Promover a diversidade de gerações no ambiente de trabalho é um movimento que já está acontecendo. Entenda sua importância e como implantar de forma inclusiva.

A média de expectativa de vida do brasileiro ultrapassa os 70 anos hoje. Em 2020, foi registrado o menor número de nascimento de bebês no país em 26 anos. Este é um fato: a população está ficando mais velha. Isso quer dizer que, necessariamente, o mercado de trabalho vive mais intensamente a diversidade geracional.

O desafio das empresas é acolher os profissionais de diferentes gerações e tornar o ambiente de trabalho propício para todos os colaboradores, independentemente da faixa etária. Para isso, pensar nas variações dos hábitos, facilidades e dificuldades entre gerações é o ponto de partida.

Neste artigo, vamos entender mais a fundo o que é diversidade geracional, qual a importância de promovê-la no mercado de trabalho, as melhores práticas de condução e muito mais! Confira.

O que é diversidade geracional? 

Para entender o que é diversidade geracional, vamos às definições dos conceitos em duas partes:

  • a definição de diversidade consiste na representação de pluralidades nas esferas da sociedade, seja diversidade de gênero, cultura, religião, raça ou outros aspectos que contemplem grupos minorizados;
  • geracional se volta para as particularidades de uma geração, o que envolve, diretamente, a idade das pessoas.

Diversidade geracional no trabalho significa, portanto, contar com colaboradores de diferentes gerações e faixas etárias. Agora que você tem essa informação, é o momento de olhar para o quadro de colaboradores da empresa e entender: há diversidade geracional?

Caso não haja, aqui, você terá todas as informações necessárias para mudar isso no seu ambiente de trabalho. Se já houver iniciativas em sua empresa, o artigo te ajuda a refiná-las ainda mais.

Qual a importância da diversidade geracional? 

Assim como nas demais diversidades, o primeiro ponto de importância da diversidade geracional no mercado de trabalho está em criar intencionalmente vagas para as diferentes idades.

Fica explícito que a necessidade de vagas para pessoas mais velhas é maior, uma vez que a inserção da força de trabalho jovem no mercado é feita de modo mais amplo pelas empresas – seja por programas de estágio, de trainee, de jovem aprendiz ou pelo simples fato de que a mão de obra com menos experiência é, quase sempre, mais barata.

Aqui está a importância da diversidade geracional: tornar o mercado de trabalho uma esfera mais diversa e inclusiva da sociedade. O primeiro passo para isso está com os times de RH, líderes e tomadores de decisão da empresa que você está: quais ações para diversidade geracional acontecem

Quais são as principais gerações? 

Até hoje, temos quatro gerações demarcadas, de acordo com o período de nascimento. Cada geração tem algumas características em comum, por partilharem momentos históricos importantes e modos de viver.

Vamos entender um pouco mais sobre cada uma e quais traços geracionais se relacionam com a vida profissional.

Baby Boomers

São as pessoas nascidas entre 1946 e 1964. Em 2022, essas pessoas estão com idade entre 58 e 76 anos – e boa parte delas já está aposentada (ou perto de se aposentar), mas isso não quer dizer que estejam fora do mercado de trabalho.

Por viverem mais tempo sem aparatos tecnológicos, podem encontrar um pouco mais de dificuldade quando o assunto é mexer em computadores, smartphones ou similares – nada que não seja viabilizado com cursos ou com um mentor.

Outro ponto é que essa geração viveu uma concepção de vida profissional bem distinta da que se tem hoje: trilhar a carreira na mesma empresa por muitos anos era sinônimo de comprometimento – da mesma forma que a mudança de emprego era vista como uma falha do profissional.

Geração X

São as pessoas nascidas entre 1965 e 1980. Em 2022, essas pessoas têm idade entre 42 e 57 anos. A geração foi marcada por muitos movimentos sociais em todo o mundo, como:

  • a conquista de direitos civis para pessoas negras nos Estados Unidos;
  • Maio de 68 na França;
  • reconstrução de muitos países europeus ainda por conta do fim da Segunda Guerra.

Por viverem tantos cenários de mudanças e desafios, são pessoas que, geralmente, prezam pela estabilidade financeira e isso se reflete na preferência por empregos mais estáveis também.

Não por acaso, dividem essa característica com os baby boomers, de quem são filhos.

Geração Y ou Millennials

São as pessoas nascidas entre 1981 e 1996. Em 2022, essas pessoas têm idade entre 26 e 41 anos. É a geração que viveu a passagem do analógico para o digital, sendo os primeiros a se familiarizar um pouco mais com as tecnologias.

Por viverem essas mudanças, essa geração também mudou o modo de olhar para o trabalho: o processo de aprendizagem e aprimoramento poderia acontecer em diferentes empresas, por exemplo. A partir daqui, o apego à estabilidade e à ideia de construir a carreira em um único lugar começa a ser desconstruído.

Com maior liberdade em relação à vida profissional, aqui também emerge o espírito de empreendedorismo.

Geração Z

São os nascidos de 1997 até 2010. Em 2022, essas pessoas têm idade entre 12 e 25 anos. É a geração digitalmente nativa, ou seja, todos os integrantes nasceram e cresceram em meio a dispositivos como computadores e celulares.

Boa parte dessa geração ainda nem ingressou no mercado de trabalho e os que já são ativos têm muita facilidade em lidar com o digital e com o surgimento constante de novas tecnologias. Também fazem parte da transição do trabalho presencial para o híbrido ou remoto, uma vez que vivenciaram uma pandemia mundial.

Aqui, estão, em maior concentração, os idealizadores de startups, os influenciadores digitais e os produtores de conteúdo para internet.

