Confira, na prática, os benefícios de uma boa experiência do funcionário

Muitos artigos e debates sobre gestão de pessoas abordam employee experience, mas o que significa o termo na prática? E como implementar essa experiência na sua organização?

Diversas pesquisas indicam que a experiência do funcionário deve ser uma preocupação para o RH que tem como objetivo se tornar um parceiro forte da área de negócios, gerando mais engajamento e produtividade entre os colaboradores.

Preparamos um guia completo para você entender o conceito de employee experience de uma vez por todas, além de dicas de como implementá-lo na sua empresa.

O que é employee experience?

Employee experience (em português, experiência do funcionário) é o resultado das interações do empregado com a empresa, a qual inclui processos, sistemas, pessoas, propósitos, sentimentos, aprendizados e comportamentos que essas interações provocam.

Esse mapeamento único engloba toda a jornada do colaborador na empresa, desde o seu recrutamento, passando pelo onbording e o relacionamento com colegas e lideranças no dia a dia.

A estratégia monitora também os benefícios individuais que a empresa fornece a esse funcionário em troca de sua produtividade.

Experiência do funcionário x experiência do cliente

Pode-se dizer que o employee experience espelha-se na experiência do cliente, enquanto a área de marketing monitora todos os pontos de conexão da marca com o seu consumidor e captura o seu envolvimento.

A experiência do empregado, portanto, traduz o sentimento que o colaborador tem em relação à organização durante a jornada de trabalho.

Na prática, as metodologias usadas pelos profissionais de marketing e especialistas em vendas para entender o comportamento do comprador, como mapas de experiências, personas de usuários e histórias de clientes, agora são aplicadas para repensar a experiência dos funcionários.

Além disso, a experiência do funcionário também pode impactar a experiência do consumidor, visto que ela depende, na maioria das vezes, de um empregado, que pode estar mais ou menos motivado a superar expectativas.

Benefícios de employee experience

Estima-se que os esforços para refinar e aprimorar a experiência do funcionário continuarão sendo o principal foco dos líderes de gestão de pessoas.

As empresas que têm dedicado esforços ao employee experience tendem a ter cultura mais forte, maior envolvimento com os funcionários, ambiente diversificado e inclusivo e altos níveis de retenção. E mais: costumam ser mais lucrativas também.

Impacto positivo

O estudo da IBM “O impacto financeiro de uma experiência de funcionário positiva” indica que as organizações que mais investem em employee experience relatam o dobro do retorno de vendas em comparação com as empresas que não investem na prática.

De acordo com Patricia Molino, sócia-líder de People & Change da KPMG no Brasil, o conceito de “experiência do funcionário” vem ganhando relevância nas empresas porque os registros emocionais têm efeito muito forte.

Cada vez mais as empresas percebem que há momentos específicos da vida e da carreira em que um erro de processo ou de atendimento – ou até uma omissão – pode trazer um efeito de perda de compromisso e produtividade muito grande. Por outro lado, segundo ela, em outros momentos, o mesmo erro pode ter pouco ou nenhum impacto sobre os funcionários.

É isso que empresas pioneiras têm feito: repensado a relação empresa-empregado a partir do referencial racional e emocional do profissional ou das equipes. Elas se perguntam o que cada empregado espera e como é possível criar uma emoção positiva para ele naquele determinado momento.

Mais engajamento e menos turnover

“Pessoas motivadas e confortáveis produzem mais, permanecem por mais tempo na empresa e até retornam quando têm oportunidade, facilitando e reduzindo custos de atração, seleção, integração, treinamento e desligamento”, explica Patricia Molino.

O aumento na produtividade a partir do engajamento e da motivação também é muito bem recebido, sem falar no efeito sobre qualidade, atendimento, proteção à marca e experiência dos clientes.

“Os profissionais chegam às empresas com expectativa de serem tratados pelos serviços de recursos humanos e benefícios da mesma forma como são tratados quando estão no papel de clientes”, explica a executiva.

Como implementar o employee experience?

Longe vão os dias nos quais as organizações podiam simplesmente oferecer almoços grátis ou comprar novos equipamentos de trabalho e manter, assim, seus colaboradores felizes. Hoje, a experiência dos funcionários vai muito além dos benefícios e de um novo ambiente corporativo. Essa jornada precisa ser observada de forma individual.

Mudanças nos processos de seleção e integração, aplicativos para acesso a informações e pedidos de benefícios e eventos como férias, licenças ou outros, políticas de horário flexível, home office, sabático, processos de gestão de performance e carreira, além de ações de inclusão, diversidade e remuneração variável: esses são alguns dos processos que vêm sendo repensados sob a perspectiva do efeito que causam no empregado com a preocupação de torná-lo mais positivo.

O desafio da organização de personalizar sua interação com os colaboradores começa com a segmentação deles, agrupando-os em grupos com base em seus desejos e necessidades. É nessa fase que já começa a complicação, visto que a maioria das empresas organiza seus funcionários em padrões com cargos, departamentos e unidades de negócios.

Essas informações superficiais não servem para dar o pontapé inicial no trabalho de design da experiência do funcionário. Para isso, é preciso mudar o modo como o colaborador é visto pela organização.

A organização precisa observar o colaborador como um indivíduo, não como um grupo. E isso exige esforço redobrado não só da área de gestão de pessoas, mas também dos líderes da companhia.

Sentimento de pertencimento

Em entrevista ao editor de projetos especiais da Harvard Business Review, Michael Gretczko, líder global de gestão de pessoas da Deloitte, destaca que o que está no centro de todo esse debate é o fato de que os funcionários procuram, hoje, um trabalho que seja realmente significativo.

A flexibilidade é cada vez mais importante para os membros da equipe e pode realmente moldar o tipo de experiência que eles têm com a organização.

“É preciso dar às pessoas um sentimento de pertencimento. Confie nos relacionamentos, considerando quanto tempo eles gastam na empresa e que grande parte de sua identidade é o trabalho”, afirma Gretczko.

No geral, vemos as tendências de experiência do funcionário se moverem em direção à transformação holística do local de trabalho e uma mudança de baixo para cima na maneira como nos ocupamos.

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