Entenda a definição da entrevista semiestruturada e quais as maneiras de melhor executá-la

Quando o assunto é processo seletivo, há diversos jeitos e abordagens possíveis para conduzir cada uma das etapas. Um dos mais utilizados pelos profissionais de recrutamento e seleção é a entrevista semiestruturada.

Sendo um misto entre uma conduta mais rígida e uma totalmente espontânea, esse tipo de conversa carrega características dos dois lados, sendo, ao mesmo tempo, flexível e disciplinada.

Continue lendo e saiba mais sobre a entrevista semiestruturada, suas vantagens e qual é sua aplicabilidade.

Afinal, o que é a entrevista semiestruturada?

Largamente utilizada pelos profissionais de R&S, a entrevista semiestruturada é o método que exige certa preparação do entrevistador, mas que também lhe dá abertura na conversa com o candidato.

Isso quer dizer que, diferentemente da entrevista não estruturada, aqui, o recrutador cria um guia de perguntas que contempla todos os pontos que deseja abordar e que julga importantes para conhecer e avaliar melhor os candidatos.

Simultaneamente, ele tem a liberdade para fazer perguntas que estejam fora do guia, não fazer todas as questões e trocar a ordem delas, por exemplo. A entrevista semiestruturada se posiciona no meio termo entre os dois extremos

Isto é, ao mesmo tempo que a pauta direcionada se faz presente, a flexibilidade também existe. Isso permite que tanto entrevistador quanto entrevistado fiquem mais à vontade e que um clima que poderia ser muito formal, e até inferir na performance do candidato durante a conversa, seja amenizado.

Características

Agora que você já sabe o que é a semiestruturada é uma mistura da entrevista estruturada com a não estruturada, vamos pontuar algumas de suas principais características. Assim, como profissional de RH, você conseguirá colocar na balança quais delas podem trazer benefícios para a sua empresa no momento de recrutar e selecionar os candidatos ideais.

Extrai o melhor do candidato

Por ter a liberdade de questionar pontos que não estão em seu roteiro e de acordo com as falas de cada candidato, o recrutador consegue fazer direcionamentos personalizados em cada entrevista, visando obter as informações mais relevantes para a avaliação posterior.

Sabendo fazer bom uso da flexibilidade, a angariação de dados pode ser potencializada e o resultado será a avaliação mais assertiva – e, portanto, a contratação mais efetiva e consciente.

Flui melhor para os dois lados

A flexibilidade da entrevista semiestruturada permite que tanto o entrevistador pergunte o que lhe interessa quanto que o candidato se sinta à vontade para falar mais abertamente de suas experiências e se colocar como pessoa ideal a ser contratada.

Isso acontece porque a conversa tende a tomar rumos mais informais e soltos do que uma entrevista 100% engessada permitiria. Com todos mais à vontade, candidato e empresa ganham em informações passadas e na fluidez do papo.

Clima da conversa fica mais leve

Podendo perguntar o que realmente interessa, pelo lado do recrutador, e podendo responder mostrando sua melhor performance, pelo do candidato, a conversa mais informal ganha um tom mais ameno e um clima mais leve.

Dessa forma, com o candidato mais tranquilo, porque nota que a entrevista não tem formato tão rígido, o clima fica mais propenso para que ele consiga expor melhor suas ideias, seus valores e suas experiências.

Quando fazer?

A abordagem da entrevista semiestruturada pode ser aplicada para a análise de candidatos de diferentes cargos, desde os mais operacionais até os mais estratégicos. Isso porque ela permite que o recrutador conheça mais do comportamento e das experiências da pessoa.

Essas informações são fundamentais para qualquer posição, uma vez que o ideal é que todos os colaboradores tenham fit cultural com a empresa e compartilhem valores semelhantes.

Em todos os casos, a principal recomendação é que a empresa conte com um profissional de R&S que saiba conduzir esse tipo de entrevista, uma vez que ela permite desvios ao mesmo tempo que exige certa preparação.

Vantagens

Como todas as formas de entrevista, a semiestruturada conta com vantagens e desvantagens. As principais vantagens são:

Entrevistas bem-orientadas

A primeira vantagem da entrevista semiestruturada é o senso de direcionamento que ela traz. Como o entrevistador pensará e elencará previamente quais as questões ou os tópicos que devem estar presentes na conversa com os candidatos, ele já tem alguma noção de como conduzir a entrevista.

Já tendo feito esse levantamento, o profissional se sente mais preparado e consegue tirar mais proveito das informações que reúne. Isso, depois, fará com que a análise de perfil das pessoas seja mais assertiva.

