Como investir na cultura de inovação de startups na liderança do RH pode ser benéfico às organizações

Não é fácil chegar a um produto que redefine os conceitos do mercado. Para tanto, é preciso ter coragem em cometer falhas, admiti-las e seguir em frente, em outras palavras, priorizar a evolução. Essa é a receita básica de inovação das startups, mas cada vez mais observamos essa abordagem mais realística e humanista também na liderança de áreas.

Estamos em um mundo novo, e nossos velhos modelos de administração não se encaixam mais tão bem. Priorizar, portanto, a evolução e não a perfeição deve ser uma meta dos líderes de RH.

Neste artigo, vamos mostrar como mudar o mindset de equipes e superiores para aceitar que as falhas fazem parte do acerto é essencial para viver no mundo dos negócios pós-pandemia.

Do modelo administrativo científico para o mais humanístico

A maioria dos comportamentos que buscamos em nós mesmos e em nossas organizações está enraizada em alguma forma de prática anterior, que nos trouxe algum nível de sucesso. Como a liderança foi concebida sob conceito.

Em 1911, Frederick Winslow Taylor, pai da administração científica, acreditava que oferecendo instruções sistemáticas e adequadas aos trabalhadores, ou seja, treinando-os, haveria possibilidade de fazê-los produzir mais e com melhor qualidade.

Para tanto, introduziu o controle com o objetivo de que o trabalho seja executado de acordo com uma sequência e um tempo pré-programados, de modo a não haver desperdício do tempo operacional. Inseriu, também, a supervisão funcional, estabelecendo que todas as fases de um trabalho devem ser acompanhadas de modo a verificar se as operações estão sendo desenvolvidas em conformidades com as instruções programadas.

Hoje esse modelo não funciona mais. Sabemos que a liderança é vista como uma competência que possibilita a condução, o engajamento e a motivação de um grupo de pessoas.

O que ganha um peso ainda maior dentro das empresas, quando o líder cria um cenário adequado para que tanto o negócio prospere como o mesmo aconteça com seus colaboradores. Por isso, o RH a toda hora levanta essa bandeira.

A evolução e não a perfeição é o caminho de um modelo mais humanístico de olhar para os liderados.

Falhas como processo de aprendizado

Nove em cada dez matérias sobre a educação fala sobre as falhas no processo de aprendizado. Por que, então, no mercado de trabalho ainda há lideranças que não olham com bons olhos para a prática de errar?

Para a professora de Harvard, Amy Edmondson, especialista em liderança isso pode ser falta de autoconhecimento da liderança, um tema constante na área de gestão de pessoas. A professora, que não teve uma trajetória profissional linear, levanta a bandeira do experimentalismo e da coletividade no mundo business. “Ao colocar uma pessoa em uma situação desconfortável na qual ela depende de outras para resolver uma situação, ela provavelmente terá acesso ao autoconhecimento”, ressalta

No artigo “Strategies for Leanring from Failure”, na tradução literal para o português “Estratégias para aprender pelo erro”, Amy destaca a diferença entre erro e falha.

“Um erro geralmente é aquele em que você sabe como fazer de forma correta, mesmo assim comete o erro. Um erro é uma falha, mas uma falha não é necessariamente um erro. Se eu faço algo novo e isso não sai como o planejado, isso é uma falha porque ninguém havia feito isso a priori, é algo novo, é como um cientista no laboratório”,

Vale do Silício: um berço de falhas e acertos

Mas a liderança mais humanística, puxada pelo RH, parece que está ganhando espaço no mercado brasileiro. “No passado encarar o erro como um fracasso já foi mais comum no Brasil, hoje vem mudando bastante. As falhas fazem parte do processo de melhoria. Se eu quero criar algo diferente, naturalmente vou errar”.

O comentário acima é do empreendedor Maurício Benvenutti, da Startse, que ajudou a transformar um pequeno escritório da XP na maior corretora do país e uma das maiores instituições financeiras da América Latina. Segundo ele, houve muitos erros e acertos nesse processo.

Para ele, a rebeldia presente hoje no Vale do Silício, meca da inovação mundial, é muito presente na cultura brasileira. “O brasileiro é um povo que vive inúmeras adversidades e encontra formas de resolver seus problemas”, explica.

De acordo com o empresário, há fundos de investimento no Vale do Silício que investem em empreendedores que já falharam porquê a pessoa que falhou cinco vezes, tem cinco vezes menos chances de errar lá na frente, pois ela vem aprendendo com os erros.

Progresso acima da perfeição no RH

Em um artigo publicado na Forbes, Karen Casey, Chefe de Pessoas e Cultura da Canidae Pet Food, relata como ela desapegou da perfeição após mais de duas décadas em cargos de liderança em gestão de pessoas.

Karen conta sua experiência de transformação de mindset após passar por apuros como mãe. Sua filha teve um ferimento grave na cabeça que exigiu paciência de todos envolvidos para a cura. “O progresso vem com pequenas vitórias incrementais que, no momento, não parecem vitórias. É apenas após reflexão que o progresso pode ser facilmente reconhecido”.

A executiva escutou o discurso da médica para com a sua filha: “Sei que você não está se sentindo melhor; no entanto, vamos comemorar o progresso que você fez. Quando eu comparo o que eu vi seis meses atrás de você deitado em uma cama de hospital com o que eu vejo hoje, o progresso é simplesmente monumental. ”

Naquele momento, destaca Karen, progresso em relação à perfeição tornou-se um mantra não mais apenas em casa, mas também no trabalho, com a equipe dela e seus colegas de trabalho. Segundo a executiva, a moral da história é que o progresso pode ser feito, sem que perfeição nunca chegue, é possível causar um impacto positivo ao longo do caminho.

“O progresso da minha filha junto com muito do que nós, como líderes de RH, fazemos todos os dias no mundo dos negócios, é enfatizado com horas de trabalho árduo para alcançar um progresso aparentemente mínimo, mas grandes avanços estão sendo feitos bem diante dos olhos. Acho que todos podemos nos relacionar, e é hora de comemorar o progresso, não a perfeição”, finalizou.

Agora que você já aprendeu valorizar o processo de sua equipe em detrimento à perfeição, que tal recompensá-los por esses avanços sem gastar muito dinheiro?