Como as novas tecnologias e a personalização da experiência moldaram a evolução do RH nos últimos anos

De gestor tático de burocracias à líder estratégico de políticas de colaboradores: assim pode ser resumida a evolução do RH nos últimos dez anos. Porém, atualmente o papel da área de gestão de pessoas nos negócios é ainda mais complexo.

Entenda quais foram os obstáculos e os desafios percorridos pela área de gestão de pessoas na última década e como ela teve de se reinventar com a chegada de novas gerações e de tecnologias para a gestão do capital humano.

Como a sociedade mudou em uma década?

O que você fazia há dez anos? Certamente, não estaria lendo esse artigo pela tela do celular. O mundo era um lugar muito diferente em 2010: não pedíamos táxi pelo smartphone, consultávamos nossa conta bancária em terminais ou no máximo em desktops. A versão mobile de nossas vidas era limitada às ligações e mensagens de SMS.

À época, o iPhone surgia em suas primeiras versões, mas poucos brasileiros tinham acesso à tecnologia. A economia nacional seguia crescendo, enquanto o mundo estava se recuperando de uma quebra no mercado global de ações. E outra novidade começava a demonstrar sua força no mundo: o Facebook. A princípio, tratava-se apenas de uma rede social usada por estudantes universitários – hoje, depois de sua popularização em massa –, a rede enfrenta sérias acusações éticas e declínio de engajamento.

De lá para cá, quantas mudanças! E à medida em que o mundo foi se transformando, a atuação da área de Recursos Humanos também teve de se remodelar. Longe de ser uma ciência exata, a evolução do RH é constante, especialmente nos dias de hoje quando as novas tecnologias causam mudanças drásticas na maneira como vivemos, trabalhamos e contratamos.

Evolução do RH do tático ao estratégico

Há algumas décadas, o RH era visto como uma função indireta, focada em garantir que os processos de negócios, como contratação, remuneração e relações com os funcionários, fossem executados. As funções básicas de RH permanecem importantes, mas não são mais suficientes.

Um processo que já vem acontecendo há algumas décadas, mas que se acelerou nos últimos anos com a Revolução 4.0, foi a transformação da força de trabalho, que ficou mais focada em serviços. O fato exigiu que o RH passasse de função centrada em processos para atividade voltada aos colaboradores.

A compreensão das necessidades, vontades e motivações de uma força de trabalho diversificada e multigeracional levou à evolução do RH, que visa atrair e reter funcionários de alto desempenho, mas a batalha pelos melhores talentos se acelerou com a dificuldade de encontrar profissionais na área de TI.

O ambiente de negócios competitivo e a globalização exigem que as iniciativas de mudança da força de trabalho sejam baseadas e integradas às estratégias de negócios, dando a mais líderes de RH um assento privilegiado ao board.

É tudo sobre a experiência

Não é de se surpreender que, em um mundo no qual as pessoas buscam cada vez mais experiências personalizadas, também seja esperado que a evolução do RH adote uma abordagem mais customizada. Percebendo isso, as empresas começaram a melhorar a prática e a convivência dos colaboradores, do recrutamento e integração, ao alcance de novos desafios na organização.

Portanto, a área de gestão de pessoas atual teve seu viés burocrático de processos desacelerado. Hoje, o RH tem um papel mais relevante na organização. É função da área entender as necessidades de cada funcionário, criar ótimas experiências para eles e traduzir tudo isso em bons indicadores para o negócio.

E isso passa pela mudança de pensamento de toda a organização, não só do RH. O colaborador deixa de ser mais um número na empresa e passa a ter nome e sobrenome. Os processos que eram unificados passam a ser personalizados. Enquanto o João, do TI, quer trocar o vale-alimentação pelo vale-cultura, a Ana, do marketing, quer ter seu benefício de transporte transferido para um vale-educação.

Qual é o papel da tecnologia nessa mudança?

Essa personalização, em partes, só é possível graças às novas tecnologias. Se o departamento pessoal com preenchimento de planilhas de Excel e fichas de inscrição jamais seria capaz disso, quem dirá o RH artesanal, com folhas de fichário, caneta, máquina de escrever e calculadora.

Muitas das tecnologias – consideradas, há dez anos, o futuro – se tornaram quase commodities em empresas. Entre esses casos estão os softwares de controle de ponto, sistemas de benefícios e até algumas plataformas de R&S que não se inovaram.

Por isso, é vital ao RH estar na vanguarda do uso de novas ferramentas digitais de trabalho. As gerações Z e Y são sedentas por inovação. Pedir, por exemplo, que um recém-formado em gestão da tecnologia se inscreva em um processo no qual terá de responder um formulário de mais 50 minutos no desktop – não prevendo a versão mobile do questionário – pode ser a sentença de fracasso de seu processo de R&S.

Por outro lado, um processo gamificado, no qual o candidato terá de testar, na prática, algumas habilidades adquiridas durante o curso e a convivência com os colegas, pode ser a chave do sucesso. E para criar essa experiência do candidato é preciso investir em novas tecnologias. A citar: inteligência artificial, people analytics, mídias sociais e realidade virtual e aumentada. Todas essas ferramentas, combinadas, auxiliam o RH estratégico a atrair e reter novos talentos.

Novo perfil de profissionais

Portanto, a área de gestão de pessoas deve ter funcionários experientes em tecnologia que estejam familiarizados e saibam usá-las de forma estratégica, bem como com colaboradores de diferentes áreas de atuação, como marketing, tecnologia e Ciências Exatas. Essa combinação de habilidades cria o ambiente ideal para uma vantagem estratégica na busca e retenção dos profissionais disputados no mercado de trabalho.

Quais foi a evolução do RH que você notou na última década? Não deixe de expressar suas impressões nos comentários. Aproveite ainda para ler sobre o impacto da área de gestão de pessoas no mundo.