A baixa representatividade de mulheres na tecnologia ainda é gritante. Entenda as causas e a importância de reverter esse quadro

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), do IBGE, de 2016, apenas 20% das vagas da área de tecnologia no Brasil são ocupadas por mulheres. A proporção é pequena, e, já que estamos pensando em mais diversidade para as empresas em 2021, esta é a hora de colocar em pauta a equidade de gênero na contratação de talentos.

O setor de tecnologia é um dos que tem esse gap mais evidente – e é inegável associar a divisão de profissões à forma como criamos meninos e meninas para escolherem o que vão fazer no mercado de trabalho no futuro. Aqui, traremos novas chaves para você descobrir como tratar o tema da baixa representatividade feminina nestes postos e a importância de reverter esse quadro.

Por que ainda é raro termos mulheres na tecnologia?

É comum que, ao pensarmos em funções que envolvem o desenvolvimento e a aplicação de tecnologias, apareça em nosso inconsciente a imagem de um jovem, ágil e antenado, que por vezes tem o perfil do que se chama de nerd. São muitos reforços midiáticos nesse sentido; séries, filmes e até a produção de conteúdo na internet replicam esse estereótipo e podem afastar meninas que teriam interesse pelo conteúdo, mas não se sentem representadas, por exemplo.

Isso se reflete no mundo real: de acordo com dados globais da ONU Mulheres, em 2018, 18% dos títulos de graduação em Ciências da Computação eram de mulheres e apenas 25% da força de trabalho da indústria digital no mundo era feminina. O órgão indica como motivação para as baixas porcentagens, entre outras, a questão de meninas e mulheres serem constantemente responsabilizadas por mais afazeres domésticos do que os meninos e homens, o que por vezes as retira da vida economicamente ativa e interrompe planos profissionais. Mas não se resume a esse fator; faltam investimento e incentivo prático para que elas também estejam no mercado de trabalho da tecnologia, que tem em si muitas das oportunidades de trabalho no futuro.

Obstáculos

Para as mulheres que se interessam por tecnologia ou por conhecimento em exatas, os obstáculos podem surgir desde cedo: ao separar o que é brincadeira de menino e de menina, eles podem ficar mais concentrados em jogos de raciocínio, engenharia, videogames e computadores, enquanto que, para elas, são direcionadas atividades de cuidar de bonecas, ler ou brincar em casinhas.
O direcionamento tende a permanecer nos bancos escolares; e, na faculdade, a questão se agrava, já que muitas vezes os cursos são majoritariamente frequentados por homens.

As dificuldades nesses espaços desencorajam as profissionais que querem atuar no setor tech e ilustram o quanto a disparidade de gênero pode ser reparada na etapa das contratações. Mesmo que a demanda seja urgente, cabe tentar buscar outros pools de talento mais diversos, para não recair na seleção de candidatos majoritariamente feita com homens.

Mulheres que fazem história na tecnologia

Nina da Hora

Cientista da computação, Nina da Hora é uma mulher negra que inspira outras profissionais a “hackearam” o sistema e produzirem e consumirem conteúdo sobre tecnologia. Ela é criadora do podcast Ogunhê, em que dá visibilidade às contribuições dos cientistas do continente africano.

Bia Granja

Cofundadora do Youpix, plataforma que discute a cultura da internet, Bia Granja é referência no setor de produção para web. Vale seguir suas realizações nas redes sociais. O Youpix tem várias frentes: é uma consultoria de negócios em Influence Economy e também promove um dos eventos sobre mercado de influência.

Camila Achutti

Uma das fundadoras da plataforma de educação em tecnologia Mastertech, que realiza cursos nas áreas de tecnologia emergentes e negócios digitais. Para a revista Forbes, ela disse que descobriu a tecnologia como “uma grande aliada para mudar o mundo.”

Como empresas podem garantir um ambiente acolhedor para mulheres na tecnologia?

Contrate mais de uma

A contratação de mulheres no setor não deve se limitar a poucas funcionárias. Ou seja, aposte na presença de várias mulheres, para que elas se sintam representadas e fortalecidas no dia a dia corporativo.

Promova conversas sobre diversidade

Ainda que os profissionais estejam em home office, a empresa pode realizar treinamentos sobre diversidade no setor, explicando temas que provocam reflexões sobre machismo e os desafios que as mulheres enfrentam no caminho profissional. Líderes e RH devem ficar atentos às questões de convivência entre homens e mulheres no trabalho, evitando situações discriminatórias por gênero.

Ouça o que elas têm a dizer

A identificação de “ambientes tóxicos”, as dificuldades para se impor em decisões em grupos masculinos podem fazer parte da realidade feminina em empresas de tecnologia. Mais uma vez, é fundamental escutar sobre essas questões para acolher e respeitar as funcionárias.

Iniciativas para apoiar mulheres na tecnologia

Há uma série de programas para colocar mais mulheres na tecnologia.

  • A InfoPreta é uma empresa que alia projetos sociais de impacto com geração de lucros para mulheres, negros e pessoas LGBTQIA+. O principal serviço é de manutenção de hardware e software de computadores.
  • Unir esforços para que os ambientes de tecnologia também tenham presença feminina faz parte da proposta do Mulheres em Inovação Negócios e Artes (M.I.N.A.S). O programa do Porto Digital, parque tecnológico de Recife, em Pernambuco.
  • Já a PrograMaria é uma entidade que produz conteúdo e promove debates sobre a ausência feminina no segmento; o grupo também coloca a mão na massa realizando eventos de programação para elas.

 

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