Entenda as áreas de atuação e benefícios da psicologia organizacional

Embora envolva processos, competências e tecnologia, o foco do RH é principalmente lidar com pessoas. Portanto, faz sentido que a psicologia organizacional esteja dentro de sua área de especialização, seja analisando a personalidade de candidatos no recrutamento ou resolvendo conflitos entre colaboradores. A psicologia não apenas ilumina os desafios que enfrentamos na vida moderna, mas também fornece soluções. Entender seu resultado pode ajudar o profissional de RH a maximizar o bem-estar e o desempenho de sua força de trabalho.

Continue lendo e saiba mais:

O que é psicologia organizacional?

A psicologia organizacional – às vezes chamada de psicologia do trabalho – visa compreender, explicar e, em última instância, melhorar as atitudes e comportamentos de indivíduos e grupos que compõem determinada organização, aplicando conhecimentos para resolução de problemas no trabalho.

Dentre as questões abordadas pela ciência, estão traumas psicológicos, baixa produtividade, má comunicação e burnout na empresa.

Psicologia organizacional x coach

Há muita confusão entre o processo de coaching e a psicologia organizacional. Ambos são agentes de mudança no ambiente empresarial, mas o primeiro visa a motivação e planejamento do profissional, enquanto o segundo integra os processos e recursos da empresa.

História da psicologia do trabalho

O campo foi concebido em 1800. Hugo Münsterberg, Walter Dill Scott e James Mckeen Cattel foram os pioneiros ao levar a psicologia aos negócios e à indústria com o objetivo de melhorar produtividade e eficiência. A área prosperou devido à Primeira Guerra Mundial, quando psicólogos estadunidenses foram chamados a desenvolver um programa de avaliação psicológica de recrutas para definir trabalhos específicos dentro das forças armadas. O sucesso foi tamanho que o campo se expandiu rapidamente.

Anos mais tarde, estudos realizados por mais de 10 anos na Western Electric Company se tornaram o ponto central na evolução da psicologia do trabalho ao revelarem o lado humano das organizações. Nesta época, foi descoberto que aspectos sociais, como grupos de trabalho e o conhecimento do trabalhador de que está sendo vigiado, afetam o desempenho.

O surgimento da Segunda Guerra Mundial permitiu novamente que o campo da psicologia organizacional se expandisse devido às crescentes demandas dos militares, abrindo portas profissionais para psicólogos.

No meio do século XX, a psicologia organizacional tomou corpo ao aliar-se com a Sociologia e a Antropologia. No pós-guerra, a ciência se propagou para as empresas, chegando ao Brasil e demais nações.

Benefícios e áreas de atuação da psicologia organizacional

Melhora de produtividade

Psicólogos organizacionais abordam questões de produtividade de várias maneiras, como por estímulos positivos, recomendando transferência para diferentes processos na cadeia de produção, oferecendo oportunidades de interação social com colegas de trabalho e a gerência. Estar de olho nas questões psicológicas pode ajudar a aumentar a produtividade enquanto se cuida das necessidades dos funcionários.

Construção de equipes

A psicologia organizacional oferece muitas técnicas de team building, de quebra-gelos a dinâmicas de união. É possível se beneficiar delas para integrar os funcionários e fazer com que se vejam como parte de um grupo que trabalha em direção a um objetivo comum.

Também vale incentivar a formação de equipes por meio de recompensas para departamentos, ao invés de somente indivíduos. Isso pode ser associado à definição de metas e sugestão de soluções de problemas pelos próprios times.

Recrutamento e Seleção com psicologia organizacional

A psicologia organizacional é muito comum no Recrutamento e Seleção. Por meio dela, avalia-se o candidato de maneira mais certeira com foco em habilidades e experiências, além do fit cultural. Por exemplo, pode-se elaborar perguntas para entrevistas que avaliam traços de criatividade para resolução de problemas, trabalho em equipe, ética e capacidade de organização.

