Se você tem funcionários, é importante entender que remuneração e salário se estendem além do pagamento em dinheiro. Estes termos estão relacionados com uma variedade de benefícios potencialmente tributáveis, portanto compreendê-los é essencial para decidir de maneira justa e clara o que será oferecido aos profissionais da sua empresa.

Qual é a diferença entre salário e remuneração?

Basicamente, salário é o valor que um empregado recebe pela prestação de serviços descrita em um contrato de trabalho. Já a remuneração consiste na junção do salário com benefícios e vantagens contratuais, como hora extra, insalubridade, comissões, vale-transporte, entre outros.

Abaixo, saiba mais detalhes sobre cada um dos conceitos.

O que é salário?

Salário é uma forma de pagamento periódico do empregador ao empregado que costuma ser especificada por meio de um contrato de trabalho. Geralmente compreende uma quantia fixa de dinheiro em troca do trabalho executado, a qual é paga em intervalos fixos, geralmente mensais. É diferente do pagamento por hora ou entrega, que no Brasil não costuma ter vínculo empregatício, ou seja, não é periódico.

Do ponto de vista da gestão de uma empresa, o salário também pode ser visto como o custo de aquisição e retenção de Recursos Humanos para as operações em execução, sendo então uma despesa com pessoal. Na contabilidade, os salários são registrados na folha de pagamento.

Como é determinado?

O salário do colaborador é determinado pela análise do piso salarial da categoria – que geralmente é estabelecido por meio de acordo ou convenção coletiva – e a comparação do que é pago pelo mercado para pessoas que realizam trabalhos semelhantes em setores semelhantes e na mesma região. Ele também sofre influência das faixas salariais estabelecidas pelo próprio empregador, da senioridade do profissional e da quantidade de pessoas disponíveis para realizar a função.

 Tipos de salário

Salário mínimo

É o valor mínimo fixado pelo governo para o pagamento de funcionários com jornada diária a partir de 8 horas. Ele é estabelecido pela lei e é atrelado à CLT.

Salário profissional ou piso salarial

É o mínimo que deve ser pago aos colaboradores de uma categoria profissional, geralmente estabelecido por lei ou convenção coletiva de sindicato. Também chamado de piso salarial, costuma ser pensado sob a ótica da complexidade do trabalho de cada cargo.

Salário base ou bruto

O salário base é aquele que foi combinado entre funcionário e empresa por meio de um contrato de trabalho. Também chamado de salário bruto, é fixo e não inclui benefícios, variáveis e descontos de impostos (como INSS e IRRF, por exemplo).

Salário líquido

É o resultado do salário bruto menos os descontos dos impostos trabalhistas obrigatórios e outras deduções na folha de pagamento.

O que é remuneração

A remuneração é a compensação total que o empregador oferece ao colaborador em troca dos serviços prestados, a qual inclui não apenas o salário, mas os benefícios complementares.

O que compõe a remuneração?

A remuneração é composta de todas as verbas usadas para a base de cálculo do 13º salário, das férias, rescisões e impostos (INSS e FGTS), como:

● Vale-alimentação e refeição
● Vale-transporte
● Hora extra
● Plano de saúde
● Comissões
● PLR
● Bônus
● Adicional de periculosidade
● Adicional de insalubridade
● Adicional noturno
● Descanso semanal remunerado
● Quebra de caixa

Contudo, vale lembrar que abonos, prêmios, ajuda de custo de até 50% do salário e diárias para viagens corporativas não fazem parte da remuneração, pois não entram nas bases de cálculos faladas acima.

Tipos de remuneração

Salário indireto

É nada mais que os benefícios recebidos pelo colaborador, como convênio médico, auxílio alimentação, ajuda de custo para estudos, transporte, entre outros.

O salário indireto é muito vantajoso e atrativo, sendo determinante para que profissionais aceitem ou continuem na empresa.

Fixa

É o tipo de remuneração na qual o funcionário recebe determinado valor mensalmente, o qual é composto pelo salário e os benefícios, como vale-alimentação, 13º, auxílio transporte e adicional noturno.

Neste modelo, o colaborador sabe exatamente o quanto receberá por mês e a empresa tem um controle maior dos gastos com o capital humano.

Funcional (ou meritocrática)

Este modelo é um dos mais tradicionais nas empresas, visto que está atrelado ao plano de cargos e salários – documento que estabelece hierarquia de remuneração entre cargos com diferentes escopos e responsabilidades, pagando mais para quem ocupa cargos importantes ou tem muito tempo de casa.

Além do salário maior, a remuneração meritocrática também compreende vantagens como vaga na garagem e bônus.

Este tipo de remuneração geralmente está relacionado ao plano de carreira, que guia o colaborador na jornada pelos seus objetivos e metas, assim como pode beneficiar a taxa de retenção na empresa, já que os funcionários saberão quais são suas possibilidades de crescimento profissional e financeiro.

Variável

A remuneração variável refere-se ao valor que o funcionário recebe pelas bonificações e comissões (sejam por vendas ou metas de desempenho alcançadas), como participação nos resultados ou lucros, gorjetas, prêmios e bônus.

Geralmente, é previamente combinada entre a equipe e a empresa. Ainda assim, mesmo que seja um aumento na renda do empregado, não se torna uma renda obrigatória para a empresa, pois é estipulada em momentos específicos, e não continuamente.

Seu maior benefício é servir como uma alavanca para motivar os funcionários, que se dedicam mais para receberem os prêmios e serem valorizados. Vale ressaltar que a remuneração variável também costuma incentivar a competição entre os colegas, que pode ser saudável ou não.
<h4>Sob demanda

Esta é uma das mais novas formas de remuneração. Ela consiste em um sistema em que o trabalhador pode solicitar imediatamente o salário referente aos dias que já trabalhou no mês.

O método incentiva a autonomia e o controle financeiro dos colaboradores.

Por competência

A remuneração por competências paga melhor os funcionários mais qualificados do que os que ainda não atendem aos critérios da organização. Por exemplo, a organização pode oferecer uma proposta melhor para um profissional com inglês fluente do que para um com nível intermediário. Colaboradores que entregam bons resultados também são candidatos a este reconhecimento financeiro.

Ainda que pareça simples à primeira vista, este modelo requer muito conhecimento de mercado e funções por parte da empresa.

Acionária

Muito usada em cargos de gestão, esta política de remuneração consiste em oferecer uma parte da empresa – repassada em cotas ou ações – ao empregado. Deste modo, o profissional passa a receber uma parcela dos lucros da companhia, o que é muito vantajoso em negócios prósperos.

Além de agradar financeiramente, aumenta o engajamento e o senso de pertencimento por parte do colaborador, que passa a ter mais “cabeça de dono”.

Por que ter um plano de cargos e salários

Criar um plano de cargos e salários é importante para garantir justiça nas remunerações dos colaboradores de uma empresa. Este documento estabelece os salários da empresa de acordo com cargos e níveis de senioridade.

A partir disso, é possível criar um plano de carreira, já que os funcionários e o RH saberão possíveis caminhos de promoção, e também realizar pesquisas de mercado, como as de benefícios e salários.