Programa da retomada: como as empresas devem se preparar para o retorno das atividades após o isolamento social

Em algum momento, as companhias brasileiras terão de dizer aos seus colaboradores que é hora de sair do isolamento social e, talvez, voltar às atividades no escritório, na indústria e no comércio. Mas as dúvidas pairam sobre como vai ser essa reabertura das empresas após a quarentena. As organizações adotarão práticas do manual do “velho normal”? Como o RH lidará com o protocolo de trabalho da retomada? E as medidas de segurança?

Na preparação para a reabertura, as empresas precisarão implementar protocolos de segurança, que podem incluir o fornecimento de máscaras, medidas de distanciamento social, modificações físicas no espaço de trabalho e regras de triagem e rastreamento.

Neste artigo, responderemos essas e outras perguntas e ainda observaremos os protocolos de reabertura adotados por empresas no Brasil.

Quando é hora de voltar?

A reabertura das empresas após a quarentena depende em grande parte do local que a companhia está localizada, visto que cada estados e município tem orientações específicas sobre quando reabrir com segurança. A área de Recursos Humanos precisa de cuidados redobrados ao observar essas legislações.

Algumas regras poderão ser aplicadas na íntegra para todos os colaboradores da empresa, outras terão de ser específicas, de acordo com a norma legal estabelecida na região de atuação.

Quando o Brasil transitará da quarentena generalizada para uma condição de normalidade ainda é uma incógnita. Mas o retorno ao trabalho deverá acontecer em onda.

As empresas, provavelmente, encaminharão os funcionários gradativamente ao local de trabalho, em vez de trazer todos de volta ao mesmo tempo. Isso ajudaria a manter o distanciamento social nos primeiros dias e também daria tempo para empresas analisarem o comportamento e a produtividade dos colaboradores.

Retomada de alguns setores

Se, por um lado, a decisão de voltar é repleta de riscos com a ausência de testes para Covid-19, por outro, trata-se de uma questão de sobrevivência da organização. Em algumas regiões do Brasil, o isolamento social já dura mais de dois meses e traz consequências negativas ao caixa dos negócios.

Por exemplo, esse é o caso da indústria automotiva. Com praticamente todas as fábricas fechadas, a produção nacional de veículos caiu 99,3% em abril, em comparação com o mesmo período de 2019, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores.

Não por acaso, duas fábricas, uma da GM e outra da Volkswagen, já retomaram as atividades. ”Estamos levando orientações aos empregados de modo didático e por meio de vídeos, porque essa é uma experiência inédita para todos. O entendimento de todas as regras é fundamental para nos acostumarmos rapidamente a esta nova realidade”, disse Pablo Di Si, CEO da Volkswagen para a América Latina, em nota divulgada à imprensa.

Medidas da Volkswagen

A unidade de São José dos Pinhais da Volkswagen reiniciou suas atividades em 18 de maio.

A empresa afirmou que adotou medidas de higiene e segurança baseadas nas experiências do grupo na China e na Alemanha. Entre as medidas estão:

  • Sinalização e orientações de segurança e higiene;
  • Limitadores de distância nas portarias de entrada e relógios de ponto;
  • Obrigatoriedade do uso de máscaras;
  • Limpeza periódica das dependências das fábricas e escritórios e reforço na desinfecção dos ambientes;
  • Medição de temperatura antes do ingresso em ônibus fretados e na fábrica;
  • Aumento do número de ônibus fretados para garantir o distanciamento das pessoas;
  • Nos refeitórios, uso de luvas para servir-se e demarcação de assentos.

Home office até o fim do ano

Ainda há empresas que, todavia, tomaram outro caminho. Como existe muita incerteza em como e quando a doença será estabilizada em âmbito mundial, organizações, como o banco de investimentos XP e o banco digital Nubank, anunciaram que manterão seus empregados em home office até o fim do ano.

A XP Investimentos tomou a decisão a partir de uma pesquisa com seus colaboradores. O levantamento indicou que 95% dos funcionários gostariam de manter, pelo menos, um dia por semana em home office.

A medida será facultativa, ou seja, o funcionário poderá escolher se trabalhará de casa ou no escritório após o fim da quarentena.

Dicas para a reabertura das empresas

Para facilitar a reabertura das empresas após a quarentena, respeitando o “novo normal”, separamos algumas dicas. Aproveite.

Alinhe expectativas com o colaborador

Se a sua organização pode manter as operações com os trabalhadores atuando de casa, questione-os se eles desejam manter o home office após o período de isolamento social.

Ainda assim, mesmo as organizações que precisam do funcionário presencialmente, o ideal é indagá-lo sobre quais os medos e anseios no período de reintegração. Esses dados vão ajudá-lo a elaborar um protocolo inclusivo.

Desenvolva um protocolo de segurança

As empresas de varejo que estão reabrindo precisarão treinar suas equipes para novas práticas de higiene e outros protocolos, incluindo medir a temperatura dos clientes.

Já no caso de quem atua em escritórios, será necessário repensar onde os trabalhadores se sentarão em relação uns aos outros, como será o deslocamento deles nas áreas comuns e até protocolos de reuniões e eventos fora da organização.

Assim, as empresas que não delinearem novos regulamentos poderão, claramente, enfrentar reclamações oficiais e danos à reputação, além de exporem seus funcionários ao risco de contrair coronavírus.

Documente tudo

Documentar as medidas tomadas para proteger a segurança dos trabalhadores é igualmente importante na reabertura das empresas após a quarentena. Esse é realmente um teste para as companhias, e aquelas que forem aprovadas nodesafio criarão melhores culturas e terão funcionários mais leais.

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