O direcionamento, portanto, traz a maior possibilidade de contratar o candidato ideal para o cargo em questão.

Espaço para flexibilidade

Com o direcionamento, a flexibilidade é outra vantagem que se faz presente nesse tipo de entrevista. É muito importante que se tenha o planejamento dos tópicos a serem discutidos e das perguntas a serem feitas.

Porém, também é necessário que haja a liberdade de pular uma ou outra pergunta quando um questionamento mais efetivo surge, por exemplo. A junção de direcionamento e flexibilidade culmina no ponto de equilíbrio ideal para a condução das entrevistas.

Extração de todos os dados necessários

No decorrer das entrevistas, os candidatos falam de suas experiências e isso pode gerar outras perguntas para os recrutadores. Como eles têm a liberdade para fazê-las, a entrevista semiestruturada permite que o recrutador explore mais a fundo algum ponto que é de interesse para a empresa e para o cargo a ser ocupado.

Se estivesse em um formato menos flexível, essas informações, que são relevantes para a escolha do profissional, não chegariam até o profissional de R&S e isso poderia comprometer a escolha mais acertada.

Por isso, outra vantagem da entrevista semiestruturada é a qualidade dos dados extraídos durante as conversas, já que a intervenção do recrutador é direta.

No entanto, apesar de todas essas vantagens, a entrevista semiestruturada também tem alguns pontos não tão positivos e que devem ser levados em consideração no momento da escolha da adesão ou não do formato.

Desvantagens

Abaixo, você encontra algumas das desvantagens do método:

Necessidade de um expert

Por ter seus momentos mais soltos, a entrevista semiestruturada necessita de um profissional que tenha experiência e confiança para conduzi-las.

Isso porque, além da sagacidade para fazer os questionamentos certos nos momentos adequados, é necessário que se tenha o jogo de cintura para ser, ao mesmo tempo, empático com o candidato e imparcial.

Isso quer dizer que a expertise trará ao recrutador alguns modos eficientes de conduzir a entrevista, não mostrando ao candidato que existe a tendência de aprovar ou desaprovar esta ou aquela fala.

Por isso, para colocar a entrevista semiestruturada em prática, será necessário alguém com certa prática em condução de processos seletivos e que tenha em mente as melhores estratégias da metodologia.

Análise mais cautelosa e demorada dos dados

As respostas trazidas pelos candidatos nesse tipo de entrevista são mais abertas e, por isso, demandam mais tempo de análise.

Por não se tratar de números que um computador pode processar e entregar o resultado da melhor performance, o estudo de cada conversa exigirá mais tempo dos entrevistadores – antes, durante e depois da entrevista.

Então, a demanda de maior tempo e a dedicação mais árdua também são fatores que devem ser considerados para a escolha ou não da abordagem.

Como fazer

Para que o método dê certo e traga bons resultados para a sua análise, é preciso tomar algumas medidas.

Tendo-as em vista, o processo seletivo com a entrevista semiestruturada será muito mais proveitoso.

Planeje-se para a entrevista

O primeiro passo acontece antes mesmo da entrevista. É de suma importância que haja um planejamento de como ela acontecerá e quais temas devem ser abordados. Assim, você terá um guia para se basear e se sentirá mais seguro para conversar com o candidato.

Também considere que, caso você fuja um pouco do seu roteiro, tendo um planejamento fica mais fácil voltar retomar os tópicos que você ainda não abordou e que devem ser conversados. Isso garante que nenhuma pergunta essencial ficará de fora.

Lembre-se de sua expertise

É importante que você se lembre de que você sabe o que está fazendo e que sabe conduzir esse tipo de entrevista. Assim, você passa ao candidato a sua tranquilidade durante o processo e faz com que ele também fique mais à vontade.

Além disso, caso o recrutador se mostre nervoso ou despreparado, as chances de haver interferências tanto na angariação de dados quanto na análise da postura e do comportamento do candidato são maximizadas.

Portanto, é essencial que, além do profissional que conduzirá a entrevista esteja preparado, que ele tenha tal consciência e aja de tal forma, visando aos bons resultados da entrevista.

Faça anotações dos dados

Geralmente, são várias as entrevistas que acontecem e é impossível lembrar dos detalhes de todas elas.

A recomendação é que durante o processo você tome as notas necessárias. Avise o candidato, previamente, que você está prestando atenção em tudo o que ele fala e que, eventualmente, poderá tomar uma nota ou outra.

Assim que a entrevista se encerrar, faça seu dossiê. Com as informações frescas na memória, as chances de dados importantes serem esquecidos são menores.

