Preocupações inerentes à pandemia e exposição a situações sensíveis tornam os profissionais de RH propensos à síndrome do esgotamento

Fazer malabarismos com trabalho remoto, crianças em casa e ainda lidar com medo e isolamento em plena pandemia não é fácil, ainda mais para profissionais de Recursos Humanos. Se há uma área que lida com situações sensíveis, como desligamentos e avaliações de desempenho, e teve de viver de forma ainda mais intensa os últimos meses, foi o RH.

Profissionais sortudos o suficiente para manter seus empregos tiveram de fazê-lo enquanto se deparam com um ataque constante de dilemas com os quais nunca lidaram antes, como “Devo desinfetar os alimentos?”, “Como posso ficar em forma dentro de casa?” e “Posso abraçar meus filhos?”. Para completar, as redes sociais foram o estopim de apelos bem-intencionados para aproveitar a quarentena ao começar (ou terminar) projetos, como escrever um livro, aprender uma nova língua e praticar Ioga.

Para completar, nunca um fenômeno global afetou todas as empresas simultaneamente e de forma tão dramática. Neste cenário, profissionais de RH desempenham um papel fundamental para manter o funcionamento dos negócios, seja criando políticas, tomando medidas de continuidade de negócios ou lidando com funcionários doentes. Isso tudo sem falar nas tarefas operacionais rotineiras, como entrevistar candidatos e calcular folha de pagamento.

Tudo isso gera uma situação de sobrecarga e exaustão capaz de abalar até mesmo o profissional de RH mais resiliente. Não é à toa que psicólogos relatam aumento na quantidade de casos de Síndrome de Burnout – distúrbio psíquico caracterizado por cansado físico e mental extremo. A também chamada “síndrome do esgotamento profissional” pode afetar quase todas as áreas da vida.

Felizmente, é possível manter este esgotamento sob controle. Listamos dicas para evitar que profissionais de RH tenham Síndrome de Burnout nestes tempos desafiadores.

Priorize seu sono

De acordo com um artigo do The New York Times, o sono não serve apenas para recarregar as energias. Na verdade, ele também desempenha papel fundamental ao regular nosso humor e reenergizar nossas células. É por isso que não dormir o suficiente é um dos principais fatores de risco para Burnout.

Apesar de não ser novidade que precisamos de sete a dez horas de sono por dia, a depender das necessidades de cada organismo, nem sempre é tão simples cumpri-las. Uma boa dica é ajustar um alarme para se lembrar de desligar aparelhos eletrônicos antes de se deitar, já que a luz azul emitida por eles prejudica o sono.

Caso você se sinta tentado a ficar acordado por mais tempo, tente lembrar como é ruim ficar exausto e como é bom descansar o suficiente.

Tenha uma boa alimentação

O que você coloca na boca também afeta seu humor e sua energia. Alguns alimentos nos deixam pesados e cansados, enquanto outros notavelmente aumentam o nível de energia.

É comum que ao trabalhar em casa se sinta preguiça ou mesmo falta de tempo para preparar uma boa refeição. Para evitar tais sentimentos vale aprontar a refeição na noite anterior ou até mesmo recorrer a marmitas saudáveis congeladas.

Já quem tem dificuldade em definir uma rotina de alimentação pode definir um lembrete no calendário ou um despertador para o horário do almoço.

Para manter a energia alta durante todo expediente é recomendado comer porções pequenas e mais frequentes ao longo do dia, principalmente quando o humor estiver abalado ou para baixo.

Mexa-se

Como profissionais de RH passam a maior parte do tempo na frente de computadores, é recomendado levantar-se frequentemente para esticar as pernas e espairecer. Além de serem boas para o corpo, as pausas representam alívio para sua mente e podem fazer a diferença no combate ao Burnout na empresa.

Se exercitar também é importante, mesmo que sejam cinco minutos de atividade ao ar livre. Se você conseguir fazer 20 a 30 minutos por vez, será melhor ainda. A dica também se aplica a momentos estressantes, como após uma reunião de resolução de conflito, já que melhora a saúde em geral.

Cultive hábitos que favorecem sua personalidade

A despersonalização é comum em quadros de Burnout. Nela, a pessoa tem um sentimento persistente de distanciamento do próprio corpo, o que pode ser difícil de entender e enfrentar. Além das dicas anteriores, uma tática recomendada é investir em atividades prazerosas e que não sejam atreladas a cobranças.

Não há fórmula mágica, já que o que atende suas necessidades pode diferir de outra pessoa. Por exemplo, alguém que é muito extrovertido pode precisar falar com amigos ou família diariamente após o trabalho para se proteger do esgotamento. Uma pessoa introvertida, por outro lado, pode preferir um tempo sozinho.

Para encontrar o que você gosta, entenda primeiramente suas motivações. Um estudo do psicólogo Steven Reiss classifica 16 desejos que podem guiar comportamentos: poder, independência, curiosidade, aceitação, ordem, economia, honra, idealismo, contato social, família, status, vingança, romance, alimentação, exercício físico e tranquilidade. Veja qual é o seu e tente encontrar algo que o atenda.

Por exemplo, se você é movido pela curiosidade, aprenda uma nova habilidade ou idioma. Caso se alinhe com família, que tal desfrutar de uma refeição grandiosa em conjunto?

Alinhe expectativas

Outro elemento para profissionais de RH evitarem Burnout é entender a realidade do trabalho, ou seja, aceitar o que não pode ser mudado e ter ânimo para enfrentar o que realmente pode mudar.

Uma dica generalista, mas muito sábia, é modificar suas expectativas. Por exemplo, você pode gostar de reconhecimento verbal por parte de seu chefe sempre que finaliza um projeto com louvor, mas este não é o estilo dele. Ao invés de frustrar-se, tente aprender a reconhecer que ele traz boas análises e respeita sua opinião nas reuniões.

Nem sempre é possível mudar tudo o que não agrada no trabalho, mas conseguir melhorar o quão bem você se sente sobre si mesmo e a vida em geral é essencial. Caso sinta que seu emprego não preenche algumas necessidades e não acredite que seja a hora de encontrar outro, busque atividades que as atendam fora do trabalho. Por exemplo, se você sente falta de se sentir gratificado, avalie ser voluntário em alguma ONG.

Lembre-se que o momento é passageiro

A onda de novas preocupações associadas à pandemia somada à pressão para manter um bom desempenho no trabalho é a fórmula perfeita para profissionais de RH desenvolverem Síndrome de Burnout. Por mais que a luz ao fim do túnel pareça distante, tenha em mente que tudo isso é passageiro.

“Há muitas coisas assustadoras entre o ponto A e o ponto B, mas o ponto B existe. E a cada dia que estamos em quarentena, estamos mais perto dessa hora”, lembra a psicóloga norte-americana Janna Koretz em entrevista à BBC. Pode parecer pouco, mas mesmo ao “fazer nada” ficando em casa, se faz muito pela saúde geral.

Aproveite para entender como o RH pode ajudar colaboradores a melhorar a saúde mental na quarentena.