Mulheres que trabalham no RH relatam os sabores e dissabores do isolamento social

“Desafiadora” é a palavra mais usada pelas mães para retratar o contexto que estão vivendo devido ao isolamento na pandemia por coronavírus. Elas precisam ser mães, executivas, donas de casa, esposas, educadoras e equilibristas. Tudo isso ao mesmo tempo e, se possível, sem deixar nenhum prato cair.

A área de Recursos Humanos, uma das poucas que contam com alta presença feminina, ainda teve de se reinventar para continuar fazendo a gestão de pessoas e contratando na quarentena, principalmente adaptando-se ao recrutamento online dentro de um contexto totalmente diferente.

“Foi necessário readaptar toda a rotina para atuar nesse novo contexto. Mas, em alguns dias, não ter rotina, acaba sendo a melhor opção”, brinca Nadjane Oliveira, gerente de RH do Grupo Soulan. Ela é mãe do Davi, de três anos, e conta que está vivendo um dia de cada vez.

“Avaliar dia após dia e adotar uma nova forma de lidar com o que não foi tão bom é um exercício que tem funcionado”, diz a executiva de RH.

Para ela e outras mães que trabalharam no RH, esse é um momento que demanda muito Amor, Paciência e Resilência, com letra maiúscula mesmo.

Mãe ao lado de seus filho
Arquivo pessoal/Nadjane Oliveira

Filhos mais responsáveis

Luciana Calegari, executiva de RH da VAGAS.com, também narra uma rotina na qual precisa equilibrar todas as funções. Mãe de duas crianças, Lorenzo, com 6 anos, e Benício, com 2 anos, ela já estava acostumada a trabalhar em home office, mas não com filhos, maridos e afazeres domésticos.

“Como não podíamos estar de olhos nas crianças em todos os momentos, tivemos de flexibilizar as regras.”

No início do isolamento social, Luciana e o marido se adaptaram bem à nova realidade por meio de uma justa divisão de tarefas: enquanto um trabalhava, o outro cuidava das crianças. Mas chegou um momento no qual tudo mudou.

“A situação, de uma certa maneira, diminuiu a nossa produtividade, não pelo tempo que passávamos no trabalho, mas pelas constantes interrupções”, explica.

Nesse momento, Luciana conta que teve de flexibilizar algumas regras da casa: “Sempre prezamos muito a nossa rotina de horários para comer, dormir, etc, mas como não podíamos estar de olhos nas crianças em todos os momentos, tivemos de flexibilizar as regras”.

Eis que a executiva percebeu que essa liberdade gerou, sem querer, o senso de responsabilidade nos filhos, em especial, do mais velho, que ajuda o irmão, em época de desfralde, a ir ao banheiro.

Até festa de aniversário para os pais, Lorenzo e Benício prepararam. “Eles prepararam uma apresentação, cantaram uma música, fizeram desenho com assinatura, arrumaram a mesa com doces e ficaram super felizes de proporcionar esse momento para a gente”, relata.

 

Arquivo pessoal/ Luciana Calegari

Tarefas domésticas

Mãe de três adolescentes, sendo duas gêmeas, Geni Lourenço, head hunter do GrupoSITI, conta que o contexto da Covid-19 a obrigou a se adaptar a algumas atividades domésticas que não estava acostumada. “Não temos mais ninguém para nos auxiliar nessas tarefas, então a rotina de preparar diariamente as refeições teve de ser absorvida ao meu dia a dia”, desabafa.

Mas ela conta que “as meninas” estão colaborando nessa fase de transição. “Todas ajudam na faxina aos finais de semana e, assim, vamos tocando a nova vida, nesse novo mundo”, ressalta.

mãe ao lado de suas três filhas
Arquivo pessoal/Geni Lourenço

Mais proximidade com a família

“Precisei aumentar a minha jornada. Levanto às 5h e preparo o café da manhã para já começar a trabalhar. Às 12h, faço uma paradinha para preparar o almoço, e retorno ao trabalho às 14h. Vou parar de trabalhar só por volta das 19h para jantar. Então, das 20h às 21h faço meus cursos online”, descreve Geni.

“Agora, tenho a oportunidade de acompanhar o desenvolvimento do meu filho bem de perto”.

A jornada estendida, quase sem pausas, não é exclusividade da quarentena, mas evidenciada por ela, especialmente quando não há apoio do(a) companheiro(a).

“É gostoso estar na casa com eles [filhos], por mais que seja difícil”, diz Luciana, da VAGAS.com.

Apesar de todos os sacrifícios e perrengues, o isolamento trouxe alguns benefícios às mães. “Agora, tenho a oportunidade de acompanhar o desenvolvimento do meu filho bem de perto. Pretendo continuar dedicando tempo a isso quando a pandemia acabar”, relata Nadjane Oliveira.

Luciana Calegari também disse que irá arrumar um jeito no mundo pós pandemia para ser mais presente na vida de seus filhos. “Eles ficavam na escola em tempo integral, mas agora posso fazer home office com eles em casa. Minha ideia, depois da quarentena, é dedicar dois dias, à tarde, para eles crianças”.

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