Analise o perfil de cada candidato em sua individualidade

Optando por essa abordagem, você e os tomadores de decisão do processo seletivo terão de fazer a análise individual dos candidatos, já que cada conversa tomará um rumo e cada candidato responderá algo diferente do outro.

Por esses dados não serem passíveis de quantificação e sim de qualificação, o trabalho de estudo deles demandará o olhar individualizado de quem estiver envolvido nas entrevistas.

Desse modo, é essencial que cada candidato seja visto e avaliado desde a sua trajetória, da sua evolução durante o processo e da sua performance.

Perguntas da entrevista semiestruturada

Para trazer a entrevista semiestruturada para uma atmosfera mais real e palpável, selecionamos algumas perguntas que podem ser feitas aos candidatos.

Qual foi seu maior desafio profissional?

Aqui, o candidato terá espaço para falar de algum obstáculo que ele teve de superar. Isso, geralmente, envolve alguma situação difícil e que lhe exigiu certo jogo de cintura para conseguir resolver.

Com isso, você poderá avaliar o quão flexível o candidato é e como ele reage diante de situações adversas.

O que você aprendeu com esse desafio?

Com essa pergunta, você entenderá se o candidato conseguiu extrair algum ensinamento da situação que ele viveu.

Isso é muito relevante, uma vez que, em nosso dia a dia, os acontecimentos que fogem do percurso planejado são comuns. O ponto é como lidamos com isso e como vamos encarar outras situações daquele momento em diante.

Em que situação conseguiu aplicar tais aprendizados?

Mais do que aprender alguma coisa no plano das ideias, o mais legal e produtivo é quando conseguimos levar esse novo conhecimento à prática.

Questionando isso ao candidato, você poderá aferir se ele realmente está disposto a evoluir e a crescer cotidianamente.

Qual situação foi marcante em sua trajetória profissional?

Essa é uma questão mais aberta, que pode trazer tanto algo positivo quanto algo negativo. Por isso, esteja preparado para saber lidar com ambas as situações.

Com essa resposta, será possível saber um pouco mais sobre o que moldou o candidato como profissional, quais experiências o tornaram o que ele é hoje.

O que mudou em sua postura depois de vivê-la?

Para saber qual foi a influência que a situação marcante teve na vida do candidato, é preciso olhar para as mudanças que ele conseguiu trazer para a vida dele após vivenciá-la.

Você poderá enxergar o valor que o candidato deu à experiência e como ele conseguiu promover mudanças a partir disso.

Note que as perguntas são abertas e exigem respostas mais elaboradas, indo muito além do “sim” ou “não”. Dessa forma, será possível reunir informações muito úteis para encontrar candidatos talentosos.

O que não fazer

Para atingir o objetivo da entrevista semiestruturada e fazer a contratação ideal, há alguns pontos que devem ser evitados.

Executar a entrevista despreparado

Seja o despreparado por conta do guia que dará norte à entrevista, pela falta de experiência ou pela falta de confiança, se o profissional não estiver preparado para a entrevista, as chances dela não ser tão produtiva são grandes.

Portanto, seja qual for o motivo do sentimento de não estar preparado, o ideal é que esse recrutador tenha mais tempo para solidificar seus conhecimentos para, só então, conduzir a entrevista.

Desse modo, ele também passará confiança ao candidato e obterá melhores resultados.

Ater-se muito ao roteiro ou esquecê-lo completamente

É importante lembrar que a entrevista semiestruturada é um mix entre seguir um roteiro de perguntas e ter a liberdade de desviar dele. Por isso, é importante achar o meio do caminho.

Caso você se atenha estritamente a ele, pode perder oportunidades de fazer boas perguntas aos candidatos, que trariam informações relevantes para o desenvolvimento do processo seletivo.

Por outro lado, caso você fuja totalmente do guia, perguntas essenciais e que devem ser feitas podem ficar de fora e também prejudicar o processo.

Por esses motivos, é essencial encontrar o meio termo. Somente assim você e sua equipe terão bons resultados.

Fazer perguntas que não acrescentam nada à análise

Mesmo com a liberdade de poder fazer perguntas fora do guia, é muito importante ponderar quais questionamentos realmente será importantes no momento da análise dos dados.

Lembre-se: quanto mais certeira for sua pergunta, mais informações decisivas o candidato poderá trazer e embasar sua decisão.

Dessa forma, quando bem aplicada, a entrevista semiestruturada pode trazer muitos benefícios tanto para a escolha dos recrutadores e dos gestores quanto para a empresa, que contará com colaboradores que se identificam com seus valores e atendem aos requisitos para desenvolverem bem as atividades do cargo.

Agora que você já conhece mais sobre a entrevista semiestruturada, confira como a evolução do RH ao longo do tempo.