Empresas têm tecnologia como apoio para captação de surdos no mercado de trabalho

Seja nas transmissões de shows ou em cursos oferecidos à distância, os intérpretes de Libras, a Língua Brasileira de Sinais, se tornaram mais comuns. O recurso para pessoas com deficiência auditiva, ligado ao entretenimento e à educação, também nos faz pensar sobre uma realidade ainda pouco explorada no mundo corporativo: a atração e a inclusão de surdos nas empresas – e como RH, líderes e colaboradores têm a tecnologia como aliada para fazer com que esses funcionários desenvolvam suas potencialidades plenamente.

No Brasil, há 10,7 milhões de pessoas com alguma deficiência auditiva; 37% delas estão inseridas no mercado de trabalho, segundo dados de 2019 de uma pesquisa Instituto Locomotiva apresentada no evento da 2ª Semana de Acessibilidade Surda (SAS), em São Paulo. Os desafios para que a porcentagem cresça estão no empenho das empresas na contratação e passam ainda por perspectivas educacionais e de lazer e acesso na vida cotidiana.

Como incluir pessoas com deficiência auditiva nas empresas

A inclusão de surdos no mercado de trabalho está no rol contemplado pela Lei de Cotas (8.213/91) para as empresas que têm mais de 100 funcionários e devem, obrigatoriamente, formar uma proporção de pessoas com deficiência (PcD) no seu quadro de funcionários. Mas, na contratação e na seleção desses talentos, a preocupação deve ir além disso. Para se ter um ambiente inclusivo, é preciso que os cuidados com a acessibilidade estejam acima da expectativa do cumprimento da lei.

Repensar a experiência do candidato com essa deficiência desde o começo da trajetória, portanto, faz parte do jogo. Alguns pontos importantes para levar em conta:

Acessibilidade e tecnologia

Com a intérprete virtual de Libras do VAGAS.com.br, a Maya, os candidatos surdos que utilizam o site têm mais acessibilidade na busca por vagas de emprego. Plugin de acessibilidade da Hand Talk, a Maya faz a tradução de conteúdos de textos e imagens para Libras. Ou seja, o candidato tem autonomia para a navegação no site e no blog e esse tipo de iniciativa é uma das que atraem pessoas com deficiência auditiva para ocupar os postos oferecidos e compatíveis com suas habilidades e talentos.

No processo seletivo e na adaptação da empresa, vale também apostar em plataformas que facilitam a interpretação de sinais e em ferramentas com tecnologias assistivas, como aparelhos para surdez e a diminuição de barreiras de acesso à informação – com alternativas à comunicação por áudio.

Cultura e respeito à diversidade

A discriminação e a exclusão na educação e nas oportunidades de capacitação profissional são um obstáculo enfrentado por pessoas surdas. Segundo o estudo do Instituto Locomotiva, 32% dos brasileiros que são surdos não possuem grau de instrução e 7% deles têm ensino superior.

Os profissionais de RH, quando recrutam e selecionam candidatos com deficiência auditiva, têm pela frente as tarefas de reforçar as estratégias de respeito e apoio à diversidade, educar as equipes sobre capacitismo e, em termos práticos, garantir a acessibilidade física e as adaptações para que o funcionário execute suas tarefas. O ideal é que a área tenha apoio de especialistas em inclusão para que as necessidades do trabalhador sejam intermediadas. A empresa precisa estar pronta para recebê-lo, inclusive considerando custos de adaptações que, mais para frente, se mostram investimentos em um ambiente mais diverso.