Com ações de recrutamento e seleção, empresas e startups combatem a LGBTQIA+fobia

O mundo corporativo está cada vez mais “colorido” com a bandeira LGBTQIA+, graças aos esforços de profissionais que incluem estratégias de Diversidade e Inclusão (D&I) no dia a dia da corporação. Assim, o esforço de contemplar pessoas com diferentes orientações sexuais e identidades de gênero colocou a empregabilidade LGBTQIA+ no radar das empresas.

No Brasil, falar da sigla, que engloba lésbicas, gays, bissexuais, trans e travestis, queer, intersexo e assexuais, com o sinal de “+” para contemplar outras orientações e identidades de gênero, é falar de resistência. Afinal, o país mantém índices altos de LGBTQIA+fobia. 

Por essa razão, é fundamental que profissionais de RH, líderes e colaboradores das empresas estejam a par de como é possível bloquear a discriminação no ambiente de trabalho, à medida que promovem mais oportunidades para esse público.

Empregabilidade LGBTQIA+: projetos e ações

A LGBTQIA+fobia ainda faz vítimas no Brasil diariamente: segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, quatro crimes motivados pela intolerância são cometidos por dia.

Garantir qualificação, emprego e carreira para essas pessoas é um dos caminhos de mudança da triste realidade. Mesmo antes de pensar em como a empresa pode ser mais inclusiva para pessoas LGBTQIA+, faz sentido entender como abrir as portas para esses talentos. Buscar uma startup ou empresa parceira ajuda nesse processo.

Fundadora da camaleão.co, startup focada em soluções de diversidade LGBTQIA+, Maira Reis vê que construir essas oportunidades lado a lado ajuda a mapear com mais atenção qual é a postura da empresa – representada, por vezes, pelo recrutador— nessa tarefa. 

“Em muitos processos seletivos, o talento LGBTQIAP+ é talvez o que melhor performou e se conectou com a oportunidade, mas a empresa não contrata por pura LGBTfobia”, analisa. 

A homofobia, a transfobia e outras fobias disfarçadas por frases como “acho que não é normal uma pessoa não ser heterossexual” ou “tenho receio de como a pessoa se sentirá no ambiente” partem de ideias preconceituosas que não cabem mais no discurso de ninguém, principalmente quando o foco é aumentar a pluralidade nas empresas. O convite é combater os próprios vieses inconscientes para que as discriminações contra essas pessoas não sejam mais naturalizadas. 

Contratar apenas para ter diversidade?

Ainda que a empresa esteja disposta a garantir mais vagas LGBTQIA+, a prática precisa ser acompanhada de ações estratégicas ligadas aos processos seletivos.

“A gente tem que desmistificar que estamos contratando LGBTQIAP+ por causa da diversidade. Você está contratando um talento, que também é LGBTQIAP+”, explica Maira Reis, que usa a sigla ainda mais completa para referenciar também os pansexuais.

No caso de pessoas trans e travestis, há ainda um contexto social que merece atenção: o de marginalização desses corpos, o que resulta na baixa representatividade em empregos formais. Esses talentos são com frequência desperdiçados porque o recrutador não quer lidar ou aprender sobre o que é ser uma pessoa trans no Brasil. 

Dimensionar as necessidades e qualificações necessárias faz parte de outro projeto de empregabilidade: o TransEmpregos. Banco de currículo e de oportunidades para pessoas transgêneras, ele tem dimensão nacional e facilita a conexão entre empregados e empregadores. 

Talentos garantem inovação, mas há desafios

Ter projetos como o camaleão.co e o TransEmpregos colabora, e muito, na mobilização por um quadro de funcionários mais plural. Maira pondera, no entanto, que a visão sobre Diversidade & Inclusão vai além de ocupar as vagas com pessoas de diferentes orientações sexuais e identidades de gênero.

 “O que as empresas querem são talentos diversos em posições estratégicas para ajudar no desenvolvimento de um time. Isso traz benefícios como inovação e criatividade”.

Do lado da empresa, o desafio está em criar um ambiente seguro para que os empregados tenham a segurança de desenvolver suas habilidades e de formatarem uma ideia de carreira no cargo que ocupam. 

“E para isso acontecer precisamos de treinamento, um cronograma de atividades ao longo do ano, entender que as estratégias de diversidade devem receber investimento, e visão de métricas, metas, além de um time as desenvolvendo internamente”, diz a profissional.

A pauta de igualar oportunidades e tratamento na questão da empregabilidade LGBTQIA+ deve ser defendida e levantada dentro do âmbito empresarial. É uma ação afirmativa essencial e ainda assegura excelentes talentos para trazer resultados à empresa.

Quer saber mais e se aprofundar em formas de entender e defender essa pauta? Confira 5 leituras sobre diversidade e inclusão para profissionais de RH!