Entenda como driblar o dilema entre oportunidade e falta de experiência

É comum ouvir candidatos ao primeiro emprego relatando o círculo vicioso que vivem: não conseguem emprego por não ter experiência, mas não podem se desenvolver sem uma oportunidade. Essa dificuldade é reflexo da resistência que muitos empregadores têm de contratar profissionais sem experiência.

Uma pesquisa realizada pelo Career Builter aponta que 82% dos recrutadores consideram importante ou extremamente importante as vivências profissionais anteriores no momento da contratação.

É fato que as empresas dão preferência a quem já está inserido no mercado, pois acham que será mais fácil passar as tarefas para quem já as desenvolve. Junte a isso o estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que aponta os jovens entre 14 e 24 anos como os mais atingidos pelo desemprego. Com tais fatos, fica claro que o mercado se fecha para quem busca ingressar nele.

Porém, contratar pessoas sem experiência pode ser uma forma inteligente e efetiva de treinar e qualificar equipes da empresa do jeitinho que você quer. Continue lendo e saiba mais.

5 razões para contratar profissionais sem experiência

Responsabilidade social

Muito além da execução das tarefas, a empresa deve se atentar também aos problemas sociais em cascata que a continuidade do não primeiro emprego pode causar.

Dentre eles, estão famílias com rendas reduzidas, jovens que não conseguem bancar seus estudos e, além disso, por demorarem mais para ingressar no mercado de trabalho, se aposentarão mais tarde.

A mesma lógica vale para o início da contribuição para a previdência, seja ela pública ou privada, por falta de dinheiro. Assim, o futuro desses jovens fica comprometido desde antes de seu primeiro emprego.

Aprendizado para os dois lados

Não são só os candidatos ao primeiro emprego podem aprender com a experiência, mas a empresa e seus colaboradores também.

Estar em contato com alguém que nunca passou por uma organização antes pode ser construtivo para quem está próximo. O background da pessoa, o que ela traz de outras esferas da vida que podem agregar ao trabalho, os pontos de sua personalidade que podem ser desenvolvidos e aplicados no dia a dia.

Além de tudo, a convivência demandar o desenvolvimento do olhar analítico de quem tiver contato direto com o novo colaborador.

Profissionais sem vícios

Como o candidato não trabalhou anteriormente, não tem vícios na maneira de executar as tarefas. Também é menos provável que tenha algum pré-conceito sobre determinado software ou maneira de condução das tarefas. Some a isso o fato de que ele deve ser mais aberto a receber dicas e feedbacks por estar começando sua jornada profissional.

É importante ressaltar que a cultura de feedback deve ser desenvolvida pela organização e colocada para todos os colaboradores, caso ainda não seja familiar.

Estímulo aos estudos

Ao contratar candidatos ao primeiro emprego, a empresa estimula a continuidade dos estudos deles. Isso porque, a depender da modalidade de contratação, é pré-requisito estar cursando o ensino fundamental, médio ou superior.

A empresa pode contratar um jovem aprendiz ou um estagiário, caso queira estimular jovens dessas categorias de estudo.

Outra possibilidade é a contratação de juniors ou trainees que estão em vias de se formar ou que se formaram há pouco tempo. Inseri-los no mercado de trabalho é também um estímulo para que continuem se aprimorando tecnicamente para conseguir cada vez mais destaque na organização.

Assim, tanto empresa quanto candidatos ao primeiro emprego têm a chance de se desenvolver com a contratação. Isso ainda estimula o mercado de trabalho e contribui diretamente com questões sociais.

Chance ao caráter

Contratar profissionais sem experiência significa dar chance ao caráter deles, ou seja, dar oportunidade ao aprimoramento de suas soft skills, que são as características voltadas ao relacionamento interpessoal, que não podem ser medidas.

Quando o candidato não tem experiência profissional alguma, o que falará mais alto na contratação é sua personalidade e habilidades

Por exemplo, uma pessoa que se destaca pela desenvoltura da fala e tem um discurso acolhedor e empático pode se dar bem no trato direto com o cliente. Já alguém mais tímido e com o traço mais metódico pode ser se destacar na organização de processos e fluxos da empresa.

Contratar alguém requer, do recrutador, muito mais que a análise de hard skills – ou seja, habilidades técnicas que podem ser verificadas e calculadas -, já que podem ser ensinadas ao profissional.

É imprescindível que se olhe também para a trajetória da pessoa, que se queira saber o que formou sua personalidade e quais experiências a vida cotidiana lhe trouxe.

Assim, é muito mais assertiva a escolha de alguém que tenha fit cultural com a empresa.

Quais são os riscos e como evitá-los?

Contratar profissionais sem experiência pode trazer desafios para a empresa e para os colaboradores. Contudo, essas questões podem ser trabalhadas para contribuírem para o desenvolvimento e para o engajamento de todos.

Confira abaixo algumas questões e antecipe suas soluções:

Falta de experiência dos profissionais sem experiência

Esse, com certeza, é o primeiro tópico a ser pensado. Os gestores pensam na energia e no tempo que serão demandados para ensinar tudo para alguém que nunca teve vivência em ambiente empresarial.

Tome isso como uma oportunidade de montar seu time dos sonhos! Será um investimento, tanto nos profissionais sem experiência quanto nos colaboradores que já atuam na empresa. A falta de experiência pode ser suprida com treinamentos e com um líder atencioso que saiba conduzir o processo de aprendizagem.

Durante o desenvolvimento, a empresa passa a contar com pessoas mais observadoras e empáticas, uma vez que será necessária muita atenção para ajudar a desenvolver aquele que não tem experiência, além de solidariedade para entender todas as dificuldades que surgirem pelo caminho.

Além disso, o jovem contratado se sentirá acolhido e poderá lapidar suas habilidades em uma atmosfera muito mais amigável, fazendo com que se sinta à vontade e se desenvolva de modo mais efetivo.

Possibilidade de erros aumentada

Como o novo contratado nunca viveu o dia a dia de uma empresa, é muito provável que cometa erros nas primeiras tarefas executadas.

Isso não deve ser visto como algo negativo, e sim como o caminho que está sendo construído pelos profissionais sem experiência.

Lembre-se de delegar tarefas que sejam condizentes com o grau de senioridade do contratado. Mais uma vez, tenha certeza que o líder designado esteja presente em momentos que pedem decisões estratégicas.

Apenas assim, com a vivência do dia a dia e com o aprendizado dos erros, os profissionais sem experiência conseguirão adquiri-la.

Chances de frustração também crescem

A falta de conhecimento do ambiente corporativo pode fazer com que o novato tenha expectativas erradas sobre a vida profissional a o o que a sua empresa pode proporcionar.

Por isso, é de suma importância que os valores culturais da organização estejam muito claros. Também é importante que o profissional saiba exatamente quais tarefas desenvolverá, quais habilidades serão trabalhadas e o que a posição demandará.

Sabendo se há ou não fit cultural, se ele está disposto a trabalhar sabendo das expectativas da empresa e, da mesma forma, se a empresa está disposta a desenvolver esse colaborador, as expectativas já estão alinhadas para os dois lados e as chances de frustração no meio de processo são minimizadas.

Com a consciência de tais questões, é possível antevê-las e minimizar seus efeitos. Colocando na balança os argumentos, o lado positivo da contratação de profissionais sem experiência é muito mais relevante que os percalços no caminho.

Dar a chance para pessoas crescerem também contribui para o fortalecimento da imagem da empresa. Ela passa a ser relevante como marca empregadora que desenvolve pessoas para o mercado.

Aproveite para saber mais sobre o mundo de RH com essas dicas para reter talentos.