca empregadora. Afinal, que piloto ou comissária quer ver seus rostos postados em memes nas redes sociais?

Portanto, as empresas que investem no marketing de recrutamento, provavelmente, sofrerão um impacto mais direto em seus esforços de aquisição de talentos. Todavia, é preciso ter uma estratégia coerente e transparente nas duas frentes de trabalho: no marketing tradicional e no employer branding. Afinal, ambos estão conectados e expostos aos comentários e notícias que circulam nas redes.