Aliados respeitam vozes e estão dispostos a ajudar profissionais; entenda como agir

Dentre as questões que as práticas de diversidade e inclusão no RH apontam, é comum que surjam dúvidas sobre como atuar sendo um aliado de mulheres negras no trabalho.

Sabemos que, no Brasil, por causa do racismo enraizado, são elas que têm mais dificuldade para alcançar o mercado de trabalho e postos de liderança e decisão nas empresas. Ao chegarem a essas funções, podem se sentir isoladas, por estarem cercadas de pessoas brancas como maioria. Acontece que a tarefa não termina com a contratação de mulheres negras para as equipes. Como fazer com que essas vozes não sejam diminuídas, a fim de fortalecer a diversidade e garantir equidade racial na organização?

Como apoiar mulheres negras no trabalho

O grupo de mulheres negras ainda encontra obstáculos para superar o racismo no mercado de trabalho. A pesquisa Potências (in) visíveis – a realidade da mulher negra no mercado de trabalho, da empresa Indique uma Preta, indica uma defasagem: das contratações feitas por empresas de São Paulo que participaram do estudo, em 2020, apenas 6,6% foram de mulheres negras para cargos de liderança. Homens brancos, por sua vez, representaram 39% das contratações no ano passado.

Profissionais de RH, executivos e profissionais de diferentes segmentos do mercado não podem fechar os olhos para essa percepção; é por isso que os esforços para transformar e impactar positivamente na presença e na atuação de mulheres negras nas organizações dependem dos chamados aliados – pessoas que não são parte desse grupo “minorizado”, mas estão dispostas a ajudá-lo sem tirar o protagonismo dele.

É esse tipo de ação que a filósofa e escritora Djamila Ribeiro incentiva em seu livro “Pequeno Manual Antirracista”, da Companhia das Letras. Com o texto simples, a autora indica ações para que os aliados estejam atentos aos vieses inconscientes e às mudanças de comportamento que devem ter para se colocarem na luta pelo fim da desigualdade racial. O ambiente corporativo tem peso fundamental nesse processo, por garantir acesso a oportunidades por mulheres negras.

Como agir para ser um aliado na prática

A seguir, três atitudes que você pode repensar no dia a dia corporativo para apoiá-las.

Se informe e transforme em ação

Ouvi-las dentro e fora do ambiente de trabalho e se munir de dados sobre a realidade da participação de mulheres negras nas empresas é o primeiro passo. Mas, qualquer que seja sua posição, é preciso colocar em prática: questione ou modifique a cultura da organização e sua própria conduta em relação a preconceitos raciais para que as funcionárias sejam capazes de se sentir acolhidas e incentivadas em sua rotina profissional.

Se levante contra a discriminação racial

Ao notar comentários racistas ou planejamentos na organização que não incluam mulheres negras, se posicione. A perpetuação de processos de contratação que as colocam em desvantagem também precisa ser revista; e só com pessoas ativas, falando sobre o tema e rompendo padrões limitantes, é que a mudança cultural acontece.

Incentive o sucesso

Como um aliado, esteja em uma relação profissional sólida e de incentivo a mulheres negras. É importante reconhecer e valorizar a trajetória dessas profissionais já que, segundo a pesquisa do Indique uma Preta, 49% das mulheres negras consultadas já se sentiram desqualificadas profissionalmente mesmo tendo formação necessária para os cargos a que estavam concorrendo.

O sucesso de cada uma será conquistado individualmente, mas quem divide o ambiente de trabalho com elas também pode estar ao lado para aprender e ensinar no trajeto em direção à igualdade racial.