Qual é o melhor modelo de gestão de pessoas para a sua empresa? Confira dicas e sugestões

Há uma série de modelos de gestão coexistindo no mercado de trabalho, tais como hierárquico, por competências e horizontal. Encontrar o melhor formato para a sua empresa não é tarefa fácil, já que depende muito do setor que atua, assim como de valores e propósitos.

Para ajudá-lo nessa tarefa, falaremos sobre a evolução da gestão de negócios e de pessoas ao longo da história, assim como detalharemos os principais modelos, cada qual suprindo as necessidades da organização. Boa leitura!

O que é modelo de gestão?

De maneira mais simplificada, modelo de gestão é uma forma de administrar. É como as organizações tomam decisões sobre recursos disponíveis – financeiros, materiais e humanos – para atingir seus objetivos.

Assim, podemos dizer que modelos de gestão são normas e princípios que orientam gestores na escolha das melhores alternativas para administrar empresas.

Gestão de negócios e pessoas, o começo

Tendemos a reconhecer como únicos os modelos de gestão de negócios e pessoas contemporâneos. No entanto, ignoramos a longa lista de organizações – públicas e privadas – bem-sucedidas da história. Muitas empresas de destaque executaram procedimentos impressionantes de desenvolvimento de liderança que, hoje, são considerados ultrapassados.

Na verdade, os conceitos de administração e liderança surgiram há muito tempo, com o advento das civilizações. Para reinar e oferecer proteção aos cidadãos, faraós e reis precisavam cobrar impostos. Eles não eram capazes de executar essas tarefas básicas sem um gerenciamento e uma liderança para dividir papéis e responsabilidades no reino. Os primórdios, portanto, da gestão começam na evolução das primeiras comunas e no crescimento das sociedades antigas.

Indícios mostram que as primeiras práticas bem-sucedidas de RH na história ocorreram nos exércitos. Eles exigiam uma boa organização de cargos e tarefas, mesmo que usassem mão de obra sem educação formal.

Do departamento pessoal ao RH moderno

A história da evolução do RH começa com a Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra. Nela, a fundação de grandes fábricas aumentou significativamente a demanda por força de trabalho e o rápido desenvolvimento de novas invenções e abordagens mudou drasticamente o mundo.

A produção acelerada e barata se tornou uma prioridade para muitas indústrias. Para dar conta da demanda, as fábricas contrataram milhares de trabalhadores, homens, mulheres e crianças, que produziam por até 16 horas por dia.

Não demorou muito para que fossem observadas as consequências negativas das longas jornadas para trabalhadores e empresas, dada a baixa produtividade nessas condições. Os governos começaram a intervir para implementar direitos humanos fundamentais pela legislação de segurança do trabalho.

As organizações foram, então, obrigadas a criar o departamento pessoal que tinha um viés mais burocrático e de serviço. A área lidava com todas as questões relacionadas aos funcionários e era responsável pelo cumprimento total dos requisitos legais recém-introduzidos.

Modelos de gestão de pessoas e negócios

Da Primeira Revolução Industrial aos dias de hoje, observamos a evolução dos negócios e do ambiente de trabalho orientada por exemplos distintos de administração. A adesão de modelos de gestão de pessoas pelas empresas é orientada a partir de diferentes elementos, sendo os principais:

  • Princípios
  • Políticas
  • Processos
  • Estrutura
  • Estilo gerencial
  • Indústrias em que atuam

Em alguns casos, dada a diversidade de elementos que orientam as empresas, é possível que uma organização apresente características de mais de um modelo de gestão ao mesmo tempo, os quais passamos a destrinchar nos próximos tópicos:

Gestão autoritária, autocrática ou vertical

Trata-se de um modelo no qual a pessoa que é gestor assume as responsabilidades individualmente e a equipe, em tese, fica isenta caso ocorram falhas e problemas estruturais nos processos, pois a tomada de decisão veio de cima para baixo. É o famoso “manda quem pode e obedece quem tem juízo”.

Neste modelo, a equipe não tem muita voz, porque a tomada de decisão tende a ser cascateada top to down.

Modelo de gestão flexibilizado

Embora mantenha alguns aspectos de uma estrutura verticalizada e hierárquica, este tipo de gestão permite maior participação dos colaboradores nas tomadas de decisão.

Práticas como delegação de tarefas, feedbacks constantes e reconhecimento das conquistas da equipe estão presentes em empresas que adotam o modelo flexibilizado de gestão de pessoas.

Gestão por desempenho

O modelo de gestão por desempenho se baseia em aprimorar a performance dos colaboradores com o objetivo de alcançar os resultados da empresa.

Pela aprendizagem e desenvolvimento individual de cada funcionário, nesse tipo de gestão, é possível atingir bons resultados com o aproveitamento do capital humano.

Gestão por competências

No modelo de gestão por competências, a habilidade de cada colaborador é identificada e maximizada a favor da equipe e dos negócios. Esse tipo de gestão leva em consideração as habilidades técnicas e comportamentais, dos colaboradores.

Nesse formato, as empresas entendem que é muito melhor reter as qualidades do profissional e oferecer feedbacks e treinamentos para que ele mude pontos negativos, ao invés de demiti-lo de imediato e tentar encontrar um funcionário melhor qualificado.

Gestão por cadeia de valor

A frase “agregar valor ao seu negócio” define muito bem esse modelo de gestão, pois é baseada em atender às necessidades e às expectativas de cada cliente.

