2020 testou nossa humanidade com o isolamento social. Conectar pessoas remotamente passou a ser elemento-chave no trabalho do RH pós-pandemia.

Extrair o melhor da conexão humana é a essência do trabalho de Recursos Humanos. Mas a era do home office trouxe um desafio extra aos profissionais de RH: como conectar emocionalmente pessoas de forma remota?

Quando a comunicação no trabalho consiste em mensagens de WhatsApp, textos rápidos (e às vezes mal redigidos) do Slack e videochamadas, fica difícil vincular pessoas umas às outras e à missão do negócio. Mas, criar essas conexões humanas genuínas é vital para o sucesso de qualquer organização.

Por isso, cabe aos profissionais de gestão de pessoas trazer a humanidade de volta ao local de trabalho e criar ambientes – tanto físicos quanto virtuais – onde o talento possa prosperar e se sentir inspirado a atuar no nível mais alto e criativo.

O objetivo deste artigo é compartilhar ideias e perspectivas para vencer esse desafio do mundo pós-pandemia. Sabemos que não existe uma solução certa para todos, mas forneceremos aqui soluções e dicas para ajudá-lo a escolher o que é a melhor rota para a sua organização voltar a ser mais humana e produtiva. Confira!

Tecnologia sim, mas sem deixar o humano de lado

O futurista Gerd Leonhard previa em sua obra “Tecnologia vs. Humanidade – O conflito que se aproxima entre o homem e a máquina”, de 2017, que os computadores iriam inevitavelmente ultrapassar os humanos em mero poder de processamento, lógica e eficiência. Para ele, isso resultaria no ‘Fim da Rotina’.

Todavia, Leonhard acreditava que, nesse novo cenário, a passagem para o futuro seria nos tornarmos mais humanos. “Não vamos competir com as máquinas, mas vamos usar a competência delas para fazer com que tarefas tediosas de commodities sejam realizadas melhor e mais rapidamente – como uma ferramenta, mas não como um propósito. Máquinas, computadores e algoritmos devem ter competência, não consciência”, defendia

Quatro anos depois, a tecnologia impulsionada pela pandemia da Covid-19 trouxe essa realidade à tona. Com o isolamento social e as empresas adotando o modelo home office — no Brasil, o trabalho em casa foi estratégia adotada por 46% das empresas durante a pandemia — soou o sino da importância das relações humanas nos negócios.

Mas como manter a boa conversa de corredor dos escritórios no modelo virtual? O primeiro passo é estabelecer uma relação de confiança a distância entre empresa e empregador. Para isso, os líderes precisam estar preparados para atuar no modelo de trabalho on-line, que continua centrado no ser humano. Continue lendo esse artigo e saiba como!

Liderar a distância sem perder a conexão humana

Em geral, as empresas são formadas por pessoas dos mais variados estilos, gostos e formas de trabalhar. Elas buscam oportunidades que trabalhem sua autoestima, proporcionem confiança e pelas quais possam conquistar o respeito dos outros por meio de seus próprios feitos. Nesse aspecto, é de suma importância a compreensão holística do líder sobre a gestão estratégica com foco na experiência humana.

Se essa visão estratégica de pessoas já era difícil no modelo presencial, ficou ainda mais complicado com a virtualização do trabalho. O ano de 2020 trouxe mudanças inimagináveis à maneira como vivemos. À medida que passamos por esses tempos difíceis de incerteza absoluta, distanciamento social, restrições de viagens, demissões e cortes de orçamento, ficou mais claro que o lado humano deve ser preservado nas organizações e que os líderes devem abordar seus liderados com a singularidade que eles merecerem.

Afinal, essas mesmas pessoas não são apenas homens e mulheres de negócios. Eles também são filhos mães, pais, irmãos e amigos. Esses colaboradores são vulneráveis, cometem erros e aprendem com eles. Todas essas particularidades devem ser observadas pelo comando das organizações, mesmo que as conversas de corredor não façam mais parte do dia a dia.

Para tanto, é importante que os líderes sigam algumas das dicas que separamos:

Invista em treinamento

Para construir relacionamentos mais fortes com os funcionários (seja no mundo virtual ou presencial), os gerentes devem entender o que a organização espera de cada colaborador e o que funcionários esperam da empresa, a partir daí habilidades devem ser desenvolvidas para atender a essas expectativas.

Para tanto, é importante que o líder, quinzenalmente ou mensalmente, estabeleça um meeting virtual one to one. Assim, ele conseguirá conversar individualmente com cada membro da equipe e entender como desenvolvê-los para as tarefas mesmo que a distância.

Caso entendam que um treinamento deve ser oferecido ao funcionário, hoje em dia é possível fazê-los de forma remota sem que isso prejudique a performance do colaborador.

Diga obrigado e estabeleça a conexão humana do trabalho

O princípio mais profundo da natureza humana é o desejo de ser apreciado. O simples ato de dizer obrigado abertamente cria um vínculo entre o doador e o receptor e quebra as barreiras sociais para que a lealdade, a confiança e a dedicação possam fluir com mais liberdade.

E não há barreiras físicas para agradecer sua equipe pelo trabalho empenhado, certo? É possível agendar uma reunião virtual apenas para falar obrigado, agradecer sua equipe pelo grupo do Slack ou WhatsApp ou ainda enviar um mimo para os colaboradores como forma de agradecê-los.

Reconheça diferenças geracionais

Agora temos quatro gerações distintas no local de trabalho (Baby boomers, Geração X, Geração Y e Geração Z) cada uma com uma visão única de como o trabalho pode atingir objetivos pessoais e profissionais.

Forças de trabalho multigeracionais são bem-sucedidas quando um único conjunto de valores culturais une as pessoas em seu trabalho enquanto acomoda diferentes necessidades. Identificar essas necessidades, criar um diálogo, fazer conexões e encontrar semelhanças é a chave para abraçar as diferenças geracionais e alcançar o sucesso.

Um exemplo singelo disso é questionar seus colaboradores qual é o meio de comunicação que eles preferem usar. Um profissional da geração X provavelmente responderá que preferirá falar ao telefone, aquele da geração Z optará, possivelmente, pelo WhatsApp ou Slack.

Crie uma cultura de reconhecimento

Ajustar-se ao trabalho em casa pode ser difícil, por isso é essencial recompensar comportamentos específicos. Isso não apenas mostra apreciação, mas também incentiva outros funcionários a seguirem o exemplo.

Por exemplo, se a sua organização tem um funcionário que é receptivo e atencioso, mesmo quando trabalha remotamente, escreva para ele uma mensagem personalizada que detalha o quanto a organização está orgulhosa dele e de seu comportamento.

Não esqueça de dar publicidade ao fato, isso reforçará o valor da comunicação em toda a sua equipe remota e motivará ainda mais o funcionário que já está tendo sucesso.

Se você gostou do tema, leia também artigo sobre como o RH pode dar uma mãozinha à diversidade na organização.