Inclusão do grupo minoritário deve estar no radar do RH; saiba sobre o tema

A contratação de pessoas trans é sinônimo de valorização da diversidade nas empresas. Mas, apesar do empenho para tornar os ambientes corporativos mais plurais, nem sempre sabemos a realidade desse grupo minoritário que lida com transfobia, falta de visibilidade e de acesso em diversos âmbitos da vida.

É importante, e triste, saber que o Brasil é o país em que mais se mata mulheres trans e travestis (a diferenciação de termo é uma escolha de como a pessoa quer ser chamada) no mundo. O mercado de trabalho formal, portanto, pode diminuir a vulnerabilidade desses funcionários trans e reverter o quadro de exclusão a que esse grupo é exposto.

A seguir, a advogada e coordenadora do Projeto Transempregos, plataforma que conecta profissionais trans e travestis a empresas, Márcia Rocha, nos conta como o mundo corporativo tem olhado para o recrutamento de pessoas trans e o que precisamos saber sobre o tema.

Realidade das pessoas trans no mercado de trabalho

O respeito pelas diferentes identidades de gênero e orientações sexuais dentro das organizações tem sido uma forte bandeira de inclusão e diversidade. No entanto, a baixa representatividade de pessoas trans em empregos formais mostra que ainda precisamos acelerar rumo à equidade de oportunidades.

Uma pesquisa da Fapesp, de 2020, feita com 528 transexuais de sete cidades do estado de São Paulo, por exemplo, indicou que apenas 13,9% das mulheres trans e travestis tinham emprego formal. Entre homens trans, a porcentagem foi de 59,4%.

O preconceito e a reprodução das violências e exclusões são marcas na vida das pessoas trans mesmo quando elas estão empregadas. “Se a pessoa está trabalhando e tem um carro, por exemplo, em que não se expõe tanto, diminui a possibilidade de uma violência gratuita. Além de reduzir a vulnerabilidade, por ela ter condição de subsistência. Para mim, o trabalho não exclui a violência, mas muda a condição da pessoa na sociedade”, avalia Márcia Rocha.

Contratação de pessoas trans e conscientização

Parte dessa mudança está nas mãos dos profissionais de RH. A empresa se mostra mais inclusiva, o que é positivo para a sua imagem, aliás, com programas e processos seletivos condizentes com o perfil dos candidatos.

Na entrevista e em cada etapa com o candidato ou candidata, preste atenção nos seguintes pontos:

Use o nome social

Use o nome social da pessoa, e não o que pode ainda estar em documentos em que ainda não houve a retificação de nome e gênero da pessoa trans. O nome social é aquele que a pessoa trans escolhe e com o que se identifica e é desrespeitoso chamá-la por outro.

Cuidado com os pronomes

Fale corretamente os pronomes de tratamento. Procure se informar sobre com qual gênero a pessoa se identifica ou se tem uma identidade de não-conformidade de gênero.

Não julgue

Não faça julgamentos prévios ou uma seleção tendenciosa e preconceituosa. Comentários sobre aparência do candidato ou candidata e curiosidades sobre transgêneros não devem ser levados para a entrevista.

“É preciso fazer a capacitação do pessoal de RH para que não se discrimine e procure bons profissionais sem se basear na aparência”, pontua Márcia.

A tarefa de promover conscientização sobre preconceitos, transfobia e atenção a um ambiente de trabalho respeitoso e diverso também deve estar na lista dos responsáveis pela área. “Não adianta querer contratá-la e invisibilizá-la. Ou ter um ambiente hostil e agressivo dentro da empresa. Por isso, é preciso ter conscientização antes”.

A criação de treinamentos e o suporte para as empresas são feitas por plataformas como a própria TransEmpregos que, atualmente, tem 803 empresas parceiras. Em 2020, foram 707 pessoas trans contratadas. “Toda semana entram novas parcerias com a intenção de fazer o trabalho interno de pilar de diversidade e isso é muito positivo. No ano que vem, queremos trabalhar no crescimento econômico do Brasil já com mais inclusão”.

Projeto de lei para contratação de pessoas trans

Vale dizer que há um projeto de lei apresentado na Câmara dos Deputados (o PL 144/21) que estimula a contratação de travestis e transexuais por empresas com mais de 100 empregados na proporção mínima de 3% dos funcionários.

A proposta abrange organizações que gozem de incentivos fiscais, participem de licitação ou que mantenham contrato ou convênio com o Poder Público Federal. Se as empresas não cumprirem a porcentagem, poderão perder os incentivos fiscais ou ter o contrato rescindido.

 

Quer saber mais sobre inclusão nas empresas? Então leia nosso artigo sobre diversidade no recrutamento e seleção.