Resolução de conflitos

Se você tiver dificuldade em resolver um conflito, pode contratar um psicólogo organizacional para avaliar a situação de maneira justa e imparcial. Ao contrário de um mediador, o profissional de psicologia não se concentra exclusivamente no problema, mas analisa ainda questões psicológicas, como as necessidades de respeito, ética, capacitação e objetividade.

Manejo do estresse no trabalho

O estresse na psicologia do trabalho é um subtópico de grande interesse tanto para os funcionários quanto para as organizações. Seja por um chefe difícil, más condições de trabalho, prazos apertados ou remuneração insuficiente, o estresse é praticamente inevitável, sendo prejudicial à saúde física e mental ao se tornar crônico.

As organizações estão cada vez mais recorrendo a profissionais da psicologia para implementar programas de bem-estar e qualidade de vida, o que tem impacto positivo nos níveis de estresse e, consequentemente, motivação e produtividade.

Treinamento e desenvolvimento

Desde o diagnóstico das necessidades até a aplicação, o treinamento e desenvolvimento pode (e deve!) envolver psicólogos organizacionais. Eles poderão adequar o treinamento às necessidades da organização, elaborar ou validar o material didático; organizar o processo, capacitar instrutores, traçar metas e propiciar feedbacks.

Esses profissionais também estão presentes no onboarding com o objetivo de apresentar e ajudar na adaptação das pessoas à organização.

Avaliação de desempenho

As avaliações de desempenho de funcionários são ferramentas da psicologia organizacional usadas para aferir a performance de um funcionário em sua função. Sua intenção é ajudar o colaborador a compreender seus pontos fortes e a melhorar, sendo indicado realizá-lo junto a um psicólogo para evitar comunicar mensagens de forma indevida e nociva ao profissional.

Teste e avaliação psicológica

Por mais zelo que se tenha na análise de currículos, condução de entrevistas e verificação de referências, ainda assim contratações ruins acontecem. É aí que entra a psicologia organizacional, que permite a aplicação de testes e avaliações para descobrir as qualidades mais sutis que tornam um candidato adequado para um trabalho.

Aplicar uma avaliação psicológica aos candidatos também pode dizer se eles possuem ou não qualidades difíceis de desenvolver – como extroversão, automotivação, estabilidade emocional e habilidades interpessoais. Por exemplo, uma pessoa precisa ser extrovertida para ter sucesso em uma posição de vendas. Os candidatos podem fingir ter essa característica durante o processo seletivo, mas uma avaliação psicológica provavelmente descobrirá a verdade.

Segurança no trabalho

A psicologia organizacional tem relação próxima quando se tratam dos fatores que geram acidentes de trabalho. Em sua maioria, são causados por falha humana, seja por falta de manutenção, manejo inadequado, baixa concentração ou problemas emocionais, todos intimamente ligados à psique.

Por meio da psicologia, pode-se compreender e corrigir a raiz de tais imprevistos, seja por avaliação psicológica no recrutamento ou treinamento para obter habilidades necessárias para determinada atividade.

Pesquisa de clima

Realizar pesquisas de clima organizacional permite mapear percepções dos colaboradores sobre como é a experiência de trabalhar na companhia, o que também pode trazer insights importantes sobre motivação e satisfação. Para ela, é indicado contar com o auxílio de um profissional de psicologia organizacional, já que ele está preparado para garantir uma análise e diagnóstico precisos e concretos, reduzindo a chance de dúvidas e vieses.

Como implementar a psicologia organizacional na empresa

Empresas podem implementar a psicologia no local de trabalho contratando ou terceirizando psicólogos organizacionais, seja de forma recorrente ou para ajudar a resolver problemas ou questões específicas.

Embora um psicólogo interno seja aconselhável para a maioria das organizações de médio a grande porte, empresas com cinco a dez funcionários geralmente optam por serem atendidas por um consultor, o qual poderá conduzir, analisar e apresentar feedback sobre processos e funcionários.

Quer saber mais sobre gestão de pessoas? Então leia nosso artigo sobre change management (gestão de mudança).