É importante destacar que o período das gerações não é um consenso. Por isso, você pode encontrar algumas poucas diferenças de quando uma começa e quando termina, a depender da sua fonte de consulta.

Se nem essas, que já estão consolidadas, são unanimidade, imagine a mais nova geração de todas, que ainda está sendo estudada e descoberta por especialistas: a Geração C.

Especialistas divergem quando a Geração C teve início e quando ela vai terminar, além de não chegarem a um acordo sobre quem deve ser incluído: somente crianças ou também universitários. O movimento de discordância é normal, uma vez que é um acontecimento histórico que ainda está sendo vivido e terá impacto por muitos anos. 

O que podemos imaginar é que essa geração, quando ingressar no mercado de trabalho, será totalmente adepta às tecnologias e assuntos como home office, fit cultural, RH ágil e diversidade e inclusão nos processos seletivos serão muito costumeiros.

Qual é o cenário da diversidade geracional nos últimos anos? 

Com o aumento da expectativa de vida dos brasileiros e com menos nascimentos acontecendo, é natural que as empresas contem com pessoas com mais idade e que o movimento ganhe cada vez mais intensidade.

Ao mesmo tempo que a maior longevidade no mercado de trabalho já é uma realidade, ainda vivemos cenários que não são os mais favoráveis. Em 2019, uma pesquisa mostrou que 57% das pessoas entre 55 e 59 anos estavam empregadas. Em 2020, o número caiu para 51%. Isto é, em tempos de crise, as pessoas mais velhas são as primeiras a serem afetadas pelo mercado de trabalho.

Para combater esses números e aliar, de modo sustentável, a realidade de que a população brasileira está mais velha aos movimentos afirmativos da sua empresa, é preciso olhar para as oportunidades que as contratações visando a diversidade geracional trazem:

  • mais tempo de experiência significa mais habilidade para resolver problemas;
  • pessoas com mais tempo no mercado de trabalho tendem a conhecer melhor a concorrência, os produtos do mercado e até mesmo de movimentos que não dão certo – otimizando tempo de experimentos, por exemplo;
  • as gerações mais velhas geralmente têm um networking mais sólido e extenso;
  • o senso de responsabilidade também tem mais chances de ser mais apurado, devido às experiências acumuladas.

Como ter diversidade geracional na empresa? 

A inclusão de diversas gerações na sua empresa começa a acontecer quando a diversidade é colocada como um dos pilares direcionadores da companhia. Isso quer dizer que as tomadas de decisão também consideram as boas práticas de D&I.

Caso isso ainda não aconteça, você, como integrante do time de RH, pode reunir as pessoas que estão à frente da empresa e sugerir que o movimento seja feito, reunindo informações de como a diversidade geracional no mercado de trabalho é um tópico relevante e que merece atenção especial.

A partir daí, listamos algumas ações que podem ser tomadas:

  • fomentar workshops, palestras e outros eventos internos para disseminar informações acerca de diversidade geracional no mercado de trabalho;
  • contratar pessoas que tenham afinidade com a cultura organizacional, uma vez que a diversidade já é um pilar do negócio. É importante que os colaboradores também acreditem na pauta, para serem atuantes;
  • abrir vagas afirmativas visando o grupo – você pode entender qual a necessidade do mercado para tomar essa decisão: mulheres 40+, mulheres 50+, homens 40+, homens 50+ ou outros que surgirem. Invista em uma pesquisa para compreender o cenário;
  • investir também em programas de jovens aprendizes e trainees, criando um quadro bem diverso de pessoas;
  • construir um ambiente de trabalho incluso, além de diverso, que permita que pessoas de diferentes gerações se sintam à vontade e consigam entregar seu melhor trabalho dentro da empresa – e isso será feito por meio das ações citadas acima, formando um ciclo virtuoso.

Como gerir a diversidade geracional no trabalho? 

A gestão da diversidade geracional no trabalho só é viável quando o ambiente profissional é inclusivo para todas as gerações, como acabamos de ver, e também quando existe boa condução da rotina por parte de líderes inclusivos.

Note como os pontos começam a se conectar: para haver possibilidade de diversidade, é preciso que ela seja um valor da empresa. Para que seja um valor genuíno, é preciso fomentar ações afirmativas e para que a diversidade se mantenha, é preciso um ambiente seguro e inclusivo.

O próximo passo, para entender se os diferentes grupos geracionais estão conseguindo se desenvolver na empresa e se é preciso alguma melhoria, é perguntar-lhes como se sentem. Para isso, faça pesquisas de clima organizacional personalizadas para cada grupo, com o intuito de se aprofundar nas particularidades.

Além disso, reúna-se com os líderes de equipes que contam com a diversidade geracional e entenda como o dia a dia está fluindo, se as informações desses líderes coincidem com as informações obtidas pelas pesquisas e entenda quais são as melhorias a serem feitas.

imagem de banner escrito "etarismo e as gerações nas organizações, com foto de vários instrutores do curso

Para te ajudar a entender mais a fundo os impactos da diversidade geracional no ambiente corporativo, o Colettivo, uma iniciativas Vagas, acaba de lançar o curso “Etarismo e as gerações nas organizações”. Nele, você fica sabendo tudo sobre:

  • etarismo;
  • seus os efeitos nas organizações;
  • como evitar a discriminação;
  • estratégias para melhor convívio entre gerações nas empresas. 

O curso é ministrado por especialistas na área, é gratuito e tem certificação. O investimento que você faz é de tempo e dedicação para ficar ainda mais informado sobre o assunto e poder colocar em prática os aprendizados.

O Colettivo é o primeiro hub de conhecimento focado em diversidade e o intuito é formar RHs mais justos e inclusivos. Inicie agora mesmo o curso e faça hoje a diferença na vida dos colaboradores de sua empresa.