escrito por nosso parceiro, Fernando Arbache

Novo normal: por que essas duas palavras tornaram-se jargão entre jornalistas, economistas, médicos, consultores e muitos outros profissionais? O “novo normal” passou a ser tão falado quanto frases rotineiras de nosso dia a dia devido à declaração da pandemia de coronavírus que vivemos. Mas o que de fato ele quer dizer? 

O distanciamento social fez com que nosso dia a dia mudasse de forma radical. Empresas enviaram a maioria de seus funcionários para trabalhar em casa, reuniões agora são realizadas por videoconferência, e hotéis, shoppings, cinemas, restaurantes, parques, clubes e quase todos os estabelecimentos ligados ao entretenimento deixaram de funcionar do dia para a noite.

Passamos a ficar exilados em nossas casas, onde trabalhamos, tentamos nos entreter e voltamos a ter tempo para nos relacionar intensamente com nossas famílias. Por vezes, quando estamos em reuniões de trabalho, gatos passam por cima de nossos computadores, cachorros latem, crianças gritam e, o que era um problema, virou rotina.

Nossa intimidade passou a ser exposta para todos com quem nos relacionamos, independentemente do grau de proximidade que temos com a pessoa do outro lado da câmera.

Tivemos de passar o Dia das Mães longe de nossas amadas genitoras e, para realizar pequenos gestos de amor, enviamos flores compradas em lojas online (antes, um sinal de frieza e, agora, a única forma de contato). Usamos os meios digitais para estar próximos às pessoas que amamos, com quem trabalhamos e para fazer qualquer tipo de contato.

Uma amiga alemã, que mora em Munique, fez o seguinte comentário: “Depois de quase 10 semanas de quarentena, eu saí e me senti num filme de ficção científica! Sem contar que as pessoas que estão na rua te ignoram, nem olham na sua cara, como se você fosse um extraterrestre. Mas agarram na mão do filho ou parceiro (a), como se o destino fosse sair correndo ou desaparecer da trama (isso, óbvio, porque se a polícia te parar, você tem que convencê-los que está com parentes ou pessoas que moram na mesma casa!). Cômico! Nunca vi tanto alemão andando de mãos dadas, e se antes já eram chamados de frios, agora congelaram!”.

Como ficarão as empresas?

O mundo mudou e vai mudar ainda mais. Diante disso, eu me pergunto: como ficarão as empresas? Como elas deverão agir diante de tanta mudança?

Na minha percepção (e de muitos outros economistas e cientistas sociais), essas mudanças apenas começaram. Elas tendem a se intensificar ainda mais, pois as empresas estão reagindo a tudo isso, digitalizando suas rotinas, seus produtos e absolutamente tudo que podem – uma tentativa de sobreviver ao que estamos vivendo.

Pequenas e micro empresas, que antes atendiam apenas as pessoas em seu entorno, hoje se aventuram e tentam se tornar digitais, oferecendo seus produtos e serviços por e-commerce. É uma verdadeira revolução digital que trará benefícios para muitos, como redução de preços, devido à desmobilização de escritórios e infraestrutura e redução de todo tipo de custos fixos.

Obviamente, quem não conseguir se adaptar, terá grandes problemas.

Novas competências são necessárias

Muitos que começaram a trabalhar em casa vão perceber que sua qualidade de vida melhorou, pois o tempo que perdiam no trânsito foi minimizado. As pessoas poderão almoçar em casa, de forma mais saudável, e tirar uma soneca após o almoço, além de outras mudanças que, provavelmente, vamos descobrir apenas quando entendermos e nos acostumarmos com tudo que estamos passando.

Porém, para estar nesse novo normal, as pessoas devem ter muito mais que um bom currículo. Precisarão ter perfil agile, disciplina, resiliência e adaptabilidade para conjugar os mundos pessoal e profissional com eficiência.

Além disso, será necessário ser capaz de observar o mercado e entender as tendências – isso porque, como dito anteriormente, é provável que ainda nem tenhamos iniciado as mudanças mais radicais.

Pessoas e empresas vão mudar, o que trará significativas mudanças nos comportamentos de todos. Isso implica em novos desejos e necessidades, que vão forçar o desenvolvimento de novos produtos e serviços para solucionar os problemas recém-surgidos. E quais são eles? Ainda não sabemos, e é por isso que os profissionais terão que se antecipar a estas mudanças, buscando exercitar a empatia para entender o que as pessoas querem e precisam.

Temos que ter em mente que, nesse intervalo, por exemplo, filmes, séries e outras fontes de entretenimento deixarão de ser produzidas. Isso vai criar um gap para novas oportunidades, e compreender e enxergá-las será necessário aos novos profissionais.

Haverá uma complexidade maior, pois tudo é novo e ainda não sabemos o que virá. Não existe nenhum best case para nos basearmos. Portanto, a capacidade de solucionar problemas complexos de forma criativa será mandatória.

O mindset inovador tende a ser, cada vez mais, uma condição para aqueles que querem manter-se no mercado.

 

Tudo vai mudar e continuará mudando. Os profissionais precisam dar não mais os seus 100%, mas 150%, tornando-se mais ágeis, comprometidos, proativos e capazes de compreender a mudança como uma rotina.

Parece assustador? Sente-se despreparado? Mas o que esperar após uma pandemia global? Talvez, para alguns, tudo isso pareça ser um pesadelo. Na realidade, esse é o novo normal.

Quer saber mais sobre futuro do trabalho? Então descubra o que é reskilling e qual é a sua importância.