É como se fosse um serviço mais personalizado, pois a empresa se adequa àquela realidade e elabora todo o planejamento pensando nas demandas específicas do consumidor. Nesse modelo, o profissional precisa ser versátil e se adaptar facilmente às diferentes rotinas.

Modelo de gestão horizontal

Na esteira da globalização e do surgimento de start-ups que se tornaram, em pouco tempo, gigantes da tecnologia, observamos um boom de teorias administrativas modernas dispostas a lidar com motivações diversas e força de trabalho plural. Entre elas, está a gestão horizontal, praticada na VAGAS.com.

Ela quebra o formato de verticalização das estruturas, como em outros modelos aqui previamente analisados. Em uma organização vertical, por exemplo, as decisões vêm sempre de cima para baixo, seguindo a hierarquia. Os colaboradores recebem um conjunto de orientações a seguir e devem trabalhar de acordo com o que lhes é proposto.

Por outro lado, as organizações horizontais capacitam seus funcionários a tomarem decisões operacionais diárias. Nessa estrutura, há autonomia de funcionários, que podem agir de acordo com o que entendem ser melhor no ambiente de trabalho, em relação a horários, comportamento, processos estruturais, entre outros – desde que haja um consenso com o resto da equipe.

Porém, nada deve ser desordenado. Ao mesmo tempo que a independência é vista com bons olhos, a responsabilidade aumenta.

As principais características desse modelo de gestão são autonomia com o estabelecimento de metas, forte colaboração e comunicação entre os colaboradores da empresa.

Como é a gestão horizontal na prática?

Para Ligia Lotério, especialista em SEO da VAGAS.com, a gestão horizontal ajuda a ressaltar o desígnio da empresa. “Todos trabalham guiados pelo propósito, e não apenas com o intuito de ganhar um salário ou agradar chefes”, diz.

Na visão da profissional, é estimulante atuar em uma empresa horizontal, já que permite a criação de objetivos verdadeiros e promove respeito mútuo entre funcionários.

A especialista em SEO também ressalta a independência de profissionais como um lado positivo da gestão horizontal. “É um modelo que dá muita autonomia para funcionários, mas requer proatividade, porque, afinal, você não tem quem te dê ordens”.

Sem hierarquias e comandos, o modelo funciona como um grande indutor de colaboração e aprendizagem entre profissionais. “A troca de conhecimento não acontece só de cima para baixo, como no modelo vertical”, afirma Ligia.

Desta forma, destaca a executiva, o colaborador se coloca em uma posição mais humilde de aprender com colegas, independentemente, de cargos, “Isso fortalece a amizade, o ‘vamos aprender juntos’ e o ‘vamos crescer juntos’. Não há clima de rivalidade”, destaca.

Como escolher o melhor modelo de gestão para sua empresa?

Um modelo de gerenciamento envolve escolhas no nível mais fundamental sobre a administração da empresa.

Essas decisões moldam as práticas e comportamentos específicos da companhia. Como esses princípios são invisíveis e raramente explicítos, muitas vezes é difícil selecionar um modelo de gestão de pessoas que considere os seguintes tópicos:

  • Valores e ideais pessoais
  • Personalidade de gestores
  • Metas de produção da empresa
  • Tamanho da equipe
  • Perfil de profissionais liderados
  • Cultura organizacional
  • Políticas internas da empresa
  • Cenário socioeconômico
  • Competitividade do mercado

 

Ao entender os princípios de gestão que operam dentro das empresas e as alternativas, é possível fazer alterações conscientes e enormemente benéficas. No entanto, para isso é preciso considerar os seguintes temas:

Escolha consciente

Não existe o “melhor modelo de gestão”, assim como não há um conjunto antigo de princípios que precise ser substituído por um novo. Em vez disso, existem escolhas a serem feitas. Portanto, a decisão mais apropriada depende de fatores circunstanciais e competitivos.

Vantagem competitiva

Lembre-se: as empresas que geram vantagem competitiva a partir de seu modelo de gestão são aquelas que fazem escolhas conscientes e distintas sobre quais princípios seguir.

Forças do mercado

Três forças do mercado estão fazendo com que as empresas se familiarizem com problemas relacionados à gestão de pessoas como nunca haviam feito. Uma é a mudança de expectativas dos colaboradores, principalmente os funcionários das gerações Y e Z, que exigem locais de trabalho mais humanos, flexíveis e divertidos.

A segunda é a mudança tecnológica e, em particular, o surgimento de tecnologias “Web 2.0”, que permitem a colaboração entre pares e a transferência de informações de maneiras que eram impossíveis há 10 anos.

E o terceiro é o surgimento de novos concorrentes, geralmente de economias emergentes, como a Índia, que não partem necessariamente dos princípios tradicionais de gerenciamento que as economias ocidentais consideram padrão. A inovação do modelo de gestão não é um conceito novo, mas seu valor potencial nunca foi maior.

Modelos de gestão do futuro

Especialistas em gestão de pessoas e futurologistas apontam que modelos mais autônomos e colaborativos ganharão destaque nas organizações.

O que se sabe é que o futuro dos Recursos Humanos está repleto de desafios e, talvez, novos modelos de gestão de pessoas ainda serão criados para dar conta dos novos tempos. Mas este debate, certamente, fica para um outro post!

Quer saber mais sobre gestão horizontal e como ela se diferencia dos demais modelos de gestão? Que tal, então, ler também a reportagem Uma Empresa Sem Chefes – Por Dentro da Gestão Horizontal ?